sexta-feira, outubro 24, 2008

Para mim,

uma boa refeição tem de ter salada. Ou legumes. Cozidos, salteados (mmm, esparregado de nabiças) ou assados.
Isto, de uma pessoa cuja comida comida fetiche é hamburguer, pode parecer estranho.
(O que eu gosto nos hamburgueres é do sabor do tomate com a carne. E os molhos, claro.)
Procuro o hamburguer perfeito, confesso. Até agora, nada bateu o whoper do burger king da estação central de Estocolmo. Havia ali mãozinhas com dedinhos de ouro.
(Sim, o meu hamburguer perfeito é de fast-food. Shame on me.)
Mas também gosto dos hamburgueres do café/bar do shopping no Luxemburgo (soubesse eu o nome) onde fui algumas vezes antes do cinema. A última com o cunhado, enquanto a irmã fazia as mesmas perguntas (porque há reportagem todos os anos) para ouvir as mesmas respostas tontas das candidatas a Miss Portugal no Luxemburgo.
O café/bar tem ar americano, está cheio de referências a desportos não europeus, mas o dono é italiano. Agora que penso nisso, não me lembro dos hamburgueres deles.
Lembro-me da conversa com o cunhado e do que povoava a minha cabeça nessa altura. Muito private.
Agora penso na posta à mirandesa que em criança abominava, com batatas cozidas sem casca, muito alho e salada. Ou esparregado de nabiças, porque a salada tem o travo de vinagre que usam nos restaurantes e eu detesto vinagre.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Horas passadas em calças de pijama ou similar:

demasiadas.
porque
Tentativas de tirar as calças de ganga como se fossem calças de pijama para ir à casa-de-banho: 1 (infrutífera)
O Goura é pequenino e algo mimado.
As pantufas são maiores que a cabeça dele e o pijama sobra-lhe nos braços e nas pernas.
Sabe bem dar comida quente - já está frio, um vento gelado, e a meio dos pratos no Carregal tive de pedir que me trouxessem o casaco.
Enquanto elas jantam, eu tiro o esparguete da última panela e ele passa lá fora na varanda, vindo da casa-de-banho, e dá vontade de pegar ao colo. Ele não gosta que lhe peguem ao colo, a não ser que sejam homens.
A maior parte deles não vive na rua, felizmente, mas sei lá se as casas ou quartos onde dormem não são igualmente desabrigados.
O Goura é pequenino e magrinho, mas não lhe falta comida. Tem mimo que chegue para muitos e apesar de não gostar muito de mulheres (o dia virá em que ele muda de opinião... ou não), dá-se bem com todas.
Às vezes chateia-me que sejam implicativos e resmunguem e reclamem, mas chateia-me mais quando não podemos dar, não temos, não chega.
O Goura faz vozinha ainda mais fininha e a Mãe faz-lhe as vontades todas. Às vezes passa-se e não quer comer a sopa ou começa a fazer de tudo bateria e quase nos põe surdas.
Hoje esfregaram-me as costas enquanto eu montava a mesa em S. Bento, mas quando olhei para trás não era a M. ou a S. ou a outra M. - era um dos nossos clientes. Se calhar estava a limpar a mão e a minha camisola preta pareceu-lhe apropriada, não sei.
O Goura come cereais dos que trazemos do Banco e iogurtes e nestum's líquidos e fruta.
Eu a carregar comida para o menino e nem um beijo me dá.

quarta-feira, outubro 22, 2008

E mais

A moça é viciante.

terça-feira, outubro 21, 2008

Sou eu que sou esquisita

ou sou eu que sou picuinhas?
Either way, a rapariga até tem algum jeito.
Apesar de ter uma pronúncia slightly tainted e de não saber escrever em inglês, errr, ter alguns erros nas letras, errr, afinal não havia erros - a audição acompanhada pela suposta letra da canção (por curiosidade), induziu-me em erro.
Eu vi logo que não era possível dar semelhante erro e andar para aí a cantá-lo.
As minhas sinceras desculpas pela falsa acusação.
(Vou ali autoflagelar-me.)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Do amor táctil

O LM azul mudou de pacote. Os maços agora são de um azul metalizado, brilhante, mais escuro.
Lá se foi o amor táctil que eu tanto nutria porque a mim um maço dá-me normalmente para dois dias, noites de copos e cravas excluídos, portanto dá para me afeiçoar.
Vou dedicar-me antes aos livros.

domingo, outubro 19, 2008

Luz de (Inverno/)Outono

sonhar alto de Rosa Pomar

A luz que entra no meu quarto pelo terraço ainda é quente e ainda me põe metade do monitor às cegas claras, reflectidamente.
Mas é rápida e foge em menos de nada.
E eu ainda me ponho a inventar futuros...

Deram-me a receita para o Sericá

(Também há quem lhe chame Sericaia e a mim já me bastava a confusão de género, que sempre pensei que fosse uma.)
Por acaso até me deram duas, duas pessoas cujo Sericá já provei e aprovei.
Explicaram-me como misturar alternadamente a farinha e o leite, como era preciso ter cuidado para não deixar queimar quando fosse a cozer em lume brando, "mexer sempre para engrossar", disseram-me para usar farinha sem fermento - e eu esqueci-me.
Mas não me disseram como enviar uma fatia à irmã exilada.
A DHL transporta doces?

Bar de gays

Proliferam no Porto os bares gays.
Nada de Lusitano, Boys não sei quê em vez - o bar do pobo.
Ia dizer que isto de muitos gays à minha volta era algo, mas não digo. (No matter how drunk I am while writing this.)
Digo que muitos não seriam reconhecidos na rua, outros já nem tanto.
Alzheimer.
Crenças ridículas (voltou). Acredito que para vir ao blog é mais fácil abrir o mail do blog e depois esperar que o browser reconheça a identidade , do que abrir directamente o blog.
Manias!
Mais coisas: quase um ano depois, entro no elevador quase da mesma maneira. Nestas alturas os elevadores não deviam ter espelhos, o esforço que a pessoa, já alcoolizada, faz para ver o que quer que seja é desumano. (Desumano é escrever isto, que dislexia...)
(O firefox sugere apoplexia, alexia, paralexia e outras tretas em vez de dislexia, que considera um erro. Pára de beber, meu!)
Última: hoje foi a noite de encontrar toda a gente. Para além de ter combinado com 3 pessoas diferentes, o que resultou mal, encontrei meio mundo.
Primeiro o poço fundo, depois a busca pelo irmão desaparecido, logo a seguir a prima-irmã e depois, quando finalmente me dirigia para o primeiro encontro da noite, mais de duas horas atrasada, aquela amiga de infância da aldeia que já não é amiga e de quem não se gosta assim muito, porque esta amiga, a bem dizer, tem a mania que é uma maçã ou o raio, mas não se sabe bem porquê continua a falar-nos como se fôssemos grandes amigas, quanto vale a hipocrisia, graças ao outro, e portanto até trocamos de número de telemóvel e eu até disse "sim, claro, combinem lá o café e digam-me alguma coisa" enquanto pensava "espero que marquem para quarta, que assim tenho a desculpa perfeita", sabem esse tipo de amiga? Pois.
Toma lá, irmã, um installment of Drunken blogging. Happy now?
Tenho fome.

sábado, outubro 18, 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

Não é alemã, é dinamarquesa

Bang & Olufsen, senhores.
Ou qualquer coisa do género, para o propósito do post.

No Google

High end stereo, high end stereo german (tive preguiça, acrescentei a palavra à frente), expensive german stereo: zero resultados satisfatórios.
Até ao site do Colombo fui, estou mesmo a ver a loja, cheia de aparelhagens less is more (in price), mas pelos vistos da loja nada, quero lá saber que tenham uma sony, quero é a alemã!, e o raio do nome continua preso nos confins do meu cérebro.
Desisteis.

Digital

Confesso que o mp3 não me aflige por falta de qualidade.
Toca direitinho no computador e no carro, então, nem se fala. Aquilo é uma discoteca, sou eu que o digo!
É claro que se tivesse uma aparelhagem (eu nasci na década de '70, calai-vos) com aquele nome alemão que agora não me lembro porque são 4h30 da manhã e ao meu cérebro já lhe basta ser aquela altura do mês, não precisava de sono e cansaço a juntar-se à festa, alzheimer é o que é, beiesdorf? não, isso é a nivea, ai, que raio, querem vir que tenho de ir ao google?, pronto, isso, com belas colunas de madeira ou lá o que é que dá boa acústica às coisas que precisam de boa acústica, pois, se eu tivesse tal aparelhagem, talvez notasse a diferença do digital para o áudio.
Mas não tenho, por isso não vale a pena querer molhar o pão.
O que tenho é vários cd's cheiínhos de música e, só por isso, o mp3 já seria um mimo.
Mas, e aqui vêm as más notícias, o mp3 tem defeitos. Tem sim senhor.
Para já, a música parece descartável. Quem é que já deitou fora, sem problemas de consciência, um cd original, ainda que comprado na fnac ao desbarato? Não estou a falar de música que não presta, ó compradores das Adelaides Ferreiras e Oasis deste mundo.
Não, música a sério, música boa - ninguém.
Já um cd de mp3, oh pá, se o perder...
E depois outra. O meu Ok Computer tem (pelo menos) duas músicas trocadas. De maneira que ouço o Karma Police antes do Let Down.
E isso, meus caros, isso está completamente errado.

