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sexta-feira, junho 18, 2010

"Lisboa adormeceu,

Já se acenderam
Mil velas nos altares das colinas"

Imagino Lisboa a dormir, repousada, durante toda a noite e parte da manhã, enquanto as multidões dançavam, bebiam e cantavam. Lisboa já não deve ter pachorra para os humanos com as suas cervejinhas e as musiquinhas e os copinhos de plástico todos no chão. Dorme descansada, alheia a tudo, e quando acorda, a indiferença é total.

Chama o sol incandescente, aquece as ruas na luz amarela e diz ao rio que brilhe. E a sensação é, ao mesmo tempo, de encantamento e de humildade. (Nós ali todos ao pé de uma igreja e sem saber do terramoto...)

quinta-feira, junho 17, 2010

O Santo António acabou no São José

Estava eu toda enlevada com a cidade que adoro, aquele sol amarelo que aquece as calçadas (pergunto-me quantos anos terão aquelas calçadas e ruas?) onde provavelmente já tanta gente andou, inspirada pela mesma luz, se calhar não às 7h da manhã de um domingo, mas dizia eu que estava toda enlevada, a certa altura até estava algo comovida, cidade tão linda e tão gaja, pá, linda, inacessível, linda, apaixonante, linda, quando a T. decidiu voar sobre a dita calçada (linda, linda, linda) e toma lá um cotovelo deslocado. E agora onde é que eu escrevo sobre a luz amarela, as parede brancas, a magia daquele sol, o murmúrio das paredes daquelas casas, o prateado do rio que nos olha?

Para que não digam que gosto mais de Lisboa do que do Porto, passo a explicar. Gosto do Porto como de uma coisa que se tem. O Porto é meu, pertence-me de certa forma e é lindo. De Lisboa gosto de maneira diferente - não é minha, não a atinjo, não me pertence. Não é mais nem menos, é diferente.

quarta-feira, junho 24, 2009

O dia amanheceu por volta das 6h

Eu vim para casa e dormi, não tanto como queria porque estou a ficar velha (ou doente) e não consigo dormir até depois do meio-dia, não interessa as horas a que me deito. Não martelei ninguém, aliás, só vi um martelo cá em casa, ignorei os restantes, que felizmente não entraram em contacto comigo. Foi um excelente S. João? Foi, sim senhora! Como sempre.

terça-feira, junho 23, 2009

O patrão diz-me:

"Se calhar era melhor não vir amanhã, não faz muito sentido."
Eu ouço:
"Não me apareças cá toda remelosa e ressacada amanhã, fica mas é em casa que eu para ver desgraças ligo o telejornal!"
Either way, I have the day off!

Troquei de Santo

Em boa verdade, já foi no ano passado. Mas este ano tenho (mais) gosto nisso, não sei explicar.
Em boa verdade também, não preciso de muitas desculpas para fazer caipirinhas e deliciar-me com sardinhas e pimentos assados. No terraço, se não chover. Muito bem acompanhada, chova ou não.
E não é verdade que não goste de sardinhas, gosto sim senhora. Mas gosto mais ainda de fazer caipirinhas (e de as beber), porque podem não ser santas, mas são Ju(a)ninas.

terça-feira, junho 24, 2008

e quando o dia amanheceu

o céu estava azul por trás das nuvens que fugiam
a luz acordava as ruas ainda cheias
a música tinha acabado
o chão estava coberto de copos, papéis, martelos e restos de alhos
o sono e a fome misturavam-se e prendiam-nos no passeio
a noite que ali terminava parecia já uma memória distante
e o Porto, o Porto que é tão lindo, o Porto que estava tão bonito,
erguia-se sobre nós.

Canção do santo

S. João, S. João, S. João,
Dá cá um balão
Que o Deco queimou o último
E nem a mecha acendeu
Lá lá lá lá lá

terça-feira, junho 12, 2007

Do Santo

Ao contrário de outros anos bem festejados, estou por casa. Maria Rita a golar e pronto, assim se está solteira.
Eu até nem gosto de sardinhas...

