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quarta-feira, abril 13, 2022

O nosso lema

(Tão bonito ela dizer o "nosso", continuo a achar incrível que não confundam as pessoas e os problemas e as manias, os hábitos, as dinâmicas e estratégias...)

A vida é para ser vivida, não é para ser mostrada.

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

The pink coloured glasses

Hoje foi o meu último dia. Correcção, o meu último-último dia, que já não é a primeira vez, tanto é que um colega de quem gosto muito me mandou um email quando soube, “you did it again??”. Fez-me rir, como sempre. 
O último-último dia foi estranho. Por um lado, a bizarraria de ter preparado tudo com antecedência, tanta que deu para rever, mudar, editar, aperfeiçoar. Tanta que hoje só tinha quatro coisas para fazer e uma delas era entregar o material. 
Deixei o chefe, que já foi chefinho e a luz dos meus olhos profissionais e agora é só o chefe com quem tenho uma história longa e com quem consegui esclarecer as coisas e partir de boa relação, com tudo arrumado, até ele ficou parvo com os metros cúbicos de espaço que tem agora no novo sítio. Só não consigo ser tão rápida e decisiva em casa, mas isso são outros trabalhos. Não é difícil arrumar quando 85% vai para destruir. 
Bela palavra, destruir. Estes dois dias andei no escritório com lentes cor de rosa nos óculos que não uso, passei em partes do edifício que me deixaram nostálgica e soube que ia ter saudades (mainly das pessoas), mas também veio o medo. É a última vez. Da primeira não sabia que ia querer voltar (raio de antro onde me fui enfiar, aprendi finalmente a lição), mas desta sei que não posso - e não quero. Desta vez saio porque já não podia mais e, apesar disso, saio sem amargo de boca. Porque já o resolvi (acho). 
Saio porque vou para outro sítio onde senti o que se deve sentir, isto é bom, a nova chefe lembra-me a minha primeira cá, é um ano mas pode ser mais. E depois de um ano, é mais fácil mudar de vida ou não. Logo se verá. 
Medo de fechar a porta, medo de me arrepender, saí a pensar se teria mesmo feito tudo, se teria mesmo deixado tudo. Medo de ter destruído algo que não volto a recuperar. 
Normal. Ainda digo “no meu trabalho”, mas foi só há umas horas. Isto entretanto passa. “Andou estúpido, mas depois passou-lhe.”

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Medos

Ainda tenho medo de ser feliz. Muitas coisas boas ao mesmo tempo e só penso que me vai acontecer alguma desgraça, para "temperar". 
Na quinta escrevi um post sobre fazer um mês desde que conheci o Andy e não fui capaz de o publicar antes de chegar a casa dele, não fossem os festejos azedar. (Ainda não o publiquei. Update: agora já, na data do dia.)
Tenho medo de deixar de gostar dele, de fingir que gosto dele só para não perder o que temos, mas é tudo infundado: cada dia gosto mais dele e cada dia vejo mais e mais compatibilidade entre nós.
Deve ser mal de família, porque a minha irmã P. tem o mesmo medo de ser feliz.

quinta-feira, janeiro 06, 2022

Trabalho de casa

Quase como se tivesse voltado à escola, mas desta vez com prazer e com vontade - e sem notas ou exames finais. 
Tarefas, trabalho de casa e da casa, trabalhar para ter um espaço limpo e arejado. Sim, os dois, isto são tudo segundos sentidos e meias palavras que no entanto dizem tudo. 
Coisas que me fazem bem:
- Fazer listas
- Escrever 
- Fazer o(s) trabalho(s) de(a) casa
- Novos projectos fora de casa e fora de mim (ou repetidos, em paixão que ganha não se mexe) 
- Muito mais fútil e superficial, mas apps novas onde dá gosto fazer check, isto já fiz! 


sábado, janeiro 01, 2022

2022

Na esperança de que não seja 2020-2, e de que não seja um ano desenhado à linha pelo Bruce Mau (embora eu goste muito de linhas), faço deste post o meu regresso (à vida, ao amor, a este blog). 