E sim, estou aqui acordada feita parva porque o ainda mais parvo do que eu que se auto-intitula meu irmão foi jantar fora e levou o meu carro por razões de prioridade, que é como quem diz era o meu que estava atrás, mais perto da porta da garagem, e eu já sei que preciso é de um animal de estimação ou o raio, mas depois da última vez e tendo em conta as horas que já são e ainda sabendo que ele ainda não voltou, temo pela integridade física do meu veículo. There.

quinta-feira, outubro 16, 2008

If for nothing else



tinha de gostar do Thom Yorke pela maneira como ele diz "transport" nesta música.
(E "dirty", your dirty mind, na outra.)

Radiohead, Let Down

Dos sem-abrigo esfomeados

eu: ontem tb vi um filme fixe
chamava-se "que chatos estão os sem-abrigo hoje, rai's os parta!"
ele: é a vida
queres ajudar a sociedade
tb tens que aturar a sociedade

Muito acertado, para alguém com um prémio assim.

A acreditar na teoria

que diz que todos temos um número finito de batidas cardíacas antes de expirarmos (gosto tanto desta palavra, expirar, expirar),
ontem à tarde fiquei com menos três ou quatro meses de vida.
No mínimo.

terça-feira, outubro 14, 2008

A Maia

é a mais fascinante das zonas que conheço.
Ruas que fazem lembrar as aldeias do Gerês (quando não parece Vilarinho) e, logo a seguir, prédios altos e ruas urbanizadas.
Inclui: um café no meio de um jardim com uma esplanada óptima para se estar num fim de tarde de Outubro a lanchar e a rir.
A Maia é cómica.

domingo, outubro 12, 2008

Da noite de ontem

A meio da noite queria lembrar-me do que tinha pensado quando fui à casa-de-banho (pois, o vinho branco também não se compra, só se aluga), mas varreu-se-me da memória.
Quando começava a ficar seriamente preocupada com este Alzheimer recorrente, lembrei-me que tinha algo a ver com o jogo de Scrabble que jogámos no fim do jantar.
Era portanto isto.
Desvantagens de beber sentada: deve haver, mas eu não sei quais são.
Sei é que jogar Scrabble (inglês, no less) parece uma tarefa hercúlea depois de tanto vinho branco.
Ou não, que eu passei o tempo a fazer verbos iluminados, como "omite" e "vingara".
Depois ganhei um parceiro de jogo que fez "luzo", do verbo luzir. Pirilampos, nós!
Vantagens de jogar com adversários tão ou mais alcoolizados do que eu: muitas. Incluindo uma renúncia que fiz na sueca e que ninguém pareceu ter visto.
Excelente noite, portanto.
Safaram-se os caros leitores de mais uma edição da categoria "Drunken Blogging" porque a meio da noite, já regressados a casa, foi-se a electricidade e tivemos de acabar os restos do bacalhau com grão, que estava óptimo, à luz das velas.

A resposta

ao meu post sobre os portistas não se fez esperar. A minha resposta a essa resposta tardou um pouco mais, facto pelo qual peço desculpa.
Quem quiser ler (e "adbertir-se"), força.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Portista ou Missionário

Isto de ser Benfiquista em terra de portistas tem que se lhe diga.
Para usar um eufemismo, será assim como ser palestiniano em Israel. Só que pior, porque ao menos eles com as bombas ainda matam uns quantos israelitas, agora portistas a serem dizimados às centenas era o viste-lo!
Não há terra mais violenta e agressiva em relação à sua fé desportiva do que a cidade do Porto.
Já sei, as claques violentas também existem no Benfica e no Sporting e, de vez em quando, já se sabe, há merda.
Caem varandas e rebentam explosivos de sinalização (como é que se chamavam?) em pleno estádio e partem-se carros e são, no seu geral, parvalhões com problemas de auto-controlo. Parvos há-os em todo o lado, com mais ou menos concentração per capita.
Mas no Porto não. A violência pode não ser toda de explosivos feita, mas é uma constante. Principalmente se dirigida a um Benfiquista.
O simples facto de existirmos e respirarmos, às vezes perto demais pelos vistos, irrita os portistas. E de dentro da mais civilizada pessoa, às vezes até de amigos, sai um monstro que quer, literalmente, arrancar-nos a cabeça só porque nós é mais vermelho e branco.
Não se iludam, aqui não há saudáveis e divertidas trocas de galhardetes, "porque a minha equipa é melhor que a tua", aqui há uma perseguição cerrada e doentia ao Benfiquista, como se hereges fôssemos a fugir da fogueira da Inquisição.
Eu compreendia que se debatessem os jogos entre as duas equipas, toda a gente sabe que os árbitros roubam, às vezes joga-se melhor ou pior, etc. Mas não. O portista gosta de chatear o Benfiquista em várias ocasiões, a saber.
Sempre que pode
Sempre que o porto joga
Sempre que o porto ganha
Sempre que o porto perde (esta nunca percebi)
Sempre que o Benfica joga, ganha, perde, empata ou vê anulado o jogo por desaparecimento do relvado (que eu saiba nunca aconteceu, mas eu não sou a mais informada das pessoas sobre assuntos futebolísticos)
Sempre que, no calendário, esteja assinalado um qualquer jogo do Benfica, seja a feijões, para caridade ou daqui a 15 anos
Resumindo: sempre.
Durante 10 anos tive de aturar todos os portistas à minha volta a dizerem bacoradas sobre o Benfa. Incluindo as velhotas na padaria!
Durante 10 anos pensei no que motivará tanta raiva, tanta agressão, tanto mau desportivismo.
Para já, inveja, claro. É difícil viver na sombra de um clube que é tão grande que, mesmo sem ganhar, tem tantos adeptos fervorosos.
Depois, medo. Medinho que faz os portistas correr para a casa-de-banho simplesmente por lhes ocorrer que o deles, o deles não é um grande clube. Às vezes a casa-de-banho está longe ou ocupada e cagam-se as calças, como dizia o Sérgio Godinho.
Por último, e sem querer entrar nas razões sócio-económicas e também histórico-culturais que fazem com que o Porto (a cidade) sofra irredutivelmente de complexos de inferioridade em relação ao resto do país - o que é uma pena, porque o Porto é lindo e grande e forte, mas tem o porto que faz dele bruto e sujo e tacanho -,
falta de fé.
Ora eu não sou uma pessoa religiosa e não é disso que aqui se trata, mas tenho fé em muitas coisas. Os portistas não. Passeiam-se vociferando inanidades sobre o seu clube e sobre o clube dos outros (mais esta), mas não acreditam numa única palavra que dizem.
O típico "toma lá, demos 4-0 ao Benfica na Luz" é apenas a máscara para o verdadeiro "hãn, viste, eu nem pensava que era possível nós conseguirmos chutar uma bola quanto mais marcar, mas olha, até ganhámos, nem sei como, ai, estou tão agradecido que até choro!" - e é também nesta altura que decidem correr para a casa-de-banho porque os nervos de tanto medinho dão a volta aos intestinos.
E cagam-se as calças.
O que nos traz de volta ao título. Porquê missionário?
Para começar, porque os portistas são extremamente aborrecidos e monótonos. Sempre as mesmas piadas, sempre as mesmas tretas, sempre o mesmo medinho. Caguem-se lá por outras razões, vírus de 24h, leite estragado, salmonelas, o que quiserem - agora sempre o mesmo medinho é que já chateia.
Mas missionário principalmente porque o portista é o renascido abstruso que vai pregar aos peixinhos porque se convenceu que a sua fé (que não tem) é melhor do que a tua.
Assim mesmo, como se tivéssemos todos 5 anos.
(Não se ofendam já os portistas, que eu ainda tenho mais insultos para proferir. Só mais um bocadinho, depois podem ir ver os bonecos.)
Só que o abstruso portista consegue dar uns toques de Testemunha de Jeová sempre a tocar à campainha, com um requinte de Mormon - mas sem o fato bonito, que isso é pedir demais.
O portista missionário-moderno quer evangelizar, ou melhor, portificar tudo e todos.
Não prometem a vida eterna nem 70 virgens no Éden, mas enumeram (coitadinhos, enumeram) os feitos do clube, a sua grandeza de dirigente mafioso construída, às vezes quase que contam (pelos dedos, claro) a quantidade de árbitros que o porto já conseguiu subornar. Que é, todos sabemos, infinitamente maior do que a dos outros clubes.
O que é mais engraçado nisto tudo, para além do efeito "medinho recalcado e cagam-se-as-calças", é que os portistas acabam por só fortalecer a fé e a paixão dos outros pelos seus respectivos clubes.
Quem é que, ao ouvi-los, não pensa "Que porcaria de clube, nem os adeptos gostam dele" ou "Estes tipos devem ser mesmo maus, têm de se andar a vender na rua como enciclopédias baratas"? (E sim, a palavra enciclopédias era um eufemismo.)
Ora nenhum Benfiquista faz isto. (Não sei quanto aos outros clubes, tive a sorte de nascer Benfiquista.)
O Benfiquista ama o seu clube sem precisar de explicar porquê e sem necessidade, principalmente, de explicar aos outros porquê.
É o que em inglês se chama "self-explanatory".
O Benfiquista não precisa de insultar os adeptos de outros clubes quando mostra a sua superioridade: bem lhes basta não serem do Benfica, coitados.