É como quem diz "aos berros" em trasmontanês.

terça-feira, junho 13, 2006

Ao proprietário do tasco montado no pátio da Rua de S. Tomé

Olhe que nós comemos aí um chouricinho que sabia a pato, bebemos duas imperiais sem nome e abusámos do pão.
Para o ano, prometemos não pagar também as sardinhas e a sangria, está bem?

Não tenho manjerico

Não gosto de cerveja.
Jantei pizza e crepes chineses/vietnamitas (no tempero).
Comi duas sardinhas, mas esqueci a salada (três euros e meio por uma salada!!).
Não dancei nos bailes, que ele tem pé de chumbo.
Não gosto das marchas, só dos que marchavam.
Sei o hino, mas não tenho bandeira.
Pergunta: Ainda posso gostar do Santo António ou é só p'rós da terra?

O Santo

é casamenteiro. De seis, só se salva uma, sonhadora, não necessariamente nestas combinações.
Três euros e meio por uma salada!
A parvoíce é uma coisa muita gira de se observar, ao longe, mesmo quando vai de carro.
Os filhos impedem as pipocas e o sexo (?).
Escuteiros, roubadeiros.
As indicações são como os crepes, saiem-nos bem.
Os amigos que são amigos riem-se nas nossas gorduras e ficam contentes por nos ver. Os outros, dormem cá em casa. (Brincadeirinha!)
Se te esqueces das adições, esqueces-te do mais importante. Adição é mais. (Às vezes, a subtracção é inevitável.)
Olha lá, aquele não é o Edmundo?

quinta-feira, outubro 20, 2005

O post esquecido

Andámos de Santo António, que é a expressão que eu uso para comunicar à família de outras latitudes o evento churrasqueiro.
Andámos de limpezas e stress, a pensar como iríamos meter mais dez nesta casa que já de si é tão curta para dois (mas cheia de amor, olaré), curta felizmente para o fio do aspirador.
Andámos de compras recicláveis, que isto dos pratos de plástico dá-me volta à ecologia, e aproveitámos para completar o ramalhete com talheres e taças, a contar com a sobremesa deliciosa da I. E era de chocolate, o indispensável numa noite de excessos.
Depois de muito pó, fui transpirar para outras bandas (não, eu juro que não tenho comissão nenhuma sobre o banho turco) e relaxar, para ter forças para o stress todo de estar atrasada e ainda ter tanto para fazer antes dos convivas darem o ar da sua graça.
Felizmente correu tudo sobre rodas e com a ajuda de uma bebida, we were ready to entertain! Eu passei a noite de paixão com uma rodela de lima a compôr o ar exótico do copo. O engenheiro teve direito a martini com raspa de limão e tudo, refrescado regularmente durante a árdua tarefa de acender o grelhador (já cheirava a acendalhas no Areeiro) e porque os convivas não chegassem, achámos bem fazer nós a festa.
A casa encheu-se aos pouquinhos, sempre sob a atenta supervisão do casal do prédio em frente, já nos seus pijamas. Estando na varanda, a janela deles fica tão perto que quase se lhes pode tocar, e eu tenho a certeza que eles ouviram toda a nossa conversa.
A festa espalhou-se entre a varanda, para os fumadores, e a nossa sala engrandecida de espaço livre.

Acabámos por não sair, desanimados pela chuva miúda e animados pela diversão de ficar por casa. Foi um santo fora do comum e, por isso mesmo, tão mais saboroso. Foi o primeiro santo que anfitriámos cá em casa e foi tão bom!
Merecedor da recolha póstuma deste post, esquecido na lista dos rascunhos há tempo demais.

O próximo, só mesmo um Magusto. Mas isso são mais conversas de Tomar. Lá chegaremos.