Gratidão todos os dias, como mexer-me, tratar de mim, beber água e respirar. Gratidão é a palavra de 2022. 

(Já nao faço isto há tanto tempo que quase escrevi “beijinhos, tudo de bom!” - como a pessoa s’a põe!) 

quarta-feira, abril 15, 2015

Ainda sonho

Duas horas de sono, apenas duas horas de sono, e eis que se ouve a claquete e "Acção", que isto hoje vai ser a abrir. Sonho com casas estranhas que conheço de outros sonhos, um sistema estranhíssimo de acesso em que ou não há chave ou há demasiadas, há sempre gente zangada e eu já não sei se a sensação é de medo dos ladrões que possam entrar (outra recorrência) ou medo dos hóspedes, eles eram hóspedes ou inquilinos?, pelo ar da minha mãe de aqui-mando-eu-e-bico-calado, má como as cobras, zangada e aos gritos, acho que eram hóspedes, que aquilo tresandava tudo a pensão, os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles.
Vou dizer isto outra vez: os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles. No meio do castanho todo daquela casa horrível (detesto mesmo o castanho, irra), uma porra de um jogo que está sempre ligado na tomada a carregar, mas carrega o vídeo em si, a caixa de DVD, não sei porque é que este pormenor me salta ao espírito, mas foi uma imagem que vi várias vezes naquelas duas horas, aquilo sempre ligado, mas porquê?, e é aí que entra o meu irmão, completamente alheado de tudo e todos, quero lá saber dos hóspedes/ladrões zangados, a mãe está aos berros? e-eu-com-isso?, e eu só tenho ganas de lhe dar três pares de estalos mas não posso, quando acordo o único adjectivo que me ocorre é "incompetente", mas não tem nada a ver com quem o meu irmão é, mas sim (ai o caraças que isto calhava mesmo bem para me fugir a boca para a verdade mas a bem dizer não posso porque enfim e também porque parece mal e além disso é capaz de se chatear comigo por isso não mas que vontade não me falta isso não) com como o meu irmão está. Já sei que isto é agramatical, mas é um sonho, portanto ao lado da falta de lógica pode vir a falta de gramática, não vem daí mal ao mundo. Também havia cães raivosos, cães castanhos e pretos, num estilo de cão-de-fila açoreano e, ó, já chegavam os cães, tinham de ainda por cima ser açoreanos?, mas se calhar é só porque pareciam pitbulls ou porque os tais são feios, porcos e maus.
E foi isto. Duas horas disto. Sei que acordei a meio tipo vira o disco, Joana Alice, mas não houve volta a dar, literalmente, as cenas repetiam-se com algumas alteracões e extensões, mas era o mesmo sonho.
A fúria sai-me pelos sonhos limpinha, limpinha. Mete-me medo e acorda-me e sei bem que isto é prova do stress das últimas semanas, mas há um lado de mim que adora esta capacidade, resolvo as merdas em sonhos e pronto, vejo-me reflectida neste espelho da verdade, espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais dramática do que eu?, arejo as ideias e se calhar fico preparada para enfrentar as coisas. Ou então não...

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Ainda da percepção

Ando a olhar para o lado a achar que estou a olhar para cima, quando de facto devia estar a olhar para baixo, olhando em frente. Ver o que interessa era giro, não era?
Outra gira: ser eu, como sou. Dizem que sou uma gaja fixe, vejam-me só! As coisas que uma pessoa descobre num só dia muito bizarro.
Rinse, repeat.
P.S. Chorar num chantier só vale se a amiga for das boas, senão é esquecer.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Da percepção das coisas