Notas:
1. O uso de minúscula em referência ao clube e maiúscula em referência à cidade é perfeitamente intencional e destina-se a separar a confusão que há entre a cidade do meu coração e o clube de futebol.
2. O uso de maiúscula em todas as referências ao Benfica é também perfeitamente intencional, seria aliás um erro de Português não o fazer.
3. Não há terapia no mundo que salve os portistas. Paz às suas almas.

Fernanda Câncio

domingo, outubro 05, 2008

Das fotos desfocadas

Não, caríssimos, eu não tenho ilusões quanto ao desfocamento das fotos dos concertos que pus aqui.
Nem na altura sofria de visão dupla para achar que estavam geniais, não se preocupem.
Algumas são mesmo as únicas (mais ou menos) decentes que consegui tirar.
E isso sim, já foi da visão dupla.
Aproveito para dizer que eu com uma máquina a sério era uma senhora, mas não estou a desfazer da máquina do FQ à qual tanto me afeiçoei, longe disso.
Mais: aqui deixo os meus agradecimentos pelas fotos que os meus amigos gentilmente me cederam para compôr a tapeçaria errática que é este blog. 
Ainda que a maior parte tenham sido tiradas por mim.

sábado, outubro 04, 2008

SW - Goldfrapp







Para mim, o melhor concerto da noite. Para mim, que não cheguei a ver Chemical Brothers.
Parece que com isso perdi o melhor concerto de todo o SW, o que não me incomodaria muito, não fosse o facto de ter feito com que outra pessoa perdesse também o concerto.
Note to self: jantar é bom!

SW - Tindersticks



Dez anos depois disto, agora no SW, volto a ver Tindersticks.
Fiquei espantada com a quantidade de músicas que conhecia e confesso que desta vez gostei bastante mais de os ver.
Na categoria "Ai, como uma pessoa se põe", a sms que mandei à irmã:
"Tindersticks. Tão lindo! Estás aqui comigo, é como se fosse o Paredes de Coura de há 10 anos. Tenho fotos! Bela moca também!"
Em minha defesa, várias coisas a dizer.
1. Não foi nada como há dez anos atrás, porque há dez anos atrás vi o concerto quase sozinha enquanto a estimada fumava e bebia com o namorado e amigos e eu me apercebia de que estava cheia de fome.
2. Nesta noite esqueci-me de jantar. Fosse do pacote de bolachas com recheio de chocolate que comi durante o primeiro concerto da noite, fosse de tudo o que bebi e fumei, a verdade é que já não estava muito em mim, logo, sms's sem nexo. Muito apropriado para o ambiente, portanto.
3. A censura deste blog anda lassa e incapaz, pelos vistos.
4. É decadente, é decadente, mas já me fartei de rir à conta destas sms.

SW - Yaël Naïm



Uma agradável surpresa, docinha e melódica. Não me perguntem mais nada, que não me lembro.

Em falta

os concertos do SW. E os relatos da experiência, agora algo censurados pela óbvia passagem do tempo.
Para que a irmã que só foi comigo em espírito possa desfrutar e parar de me chatear a cabeça. :p
Todos juntos, já a seguir.

Hoje toca



Beirut - Rhineland

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fui ver isto:

Foi pior do que a descrição poderia prever (clica na imagem para veres maior).

quarta-feira, outubro 01, 2008

A propósito

disto, que fui ver com bilhetes oferecidos,
fiquei a pensar onde está a linha (ténue) da boa educação e erudição musical.
Eu não saí assim que me apeteceu (para aí aos primeiros cinco minutos) porque
1. ela não deixou
e 2. não me senti bem a fazê-lo. Mas foi mais porque ela não deixou.
No entanto, houve muitas pessoas da magra audiência que o fizeram, algumas, inexplicavelmente, quando aquilo estava quase a acabar.
Claro que se pode argumentar que ninguém sabia ao certo quando é que aquilo acabava, mas eu, se tivesse dado 15 euros por um bilhete, ficava até ao fim. Pelo menos para saber do que me ria.
A minha questão é esta: é verdadeira má educação sair a meio? As pessoas pagaram para ver algo que nem de longe nem de perto as satisfez.
Mas, ainda assim, sair a meio parece-me, no mínimo, rude.
Por outro lado, depois de aturar aquilo durante uma hora e um quarto, não posso conceber que haja uma pessoa sequer que tenha saído dali contente.
Mas há sempre um tio ou tia que sai de lá todo emproado porque foi ver uma coisa que não entendeu, da qual não gostou e cujo único benefício directo para a sua vida é ter tema de conversa com outros tios e tias e poder provocar-lhes inveja - porque foi ver "cultura".
O que eu quero mesmo saber é: afinal como é que se vai chamar o novo programa do Gato Fedorento?

segunda-feira, setembro 29, 2008

Muito apropriada



Radiohead - Nude
Favorita.

domingo, setembro 28, 2008

Tive um carro, perdi-o

Só estou a dormir há duas horas quando recebo a chamada.
Eu: Onde estás?
R.: Onde estás?
Eu: Em casa, onde é que achas?
(Sim, tenho mau-feitio ao acordar, principalmente quando me deito tarde preocupada com ele e depois me acorda com perguntas brilhantes em vez de vir para casa.)
R.: Estou em Cedofeita... olha... o teu carro não está no sítio.
Eu: O quê??
(Dei-lhe a chave no Piolho ainda cedo para ele se ir embora, como é que isto aconteceu?)
R.: Não sei, Joana, o carro não está no sítio onde o deixámos. O senhor do café (qual café?, mas tenho muito sono) diz que se calhar a polícia o rebocou.
Eu: ... Vem para casa.
Adormeço outra vez à espera dele, acordo quando vem ao meu quarto. Repetimos a conversa.
Passo meia-hora em agonia na cama. Entre o sono mortal, o cansaço, a angústia de ter ficado sem carro, a fúria, mas a culpa não é dele, será que deixei um vidro aberto, será que a seguradora me dá outro sabendo que estava numa viela, ai, a música toda, perdida, fiquei sem música, coisas difíceis de voltar a conseguir.
A última coisa que me apetece é passar a manhã de Domingo na esquadra da polícia, começo a desejar que me tenham rebocado o carro.
Decido que tem de ser e levanto-me com uma esperança: uma falha na descrição da noite.
Vou ter com ele à cozinha onde está a beber cola e a cozer o feijão para o almoço, de directa. (É bem feita.)
Mas afinal, digo-lhe, onde andaste toda a noite? (Não sou mãe dele, mas ele perdeu-me o carro!)
Conta-me.
- Não mudaste o carro de sítio?
- Não... Ah, espera! Fui levar o E. a casa!
Começa a rir.
- Já sei onde está o carro, está na Rua da Picaria.
Grito-lhe convenientemente, saio para me vestir e aproveito o sol lindo de Domingo de manhã.
O metro deixa-me na Trindade num instante e quando subo a rua onde está (estará?) o meu carro, vejo-o. Lindo.
Nem no Sudoeste fiquei tão contente ao ver o meu carro!
E é por estas e por outras que vou morrer cedo de coração esgotado.

