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sexta-feira, fevereiro 13, 2009
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Ainda não tinha três anos
e viu morrer-lhe a família toda na mesma semana. Foram a enterrar no mesmo cortejo.
O primeiro a ficar doente, com a gripe pneumónica que vitimou quase 30 pessoas na aldeia, foi o único que sobreviveu. Quando as pessoas entraram em casa para ver a mãe morta, o pai, já quase a ir-se também, pedia a todos que não lhe pisassem o bebé, que estava atrás da porta. Era o meu avô.
A mãe, mais a bebé de 6 meses que trazia na barriga, o irmão mais velho, Luís, e depois o pai, morreram. Só morriam os novos - os meus bisavós teriam pouco mais de 20 anos.
A imagem mais dura de toda a história era contada por uma vizinha da família, a Tia Prazeres, que se lembra dele à esquina da casa a chorar depois do enterro.
Ficou com uma tia que vivia numa aldeia vizinha e viu os bens a serem-lhe tirados, um a um, colchas de linho, fios de ouro, terras, animais, pelo tutores.
Pouco depois de fazer 10 anos chamaram-no para trabalhar noutra aldeia, a alguns 10km de onde vivia numa casa cheia de gente e de fome, mas com tanto amor que, passados poucos dias, ele fugiu com as saudades. Voltou para o patrão sob uma condição: um saco de trigo para a tia poder fazer pão para os filhos.
Toda a minha vida o conheci de poucas mas acertadas palavras. Ao contrário do que seria de esperar, foi sempre bem-disposto e piadético. Acho que as gargalhadas ainda sabem melhor assim, quase roubadas, a graça inesperada.
Quero lembrar-me sempre dele assim ou, pelo menos, acabado de se queixar de uma dor na perna, quando estava internado, a dizer-me "Estou capaz de dar uma corrida".
O primeiro a ficar doente, com a gripe pneumónica que vitimou quase 30 pessoas na aldeia, foi o único que sobreviveu. Quando as pessoas entraram em casa para ver a mãe morta, o pai, já quase a ir-se também, pedia a todos que não lhe pisassem o bebé, que estava atrás da porta. Era o meu avô.
A mãe, mais a bebé de 6 meses que trazia na barriga, o irmão mais velho, Luís, e depois o pai, morreram. Só morriam os novos - os meus bisavós teriam pouco mais de 20 anos.
A imagem mais dura de toda a história era contada por uma vizinha da família, a Tia Prazeres, que se lembra dele à esquina da casa a chorar depois do enterro.
Ficou com uma tia que vivia numa aldeia vizinha e viu os bens a serem-lhe tirados, um a um, colchas de linho, fios de ouro, terras, animais, pelo tutores.
Pouco depois de fazer 10 anos chamaram-no para trabalhar noutra aldeia, a alguns 10km de onde vivia numa casa cheia de gente e de fome, mas com tanto amor que, passados poucos dias, ele fugiu com as saudades. Voltou para o patrão sob uma condição: um saco de trigo para a tia poder fazer pão para os filhos.
Toda a minha vida o conheci de poucas mas acertadas palavras. Ao contrário do que seria de esperar, foi sempre bem-disposto e piadético. Acho que as gargalhadas ainda sabem melhor assim, quase roubadas, a graça inesperada.
Quero lembrar-me sempre dele assim ou, pelo menos, acabado de se queixar de uma dor na perna, quando estava internado, a dizer-me "Estou capaz de dar uma corrida".
sexta-feira, janeiro 09, 2009
O meu avô
está sempre a dormir quando vou vê-lo. O que significa que não o vejo há dias e, tendo em conta que ele não vê, há anos que estamos apartados.
O médico não tem boas notícias, só normais: o avô está no fim da vida.
Percebo a revolta dos filhos, mas eles esperavam o quê? Que ele se levantasse e corresse? Deixem-no em paz. (Fica para outro dia a história dele, agora não consigo.)
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