Domingo à noite fui à festa de anos da minha colega do italiano (ando a aprender italiano há um ano, ainda não tinha contado?) que vive numa zona posh aqui do burgo e tinha a casa cheia de gente que vive noutra das zonas bem da cidadezinha. Eu, felicíssima com o meu quartier working class, portugueses aos gritos por todos os lados e africanos a cada esquina, comecei a recear a reacção das pessoas ao perguntarem-me onde moro, que, for the record, é sempre a mesma, "ah, e não é perigoso?", porque claramente nunca foram ao Intendente em Lisboa às duas da tarde de um dia de semana.
Ontem, ao entrar no meu indiano favorito para um take away muito bem coordenado a partir do autocarro que me levou do trabalho a casa já depois das oito e meia da noite, dou de caras com uma das amigas da minha colega, mais uma que mora na tal zona bem, que ficou muito espantada por me ver ali, ao que lhe expliquei que moro praticamente ao lado. "Oh, you're so lucky! This area is great!".
Tell me about it, pessoa que tem de vir lá da zona bem para a minha zona working-class-portugueses-e-africanos-e-insegurança-pública-ai-que-medo para comer num restaurante bom.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

4

Quatro semanas sem fumar, feitas hoje. (Diz que é sempre às quintas.)
Lembrei-me de manhã no banho, porque ando a pensar fazer um bolo de chocolate para a malta do trabalho quando fizer um mês (quatro semanas não são um mês) - chama-se a isto substituição de vícios, mas só porque não me deixam trazer gin tónicos para o trabalho.
Porque raio estava eu a pensar em bolos de chocolate no banho? - porque o meu cérebro aborrece-se muito desde há quatro semanas a esta parte.

domingo, dezembro 15, 2013

Get more drunk

Sim, I'm drunk, senão não punha isto:

e também não dizia que é por causa disto: http://www.youtube.com/watch?v=h7pnGxiYelw
e por outras coisas (que agora não interessam, que é como dizer none of your business), mas que é um bom objectivo de vida, é. Get more drunk. You'll have more fun.
And home is where the piggy is.

quinta-feira, outubro 17, 2013

In other news

Agora tenho um só meu. Ainda nos estamos a conhecer e não temos a confiança que me vai permitir ficar em cima dele o tempo que eu quiser, etc., etc., mas lá chegaremos.
Mortinha por dormir em cima de ti sabendo que não me acordas.

quarta-feira, março 13, 2013

Relentless Bruce

Uma pessoa está no trabalho, descansadinha da vida, a verificar a conta pessoal de email, e recebe, como quase todos os dias, aqueles updates de perfis por email e fica com a sensação de ter levado um murro no estômago assim logo de manhã, sem apelo nem agravo, que é para não se armar em esperta e deixar-se de "ai, está sol, que dia fantástico".

Por outro lado, depois do choque inicial, a pessoa percebe que os anos passam por uma razão muito boa e as novidades ou piquenos reminders são apenas isso, piquenos. Sem intuito pejorativo. A caravana continua.

Update: diz que afinal isto é mais complicado, a trama adensa-se. E como! Vontadinha de dizer: Xô, que está o dia bô! Tu deslarga-me!

sexta-feira, julho 06, 2012

Technicolor

Andei muitos anos desta vida a pensar que era assim uma espécie de Verão em forma de gente, nascidinha que fui a 16 de Julho, com tudo o que isso tem de bom: a praia, melancia nas noites quentes, amoras por todo o lado, o mar, mais praia e, claro, o mar. Desenganei-me há dias: sou cool winter quase padrão (vá, ia agora desiludir o mundo inteiro e ser certinha numa coisa que fosse?). Eu cool sempre soube que era, mas winter parece-me uma aberração. "Ai não posso usar bege nem tons pastéis? Olha a minha cara de preocupada, nunca gostei dessas cores." De modos que se fez luz.
Na semana passada ataquei os saldos: duas lojas só, mas um ataque muito frutífero. Concluí que a malta daqueles programas de make-over de looks e armários (só a mim ninguém me pega!) tem uma tarefa dolorosa pela frente. Isto de pensar em cores enquanto se veste e despe roupa é demais para a minha capacidade de interesse por moda. Desliguei o turbo e experimentei só - até porque ando a ler um livro sobre as decisões que tomamos instantaneamente numa parte não acessível e instintiva do nosso cérebro e, posso já dizer-vos, não é grande ideia pensar demais sobre coisas menores - e plim! Para quê saber porque é que fica bem ou porque é que fica mal? Fica bem: Io prendo! Fica mal: deixa lá isso.
A acrescentar a esta experiência riveting with interest, o meu novo mantra:
Anda sempre arranjadinha, porque nunca sabes quando tens de ir a uma conferência representar a tua chefe e não vais querer ser apanhada de calças de ganga na mão.