O que me apetece escrever agora

não faria muito sentido para quase ninguém
porque não há censura neste mundo liberal o suficiente para deixar passar.
Algumas coisas é mesmo melhor não serem ditas.

sábado, setembro 27, 2008

Ainda de Trás-os-Montes

Diálogo recorrente
Individuo que posso ou não conhecer (m/f): F.? És a F., não és?
Eu: Não, sou a Joana. A mais nova. (Em Roma, fala trasmontano.)
Diálogo original, à saída do cinema
Individuo que não conheço (m): Desculpa, posso fazer uma pergunta?
Eu (sem saber bem o que se passa, ainda me estou a rir do filme com a prima): Sim...
Individuo que não conheço (m): És a Joana, não és?
Eu (completamente emmerdada, e agora o que é que eu digo): Sou...
Individuo que não conheço (m): Não te lembras de mim, pois não?
Eu (há bocado não era nada, agora é que estou mesmo emmerdada): Err... desculpa, não.
Individuo que não conheço (m): Sou o H., da escola primária, primeira classe.
Eu (depois de uns segundos de hesitação e a mentir com quantos dentes tenho na boca - se mais houvera, mais mentira): ... Ah, sim! Já me lembro, desculpa, estás bom?
Depois dos beijinhos e dos então que tal, por cá?, o choque ainda maior.
Individuo que não conheço (m): Então, que tens feito?
Eu (sentindo-me estupidamente na obrigação de dar um relato completo da minha vida dos últimos, quê, 18 anos?, porra, não se contam 18 anos de vida em 5min depois do cinema a um desconhecido...): Ah, sabes, fui estudar para... e depois trabalhei lá... etc, etc.
Ele é casado e tem uma filha (acho) com um ano e meio.
Agora lembro-me perfeitamente da cara dele, a cara que vi nesse sábado e acho que começo a lembrar-me dele na primária, mas não jurava.
Um mundo noutra galáxia, foi o que senti.
Como é que é possível esquecer assim alguém? E não ser esquecida?
Ai, este alzheimer...

Ontem, no Armazém do Chá,

(não, não bati contra nenhuma mesa e não estranhei a mobília)
percebi sozinha o efeito de triangulação para captar sinais.
Ainda dizem que isto faz mal.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Mais não-sei-quê nocturnas

Há dias acordei a meio da noite com dores nas cutículas, à volta das unhas.
Como se estivessem a arder por dentro.
(Depois levantei-me do sofá e fui para a cama.)
Ainda não fui ao google procurar "dor aguda nas cutículas" ou o seu correspondente em inglês, mas lanço aqui o repto:
o que vos parece que possa ser?

Reflexões nocturnas

1. Já sei como explicar que não gosto de Abba.
Para mim, ouvir o Mamma Mia do spot do American Idols da foxlife é como ouvir a Adelaide Ferreira com o seu "Dava tudo para te ter aqui" ou o "Papel Principal".
(E para escrever este post, lamento informar-vos, tive de procurar "Adelaide Ferreira" no youtube. Ao que chega a responsabilidade editorial...)

2. A minha médica diz que sou alérgica ao pólen. Tretas!

Já agora,

eu estou magra.
(Sim, ainda mais do que nas férias, IR(e)MÃ, não sei bem como...)

Há dias, a conduzir*, ocorreu-me

É preciso azar - os meus pais além de nunca conseguirem ter as filhas magras em simultâneo, agora também parece que não conseguem tê-los empregados.

*as melhores ideias e pensamentos ocorrem-me normalmente a conduzir e, ultimamente, ando a fazer muitos quilómetros

quinta-feira, setembro 25, 2008

Do Food

Há umas semanas que não conto nada das noites de quarta, mas isso não quer dizer que tenha parado de ir.
Na semana passada a chefe estava de férias e eu, sem saber muito bem porquê, fui nomeada cozinheira-chefe interina.
Correu tudo bem, se tivermos em conta que estive sozinha a cozinhar quase uma hora e estava a começar a pensar a quem poderia ligar para ir comigo à distribuição.
Depois chegaram as cavaleiras da Távola Redonda e conseguimos cozinhar tudo a horas.
Saímos sem jantar e sem a concha para servir a massa com coiso que fizemos.
Deleguei a condução noutra pessoa, por várias razões, mas por uma muito forte que era estar farta de conduzir a carrinha, Banco Alimentar nessa manhã e muito tempo para estacionar depois.
A coisa começou a correr mal quando uma das habituais em S. Bento nos atacou, fez uma mossa na porta da carrinha, tentou atirar com a comida e depois virou a mesa com a massa em cima dela.
Acho que nunca estive tão perto de matar alguém.
A santa padroeira dos distribuidores de comida vegetariana para sem-abrigo devia estar do nosso lado nessa noite (desconfio que não tenha muitas solicitações) e a panela caiu de pé no chão.
Servimos cerca de 140 jantares, mais ou menos contados por mim e pela condutora.
Tantos que a comida quase não chegou para o Carregal.
Como sempre, depois das panelas e do lixo, fomos para o Piolho, traumatizadas e exaustas.
Passou-nos depressa e depois só nos ríamos com a Sofia a imitar a loucura da D. Branca. A Marta também contribuiu para a nossa boa disposição, so to speak.
As noites de quarta acabam sempre da mesma maneira, é bom.

Esta semana a chefe estava de volta (ainda bem, porque aquilo custa muito e eu nunca pensei que fosse tão difícil, já lhe disse que tenho um novo respeito ainda maior por ela), fez arroz com açafrão e o mesmo coiso. Claro que o coiso era diferente, chefe é chefe.
Muito pouca gente por ser a última quarta-feira do mês, em que dão comida por trás da Câmara.
Fomos ao Aleixo, estava tudo muito calmo por causa da rusga do dia anterior.
Brincámos que eles ao menos escolhiam os dias certos para as facadas e demais confusões.
("Espera, na segunda não posso que já tenho um tiroteio noutro lado."
"Ah, na quinta não dá, é dia de facadas e impropérios no bairro da minha mulher."
"Pronto, tem de ser terça, na quarta vêm as meninas, por isso só temos terça para andar à facada entre nós. Bota lá!")
Com o carro da polícia estacionado do outro lado da rua, subdued é a palavra que eu escolheria para descrever o ambiente e humor da clientela.
Depois arrumar a carrinha com o condutor regressado das férias (deixei-o conduzir apesar dos pedidos vários que fosse eu a condutora) e depois Piolho.
Apesar do sono que tinha e da vontade de me vir embora, ainda bem que fui.

À quarta à noite,

do Food até casa só demora um Karma Police e um Let Down.
All time favourites, so I guess it's ok.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Do Gerês

não trouxe fotos, mas muito boas memórias. De lá e de outros tempos, mas isso é outra história.
Trouxe também um estado zen multicolorido, um misto de verde das copas frondosas com o verde dos pastos húmidos, azul da chuva e prata da água das fontes, castanho e negro das rochas das serras e branco-algodão do nevoeiro e das nuvens que esconderam o céu.
Comi uvas e amoras e ainda provei medronhos.
Almocei quase ao fim da tarde num parque de merendas no meio da mata com os pássaros como banda sonora, e nunca grão-de-bico com atum me tinha sabido tão bem. A companhia também achou.
Não há melhor sítio para estar só e reflectir, deixar os pensamentos fluir e não deixar a mente presa em nada. A companhia também achou.
Depois voltei para o Porto e ao primeiro semáforo da circunvalação foi-se o zen.

Em Trás-os-Montes

Vi o pôr-do-sol

as nuvens

amoras ainda verdes (as maduras comi-as)

e a lua (quase) cheia ainda de dia.
Quanto tempo é que estas fotos me vão chegar?

sexta-feira, setembro 19, 2008

Do outro lado do Atlântico veio a notícia

Chamávamos-lhe tio e no dia de Natal partiu mangas e papaias aos pedaços e nem tivemos de sair da piscina, ele vinha ter connosco e dava-nos o que quiséssemos.
Tinha sempre amor na voz ao telefone e daquilo que tenho mais pena é de não o ter conhecido melhor, falado mais, ouvido, principalmente, mais.
Lembro-me dos abraços que nos dava e lembro-me, acima de tudo, que vinha sempre, sempre ver-nos.
Ércio

quinta-feira, setembro 18, 2008

Balde de figos e balde de uvas com garrafão

Figos com uvas em balde

Manual de Sobrevivência para Trás-os-Montes

Luvas, isso é ponto assente.
Botas de trabalho convém.
Muito creme hidratante, bem como batôn do cieiro. O vento seca e queima like you wouldn't believe it!
Internet, claro.
Tvcabo também não é má ideia. Não, risque-se isso e ponha-se
Livros, muitos.
Roupa quente.
(É claro que eu apanhei cebolas e figos de unhas pintadas, pulseiras e sapatos abertos, mas teria sido melhor estar bem equipada.)
E, principalmente, ponto mais importante da lista,
Uma razão forte para vir embora. Caso contrário, arriscamo-nos a querer ficar lá para sempre.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Estou apaixonada

Fui às cebolas com os pais substitutos. Antes, comi todas as amoras que encontrei na amoreira grande. Muitas ainda estão verdes. Sujei as mãos todas, como convém.
Seja da idade ou da prática, consegui não sujar a t-shirt.
Depois enterrei-me até aos tornozelos na terra solta à volta das cebolas e ao apanhá-las consegui picar-me numa urtiga e fazer uma ferida noutro dedo. Luvas, é o nome da minha cura.
Enchemos a pá frontal da retroescavadora e eu ataquei a amoreira pela última vez.
Voltei para arrumarmos as cebolas, eram 424.
Enquanto ele ia arrumar a máquina, a madrinha picava comida para os pirús e eu disse
"ficava cá para sempre"
e ouvi
"eu queria-te cá para sempre".
Ao almoço tinha dito ao outro lado que ficava cá, podia ajudar na cozinha e nos coelhos e nos porcos e depois ia dar uma mãozinha à vacaria. Riram-se, mas disseram que sim, posso ficar o tempo que quiser.
Amanhã vou à feira ver os farrachicos, não me perguntem o que é que eu também não sei.
E enquanto faço o caminho entre as duas aldeias, na minha cabeça passa o filme de ficar cá ("para sempre", "eu queria-te cá para sempre") e a lua cheia amarela e redonda mete-se comigo, fica se és mulher. Serei?

sexta-feira, setembro 12, 2008

Se provocar inveja nos outros der mau Kharma,

olha!
Eu vou para Trás-os-Montes, second best na lista de refúgios espirituais. (A tua casa, IR(e)MÃ, continua a ser o Nº 1, claro!)
Vou aproveitar o sol de Setembro, ver as vacas a deitar leite na vacaria do meu primo, ver o pôr-do-sol bíblico no campo de milho em frente.
Vou comer fruta da boa e, o melhor dos melhores, vou procurar amoras. E não me venham dizer que já passou a altura e que agora já não há nada, Agosto é que era, porque eu é que passei a infância e adolescência e sim, parte da vida adulta, a apanhar amoras, tantas, tantas, que às vezes fechava os olhos e só via amoras.
E figos, vou comer figos.
Depois vou à Serra Alta e vou ver a vinha que dá para o Douro e de certeza que me vou sentar nas Eiras, a ver o filme dos anos passados.
E vou estar com os primos e os tios e avós e a madrinha e vai ser uma enchente de mimo que vai dar até ao ano seguinte!
E mais: são quase 300km para ouvir o meu CD dos Radiohead todo, os álbuns todos, over and over again.
Há lá melhor?
Bom fim-de-semana!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Júlia Pinheiro ou Oprah?

Vou arranjar as mãos e enquanto espero que o verniz seque, cedo finalmente à voz da Júlia Pinheiro na televisão do cabeleireiro.
O tema não podia ser pior: criança de 17 meses morre sufocada com sopa dada pela ama directamente do pacote.
Dizer que não se percebe que tipo de pessoa faz uma coisa destas é pouco.
Dizer que não posso sequer começar a perceber a mágoa destes pais é o mínimo.
Mas a nossa querida Júlia não, parece doutorada em bacoradas. Assim mesmo.
Pois ela ri-se a meio das explicações, diz barbaridade atrás de bacorada, faz com que o tema pareça uma banalidade, um mimo!
A minha preferida:
Júlia: Pois, agora é começar a ultrapassar. (Fácil, fácil, ó Júlia.)
Pai: Ultrapassar nunca se ultrapassa.
Júlia: (riso nervoso) Pois, claro, não era isso que eu queria dizer...
Então o que era, Júlia? Era que não estás treinada para estas coisas? E que se calhar antes de voltares a levar pessoas em tão óbvio e legítimo sofrimento ao teu programa de mau gosto devias se calhar aprender as regras básicas da condição humana, empatia e compaixão?
E se calhar seres menos tia também ajudava, não?
Eu gosto pouco da Oprah por ser tudo tão encenado e estudado, mas ao menos essa já aprendeu a fingir (e bem) que sente a dor das pessoas.
Entre as duas, a escolha é óbvia: Fátima Lopes. Trigueirinha e coloquial, mas ao menos com um coração a sério e coragem para abordar temas difíceis.
Uva, é o nome do verniz.

terça-feira, setembro 09, 2008

A tal da roda

SW - Björk





Durante o concerto de Björk liguei à minha irmã e deixei-a ouvir uma música quase inteira.
Não sei qual foi o espanto, eu sou uma pessoa generosa e não queria ter de estar atenta ao telemóvel, ela que desligasse quando se fartasse.
Lembro-me da sensação de estar noutro mundo, um mundo com regras próprias completamente estranhas ao mundo real, fora daquele recinto.
E lembro-me de andar com essa sensação durante os quatro dias inteiros.
Mas também pode ter sido do álcool, não sei.

Não me lembro dos outros carros,

por isso esta história passa-se no Mercedes 300 azul claro.
Nós éramos seis e viajávamos sempre de carro. Vivendo em Trás-os-Montes, as viagens eram muitas e compridas. Cinco horas até ao Porto, quase sete até Viana, nem quero saber bem quantas até ao Algarve.
As curvas de Mirandela, Murça, Fafe. Ainda fico enjoada só de falar nisso.
A banda sonora habitual nestas viagens vinham das cassetes de fado do meu Pai, excepto quando ele se punha a cantar - fado também, claro, mas às vezes também a chamada música de touradas, na brincadeira.
Como se pode imaginar, eu detestava fado. Sabia que suportava a Amália um bocadinho mais do que os outros e tinha, vá-se lá saber porquê, um afecto especial por fado de Coimbra, sim, aquele que dá imediatamente vontade de cortar os pulsos. (Sempre fui uma drama queen.)
Mas detestava fado.
E um dia, numa viagem não sei muito bem para onde, acho que sozinha com os meus pais, ouvi o "Barco Negro" cantado pela Amália. E apaixonei-me.
E continuo a não gostar de fado a não ser o cantado pela Amália e pela Cristina Branco, claro. Porque o fado é imenso e tão variável como o mar e pode ser cantado de inúmeras maneiras.
Por isso foi duplamente especial para mim quando, em Lagos, a Cristina cantou o "Barco Negro".
Na emoção do pós-concerto, eu e a IR(e)MÃ chegámos a dizer que o espírito da Amália guia a Cristina (e não tínhamos fumado nada).
Na verdade, não sei o que a guia. Só sei dizer ainda bem que a guia.



Live in Athens, 2001

sexta-feira, setembro 05, 2008

Banda sonora perfeita

para um dia como este.

"All is Violent, All is Bright"
God is an Astronaut

quarta-feira, setembro 03, 2008

Vejo fotos do SW III

(E eu prometo que páro com esta série muito em breve, but bear with me.)
E apercebo-me do mar de gente que nos rodeava em todos os momentos.
É um bocadinho assustador (hence the panic attack), mas eu, a partir do momento em que entrei pela primeira vez naquele recinto, juro que não me apercebi.
E vivam as coisas que fazem rir!

Vejo fotos do SW II

E penso: que raio é isto? Eu não vi isto! Ai, será que eles foram para outro concerto e eu não reparei? Realmente, era difícil manter-nos todos no mesmo sítio, deve ter sido isso...
E depois lembro-me.
Dolorosamente.
Foi o concerto que eu perdi.
Porque me esqueci de jantar.
E a certa altura... não, é melhor não dizer nada.
Só que o meu filho preferido se tornou essa noite no meu FQ e ele sabe.
A Mãe depois leva-te a ver os senhores, 'tá bem?

Vejo fotos do SW

E ocorre-me agora que passámos os 4 dias a falar da roda gigante e que depressa que ela andava, aquilo é perigoso, não é, deve ser, dizia eu, mas anda assim tão depressa?, inocente que eu sou, olha para lá, diziam eles, e eu logo, de facto, que raio de coisa, eu é que não andava ali.
E agora fiquei sem saber: andava assim tão depressa?
Acho que nenhum de nós estava em condições de ajuizar.

segunda-feira, setembro 01, 2008

SW - o primeiro dia

Ao chegar tive um ataque de pânico, tantos carros e tanta gente, ela teve um ataque de estupidez, tanto rum com cola e tanto fumo na viagem.
Combina, portanto.
Depois estacionei, mudei de roupa e esqueci-me imediatamente do sítio onde pus o carro. Ideal para quem quer andar meia-hora à procura do veículo nas primeiras horas da manhã, depois de uma boa dose de concertos e cheia de sono, com as tendas por montar.
Melhor começo seria impossível, portanto.