domingo, julho 03, 2011

Damn it

Há razões para tudo e esta é tão boa como outra qualquer. É melhor, in fact. A melhor. Numa lista sucinta, Roma e Legs. Mas Legs primeiro.

Heal us wherever we are, Our Lady of Dorset. Always.

sábado, março 19, 2011

Farta de gente parva

Cheguei à conclusão de que já não tenho pachorra para gente parva. Nem para "amigos" de segunda categoria. Lamento, para isso já dei. A quem lhe servir a carapuça, bom proveito.

quarta-feira, março 16, 2011

Caros*,

Atingi a maioridade dos blogs. Que não é, como se julga, ser lido por milhares, publicar livros, arrotar postas de pescada em tudo o que é meio e formato e ir à televisão: atingir a maioridade dos blogs é propormo-nos a um objectivo e chegarmos lá.
Case in point: hoje percebi que nem eu percebo certas coisas que escrevi, ou porque na altura faziam muito sentido e não me lembrei que consigo ser hermética demais até para mim própria ou então tinha fumado umas cenas e já se sabe que nunca sai nada de jeito nessas condições. E tenho dito.

*Que é o que eu chamo à malta do trabalho nos emails colectivos, porque se me desse para lhes chamar o que penso, a seguir tinha de me levantar e desatar à estalada a todos, que uma pessoa quando abre uma comporta, abre-as todas.

terça-feira, março 15, 2011

É tudo muito lindo

Ir a casa de uma amiga, beber vinho que até tinha bolhinhas, tirar fotografias e falar até às tantas, mas ontem era segunda-feira e hoje estou, para além de morta, com tremores.
It's gonna be a beautiful day! (Not!)

terça-feira, janeiro 18, 2011

Desarrumar para salvar a vida

Caríssimos, fiz a descoberta da minha vida. Sentada na sanita do trabalho (peço desculpa a quem possa chocar, já avisei que entrei na meia idade, agora falo destas coisas), um pensamento levou a outro e veio-me à memória o estado da minha gaveta da roupa interior (maioritariamente cuecas e meias, mas é provável que haja para lá coisas mais escabrosas), agora imaculadamente arrumada, graças a uma combinação esmerada de um longo período de caos profundamente disfuncional (eu tentei durante 4 meses e picos e não funcionava), necessidade de usar o quarto para umas coisas que agora não vêm ao caso, mas que incluem um inglês, umas caixas pretas do Ikea et voilá!, agora a minha gaveta da roupa interior vem-me à cabeça quando estou na casa-de-banho. Tudo porque é um misto. Não literal, isso era antes da arrumação, mas figurado. Muito figurado. Olho todas as manhãs para aquela gaveta e, contente que estou por tê-la arrumado, sinto-me em vertiginoso declínio. Não pelo abandono de uma vida inteira de desarrumação crónica, embora um bocadinho, sim, mas porque o raio da gaveta me faz sentir exactamente o mesmo que sentia quando passava na barragem de Bemposta e as comportas estavam abertas - a atracção da queda. Certa de que a arrumação não durará para sempre, fico feliz - se continuar arrumada muito tempo, dou em obsessiva-compulsiva.
A ansiedade que a porra da gaveta me traz não compensa uma vida a saber onde estão as minhas cuecas de cetim com padrão de leopardo e rendas cor-de-rosa. (Tê-las também não, aposto.)