De volta

Acordo e quase visto o biquini antes de me aperceber que estou no Porto.
A perspectiva de contar o mês que passou assusta-me.
Depois abro o blog e lembro-me das saudades que tive.
A conta-gotas, nos próximos dias vou contar o SW, o regresso a Odeceixe, Sagres e as férias em Salema.
Mas não vou contar tudo. ;)

quinta-feira, agosto 07, 2008

Quando tudo corre mal

e não há gás para cozinhar, pede-se ajuda aos cafés e restaurantes da zona.
Depois de um lanche muito agradável (já não ia à Petúlia há quê, 10 anos? Ultimamente parece ser a medida de tudo...)
com amigos de Lisboa (ok, dois dos três são de Coimbra, mas foi lá que os conheci)
e de ir levar o tipo mais pedinchão e rabugento ao metro para ir apanhar o comboio (agora é tarde, tivesses dito antes e talvez ainda houvesse bilhetes),
corri para o Food e encontrei panelas e gente na rua, o restaurante coberto de pó e em obras, e o gás... cortado.
Duas panelas, uma com massa e a outra com a bolonhesa de soja, um café e um restaurante amigos o suficiente para ajudar. Ficou por fazer o arroz doce, claro.
A confusão instala-se um pouco quando vamos dar comida sem termos jantado, parece que ficamos com mais "clientes" e nunca mais é a nossa vez.
Não sei do Sr. Fernando, não fui lá mas disseram-me que não estava no sítio do costume. Deve ter ido de férias.
Não vi o Sr. Manuel, mas vi os Samaritanos que têm café que é cevada.
Fomos para Júlio Dinis porque a comida já era pouca e, de facto, houve queixas.
Felizmente os Samaritanos vinham já atrás de nós.
Foi uma despedida estranha, tudo fora dos eixos. O Food é mesmo assim.
Até Setembro!

quarta-feira, agosto 06, 2008

SW

Eu que nunca gostei dos 4 eixos extra da rosa-dos-ventos, ganhei agora uma nova estima pela direcção SW. E um passe duplo para os quatro dias do festival mais preenchido dos últimos tempos.
Tantos concertos, so little time.
Não vou de comboio, mas se fosse, seria por isto.
"Prefiro ir de comboio até ao Sudoeste TMN 2008 porque no comboio cabem os meus amigos todos, há tempo para conversar e rir, apreciar o país lindo que temos e contribuir para que se mantenha assim, viajando de forma consciente e amiga do ambiente com a CP."
Uma semana depois, Super Bock Surf Fest. A ver vamos se a frase que enviei será vencedora como esta.
Prometo (mais à minha irmã emigrante que aos restantes, porque me obrigou a jurar) reportagem exaustiva com fotografias.
Não prometo (porque me esperam quatro dias de muita farra e nem vou entrar em pormenores para não chocar ninguém) dizer nada de coerente. O normal, portanto.

A poucas horas

da minha última distribuição de Agosto, registo a da semana passada.
Tivemos a companhia dos miúdos espanhóis que passavam férias com a família do restaurante.
Não tiveram muita sorte com o dia, era a última quarta-feira do mês, dia de jantar especial por trás da Câmara Municipal, e por isso tínhamos poucos "clientes".
Ainda assim, pude apresentar-lhes o Sr. Fernando, cujas razões para não ir ter connosco à carrinha fiquei a conhecer.
"Não gosto de me misturar com aquela gente", disse-me.
Eu, que já vou habituada a tudo, encolhi os ombros e pensei 'tá bem.
Voltámos para levar mais um prato a um segundo senhor que dormia ao lado do Sr. Fernando, um que se dizia cunhado dele (não era) e que se queixava de gangrena na perna (não me pareceu, mas eu não sou médica...).
Por esta altura os miúdos deliravam e queriam dar comida a tudo o que mexesse. Perseguimos um sem-abrigo porque eles queriam à viva-força dar-lhe de comer, só desistiram quando ele se foi embora e vimos metade do hamburguer do jantar no chão. Mal empregado.
Vieram connosco ao Carregal e ajudaram a transportar os quatro pratos de comida, copos de sumo e pacotes de bolachas que levávamos pela lógica "dois no Sto. António, dois na Rua da Restauração". Saíram-nos furadas as contas e acabámos por só entregar dois pratos.
Felizmente o Sr. Manuel arranjou umas calças novas, de ganga, que ainda não deve ter tido a oportunidade de rasgar, pelo que não houve nada ao léu para ninguém.
Os miúdos faziam toneladas de perguntas e pediam-me para perguntar em português tudo o que queriam saber. Foi assim que soube do Sr. Fernando e foi assim que soube que o Sr. Manuel perdeu a perna porque o atropelaram.
Falei espanhol que me fartei, aprendi novas palavras (que acho que já esqueci) e percebi que ser babysitter de 5 putos com idades entre os 8 e os 14 anos é dureza. Felizmente o pai levou-os para casa e nós fomos para o Aleixo mais descansados.
No Aleixo, como sempre, estava tudo muito agitado, nervoso. Valeu o "trabalhador", o que fica à coca da bófia e grita uma palavra de aviso quando ela aparece, que nos fez rir a todos.
Continuamos a ser imensos, mas desta vez pude servir pratos.
Eu gosto de servir pratos.

terça-feira, agosto 05, 2008

Sempre gostei de provérbios

E agora invento-os.
"Quem não me merece não me pode ter."
Empresto de mantra a quem quiser, sirvam-se.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Dez anos volvidos

voltei a Paredes de Coura.
Por todo o lado via o outro, o de '98 com a Mana, lembrei coisas que nem sabia que ainda cá tinha, o telemóvel emprestado ao irmão da amiga encontrado por acaso, a mesma amiga que agora voltou a estar perto, a mãe cibernética que conhecemos em carne e osso na última noite, o palco ao fundo da descida.
Pensei em quanto teria custado o bilhete e quem o terá pago. O deste ano foi grátis e tenho a certeza que foi a irmã que pagou o de há 10 anos.
Lembrei-me, infelizmente, da estrada que nos leva até ao mais bonito festival deste país, as árvores, o sol ainda a aquecer e nós deitadas no tapete de relva artificial (há 10 anos não havia nada disto), planos para levar uma placa com nome sueco da estrada como recordação na volta e as mesmas good vibes de '98 no ar.
Cumpri algumas tradições: finos, fumantes, cachorro quando a fome apertou. (Não tinha valium, lamento.)
No regresso, mais do que planeado e recordado com carinho, a filha-companheira-de-festivais-ganha-bilhetes-para-tudo dormia a sono solto enquanto eu ouvia a PJ aos berros, Dry como há 10 anos, mas desta vez era eu que conduzia com os vidros abertos e o cigarro na mão.
Levei-a comigo no coração e ela esteve sempre lá. (Estava um frio do caraças, não estava?)

sexta-feira, agosto 01, 2008

No Gchat com a IR(e)MÃ

Falamos de uma amiga dela
eu
: ai, balha-me sto ambrósio
mas ela tem assim tanta necessidade de um homem
ela
: ela anda entusiasmadíssima
eu: que tem de ficar com um traste em part-time?

quinta-feira, julho 31, 2008

Amália

Ao almoço

falo com o meu Pai sobre vinhos. Tintos e brancos, verdes e maduros.
Alentejanos, do Douro, Dão, do Minho.
Falamos do meu favorito, o Verde.
Depois ele explica-me o que se faz para a videira ser mais forte e eu confesso que me perco no meio do enxerto americano, as castas, os sulfatos e coisas com nomes que agora não me lembro.
De repente fala do Míldio e de como a videira americana é resistente ao... Míldio.
E de como é uma doença bastante difícil de controlar.
O quê? O Míldio!
E eu contenho-me e fumo mais um bocadinho e bebo café e concentro-me no que ele diz para não me partir a rir.
Porque se ele diz Míldio mais uma vez, eu começo a rir e só páro quando conseguir dizer
"Oh Mãe, tu às vezes parece que és estúpida!"
Mais: 1, 2 e 3.

quarta-feira, julho 30, 2008

Havemos de ir a Viana

Se o meu sangue não me engana
E o céu o mar prolongava
Ai, que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
Misto de ventura, saudade, ternura e talvez de amor
Em menos de 10 anos (ainda ia à praia do Paçô aos 18?), muita coisa mudou.
O areal de Carreço quase desapareceu, o Cabedelo está irreconhecível. Aquecimento global, sim.
Na nossa praia favorita de tantos Verões já não há quem apanhe o sargaço e por isso entrar na água é uma aventura de luta pela vida com laivos de ficção-científica.
Consegui, ainda assim. Soube tão bem.
E ficar na areia até às 19h30, conversa animada com a prima-irmã, gelados depois do banho, café ao chegar à praia, café em casa com a Titi, almoço delicioso com as duas e sentir que ainda é tudo igual, tenho 8, 10 anos, 13, 14, 15 e aquela casa é o maior refúgio da minha vida.
E não, não somos mulheres de relações para toda a vida.
Como diria o meu querido Mário, vamos almoçando.

terça-feira, julho 29, 2008

O meu País

No meu país as igrejas são caiadas e têm torres altas e muitas luzes a delineá-las como no Minho.
Por dentro têm tectos pintados de cores garridas e as procissões são sob o sol que escalda os andores e as pétalas de flores macias que apanhamos no jardim.
As festas são um misto de comida e salada de tomate e família junta com a excitação típica da música e de estar com os amigos.
As praias do meu país têm areais lindos e dunas fustigadas do vento, onde nos escondemos para sermos espiões ou para taparmos o topless delas, e o mar é bravo e frio.
No meu país leva-se melancia para comer de manhã, pão com manteiga para o lanche na praia, às vezes tulicreme.
No meu país ainda há Fizz de limão, verde por fora e branco de leite por dentro, às vezes sumol de ananás quando o que se tem é sede.
No Inverno há sempre um lume aceso nas cozinhas do meu país e lancham-se torradas com leite acabado de ferver, tira a nata, provam-se as primeiras alheiras e ah rapazes, que frio hace na nossa tierra.
No meu país os campos estão divididos com muros de pedras empilhadas e há hortas ao pé de milheirais, vinhas com as melhores figueiras, pomares a perder de vista, pastos para as vacas e terras de batatas para muitas horas de trabalho.
No meu país há tantas amoras silvestres e de amoreiras que me perco e pertencem-me todas como nada nem ninguém.
No meu país há castanhas e o Outono existe, com magustos e vontade de ver chegar o frio.
No meu país cantam-se as Janeiras às portas das casas e as rabanadas são mesmo só no Natal.
No meu país há Viana e o fogo e as pipocas na varanda e o café do Zé Natário e a Praça da República e o manequim à janela e a feira do livro ao pé do rio.
Há o planalto e as vinhas e a terra quente e seca e solta e as hortas frescas e a fruta roubada das árvores e as ameixas que parecem de mel.
E há todas as praias lindas, grandes e pequenas, e bicicletas para andar nas férias e um Verão que não acaba e é meu.

segunda-feira, julho 28, 2008

Charlotte Gainsbourg

Revival

The Cure, Just Like Heaven, a tocar no carro enquanto percorro Costa Cabral.
As memórias são tão fortes que quase consigo ver-nos, a mim e à S. na paragem do autocarro, no café, na rua toda, a falar, a rir.
Metade da nossa vida e só mudou a rua.

quarta-feira, julho 23, 2008

Aos 28

festejei como nunca.
Comecei na terça, ainda antes da data, noite da famosa piada sobre morrer aos 27 e no sábado ainda duravam os festejos.
Resumidamente, muitos festejos e muita música.
Marés Vivas com grandes concertos de Peter Murphy, Da Weasel e Prodigy, grandes, grandes Prodigy.
Pelo meio, visitas de Lisboa (já eras menos chato, já), conversas infindáveis com a amiga das conversas infindáveis (ou conversas de cozinha, aliás) e muita vida social.
Em Dezembro tinha a impressão contrária, mas agora acho que os 28 vão ser bons, muito bons.

Ontem


Kings of Convenience - I'd rather dance with you

Fantásticos, divertidos, encantadores, adoráveis.
Fiquei a gostar ainda mais deles.
Deixo ainda um obrigada sentido a quem não foi e me permitiu usar o bilhete grátis. ;)

Dizem-me

"olha, estou sem paciência
quero ser cortejada
e q andem atrás de mim
e que queiram ir ao cinema e jantar fora e que me levem a ver coisas e sítios q eu nunca vi
estou farta de andar atrás deles
e de me contentar com as migalhas q eles se lembram de nos dar
e até que apareça alguém que me mereça, morri para os homens"

Estarei no enterro dela.

quinta-feira, julho 17, 2008

Que saudades do liceu

e da paixão do 8º ano
e dos Cure
e da Revolution dos Beatles
e da vespinha cor-de-rosa dele
e das 7up's que bebíamos alapadas nas mesas do polivalente
mas principalmente
dos Cure

A minha sorte

é às quartas não haver operações stop.
Acordei cedo no meu dia de anos para ir ao Banco Alimentar.
Ao menos não ia sozinha, o que foi óptimo porque nos despachámos num instante.
A maior dificuldade do meu dia foi conciliar jantar de aniversário em casa com jantar de aniversário no Food, mas até isso se resolveu.
Não fiz nenhum dos meus dois bolos. Eram os dois óptimos!
À tarde estive na praia, soneca de barriga para cima, soneca de barriga para baixo. Que vidaço!
Um banho com água menos gelada que a de Carcavelos no domingo, as algas todas a boiar à minha volta.
Praia sozinha é para repetir.
Voltei salgada e feliz, jantei com a família. Bolo de laranja e noz com um 28 redondinho para apagar.
A meio, fui avisada pela filha/cozinheira-chefe que o meu bolo seria comido às 21h. Fui.
Quando entrei, tive pena de não ter jantado com eles. Estava lá o poço-fundo, puseram as mesas juntas e parecia mesmo um jantar de anos num qualquer restaurante.
Cantaram-me os parabéns assim que entrei (fico sempre sem saber o que fazer: canto também? sorrio e espero que acabem? bato palmas com eles?) e só depois trouxeram o bolo: bolachas mergulhadas em cevada com leite condensado, natas e ananás aos cubinhos por cima.
Cantaram-me os parabéns outra vez, pela quarta ou quinta vez nesse dia.
Pedi um desejo e mordi a vela.
Deram-me a escolher conduzir a carrinha, mas não me apeteceu.
Pouco havia para fazer, éramos tantos.
O Sr. Fernando estava a jogar dominó com um amigo, voltámos atrás para levar mais um prato.
Fui apresentar o Sr. Manuel a uma novata e uma que voltou agora depois de uns meses, estava sozinho mas o segundo prato não se desperdiçou: demos ao Sr. António.
Eu, por causa das coisas e porque já sei do que a casa gasta, cheguei-me à cabeceira dos "aposentos" do Sr. Manuel e falei com ele sempre a olhá-lo nos olhos. Ainda o vi levantar as calças, mesmo antes de se queixar delas, mas felizmente o meu ângulo de visão não me permitiu ver mais nada do Sr. Manuel.
Não posso dizer o mesmo das minhas colegas de viagem.
Fomos ao Aleixo, cujas torres vão abaixo em breve, segundo as notícias, já só havia iogurtes líquidos.
Ouvi a história de um ex-militar, ex porque esteve preso sete anos, esteve preso porque se meteu por caminhos duvidosos, tráfico e consumo. Mostrou-nos as fotografias da filha de 9 anos, os genes todos à mostra.
Depois regressámos pela marginal (o Porto é tão bonito), e quando tudo estava lavado, arrumado e limpo, Piolho.
Um brinde aos meus anos, um isqueiro suplente, duas bebidas oferecidas. E o fumo, o fumo.
Podia dizer que cheguei a casa muito Zen, mas acho que seria the understatement of the year.

quarta-feira, julho 16, 2008

Sobrevivi

e estou tão feliz por ser o meu dia de anos que não sei o que fazer a este sorriso parvo.
Vou morená-lo para a praia!
(Dêem-me os Parabéns, vá.)

Morrer aos 27

Depois de duas horas a ouvir que já não ia morrer como os grandes, eis que a filha se lembra que dado que não era meia-noite, ainda me podia dar uma coisinha má e lá ia desta para melhor.
Para a sala do Kurt Cobain, provavelmente.
Confesso que cheguei a recear pela minha vida, mas ela assegurou-me que seria incapaz de me matar. Física e psicologicamente. Aliás, ela não é violenta.
Depois do jantar, fumo no terraço.
Quando faltavam 10min para a meia-noite, e porque a minha prenda não foi só um vestido giríssimo, disse-lhe para se calar com aquilo que ainda me caía um piano em cima. Como nos desenhos animados.
A partir daí ela começou a imaginar maneiras de eu morrer nos 10min seguintes ali no terraço.
A saber:
1. terramoto que me engolia (esta fui eu)
2. bala perdida (curva, como no filme da Angelina - e depois ela ficava como a Angelina, etc, etc)
3. o meu irmão fartava-se de nos ouvir às gargalhadas, abria a janela para nos mandar calar, batia-me com a portada, eu caía para trás e partia o pescoço (a mais elaborada, note-se).
E outras variações do mesmo tema.
Primeiro foi atacada por peso na consciência, ai, se tu morresses agora eu suicidava-me, ficava traumatizada. Rapidamente passou ao "olha, não te queres suicidar? era mais fácil".
Quando finalmente chegou a meia-noite, logo a seguir aos Parabéns, "Toma Kurt, já não ficas com ela!"
E para mim: "não te preocupes, ficas com o Manoel de Oliveira".
Melhor desejo de felicidades que se pode ter!

terça-feira, julho 15, 2008

Hino

Na Bica, às 10h da manhã de Domingo



A perspectiva? Deitada no corrimão da calçada com o telefone virado para trás, como se o céu fosse o chão - a minha fantasia favorita.
A hora? Não perguntem, foi uma noite dura.
Gosto tanto de Lisboa...

segunda-feira, julho 14, 2008

A Superbock dá-me os Parabéns

quatro dias antes da data.
"parabéns a você
onde quer que estejas
muitas felicidades
e grades de cerveja"
Tá bem.

quinta-feira, julho 10, 2008

Só porque gosto de coincidências

No dia 9 de Julho cumpri a 9ª semana de Food for Life.
Bonito.

Ainda ainda sobre ontem

O concerto foi no Armazém do Chá, aquele que visitei há umas semanas e onde bati com a perna numa mesa baixa que me deixou marca até hoje, juro que ainda se nota, e era exactamente disso que eu ia a falar quando entrámos.
Subimos ao primeiro andar e eu não vi as tais mesas em lado nenhum, pensei, Olha, tiraram o raio das mesas, puseram outras. Mas espera, eles abriram há umas semanas, não devem ter mudado já a mobília, que estranho...
E enquanto penso isto, olho para o lado e vejo os sofás.
Pretos, com armação metálica branca.
Bati num sofá, não numa mesa.
Caso para dizer: não vem mais vinho para esta mesa.

Ontem ainda

e depois de piolharmos,
fomos a um concerto da melhor música de festa que há.
Super divertidos, fizeram-nos dançar e saltar e rir e foi o concerto mais interactivo a que já fui.
Depois lembrei-me de uma noção que eu tinha quando era pequena, mas isso fica para outro post.
Nema Problema, aconselho.
E quem dança assim, não precisa de ginásio.

Não ia dizer isto porque depois é mais difícil,

mas como não me consigo conter e falo que me desunho,
digo só que me apetece comer todas as coisas doces do mundo,
deve por isso que se engorda...
Will power! E fruta, muita fruta.

Ontem alterei a rotina

Não conduzi a carrinha - era a vez do outro condutor.
Foi um alívio, de certa forma. Era uma simples passageira.
Além de que assim podia criticar a condução dele e picar-me com quem dizia que ele conduzia melhor. Galinhada geral.
Claro que fui levar o jantar ao Sr. Fernando, como todas as quartas.
Há já umas semanas que deixámos de levar comida ao outro senhor que dorme ao lado da estação, desde que o encontrámos acordado e a resmungar connosco, que nunca comia, que nos fôssemos embora, não, não queria comer, nem a sobremesa!
Não seja por isso, mais fica.
Desta vez fiquei na roupa, a ajudar a nossa feirante profissional, a Maria Ivete.
Nunca mais, aquilo é uma selvajaria! Credo, cruzes, canhoto, que confusão.
No Carregal continuei a tarefa, foi mais calminho. Se calhar isto é como tudo...
Depois fui atrás da cozinheira-chefe e uma ajudante para levar comida aos senhores que dormem num canto da entrada do Hospital de Sto. António. Antes não tivesse ido.
Ah e tal, Sr. Manuel, como está, gosta de arroz doce? Só gosto de mulheres bonitas!
Acorda o companheiro, Olha aqui três mulheres bonitas!
Nós rimo-nos e continuámos a conversar, precisa de alguma coisa, roupa?
Sim, menina, preciso de umas calças.
O Sr. Manuel, que só tem a perna esquerda, nesse momento mostra-nos o estado das calças e de facto aquilo está tudo rasgado, precisa de outras, mas ele continua a levantar as calças, Olhe para isto, e é assim que eu fico a conhecer a realidade do Sr. Manuel: um coto em vez da perna direita e uma pila bem arejadinha ao lado.
Toma lá!
Estou traumatizada até ao fim dos meus dias.
Ou não, que há dois anos fui a tantas praias de naturistas (a nova palavra para o velho nudismo) e vi tanta pilinha de velhinho que isto agora é só mais uma.
Ui, o meu cérebro acabou de fazer uma comparação visual dessas com a de ontem... Desculpem, vou ali vomitar o almoço, já venho.

quarta-feira, julho 09, 2008

Cinema ontem

Angelina Jolie: boa, boa. Como sempre, 'tá nada magra demais.
Plot: fraquinho.
FX: great!
Carros: altamente.
Verosimilhança: zero.
Analogia: ah e tal, um Corvette vermelhinho. Alto carrão. Se desse umas voltas nele e ficasse completamente babada como seria de esperar, também ia ouvir que isto não é the real thing e melhor seria concentrar-me em procurar o carro verdadeiro?
Bullshit. Perdoem a brutalidade. Tretas!

sexta-feira, julho 04, 2008

Ou ainda

os quase 27000Km que o bicho já tem.
Fiel e leal, como um cão.

O meu carro fez um ano

no fim-de-semana.
A Cristina Branco cantou-lhe os parabéns, ela que foi provavelmente a primeira a cantar lá dentro.
Não sei o que é mais inacreditável: o já ter passado um ano, 12 meses, 52 semanas, e por aí fora,
os riscos e arranhões que o carro já tem
ou o lembrar-me ainda muito bem de quando ele estava impecável e imaculado e toda a gente me dizer que só custa o primeiro, depois os riscos tornam-se normais, e eu incrédula.
Seja o que for,
Parabéns!

Ticket to Ride

Ainda não eram 9h da manhã e eu já estava na carrinha a caminho do Banco Alimentar, na quarta-feira passada.
No rádio, Ticket to Ride dos fab four.
Sou eu, que no dia anterior tinha deixado a cidade de quase 8 anos?
Às vezes é preciso deixar as coisas para percebermos o que queremos?
Passaram 8 meses do fim de quase 8 anos. Quando saí, mexi em memórias e emoções arrecadadas há muito tempo, há mais de 8 meses de certeza.
Fez-me bem.
No dia anterior deu-me para os feminilinilinismos e quase não aguentei as lágrimas.
Depois uma amiga das boas levou-me a um concerto de alunos de gaitas-de-fole, jantámos no Bairro e a vida voltou ao normal.
Lições a reter: levar caixotes é essencial, para a próxima vai a carrinha cheia deles.
Pedir pão e cenouras e azeite. Com jeitinho, vai.
Ah, mais uma: welcome.

A IR(e)MÃ mais velha

ou a que nasceu antes
também o diz muito bem.

«...é voltar ao país e ser tratada com a superioridade paternalista que se reserva aos "imigras", mas borrifarmo-nos para isso porque fazemos parte da irmandade mais sobrenaturalmente divertida do planeta & temos férias marcadas num ilhéu que já provou ser capaz de nos receber muito bem. São espetadas da mais tenra carne e fritos de milho até fartar, mergulhos nocturnos na piscina ou no mar (para os mais afoitos), encomendas de resmas de livros na biblioteca da Gulbenkian local, passeios de "bike" e conversas estapafúrdias. É tentar evitar que o progenitor asse só de um lado ("Pai, vira-te!"), discutir acaloradamente qual a piada mais cómica dos Gato Fedorento e pegarmo-nos à batatada pelo uso prolongado do chuveiro, antes de nos "encremarmos" generosamente uns aos outros para amenizar o fogo dos escaldões ("Como te puseste"!).

Razão tinha o Ruy Belo: o Verão é mesmo "a única estação".»

O Ruy Belo é o poeta do meu dia. It figures.

Do Verão

Hoje chove no Porto, mas continua a ser Verão.
Como no ano passado, mas
principalmente,
como o diz (e tão bem)
o meu irmão.

quinta-feira, julho 03, 2008

na fila de trânsito

no semáforo vermelho
o condutor do carro ao lado
usa um folheto dobrado
para atirar do vidro
um passarinho morto
que cai na estrada
o semáforo fica verde
e a fila avança

quarta-feira, julho 02, 2008

Tartaruga

Ontem trouxe a casa às costas.