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terça-feira, março 01, 2011
Miss World
I'm Miss World... 15 anos depois, a mesma música, numa cidade também começada por P, sem Torre Eiffel, mas com Torre dos Clérigos. Tanto tempo depois, the sky is violet.
domingo, fevereiro 20, 2011
Viana
Elas mudaram de casa, mas a comida da Titi sabe exactamente ao mesmo que sabia quando vínhamos da praia e lutávamos pelo ketchup. Mudaram de casa, mas a vista da varanda que agora é marquise é exactamente a mesma, os jardins e as hortas e as janelas das outras pessoas que eu imagino a viver uma vida provavelmente diferente do que ela é na verdade mas, por isso mesmo, muito melhor. A casa é outra, mas o som do armário que foi meu leva-me em milissegundos para Aval de Cima, porque as memórias auditivas são o meu mundo. A casa é diferente e melhor, o sofá senta quatro e eu sento-me ao lado, está quentinho, comi a minha comida preferida e não me apetece ir embora.
E as primas, as primas.
terça-feira, janeiro 18, 2011
Desarrumar para salvar a vida
Caríssimos, fiz a descoberta da minha vida. Sentada na sanita do trabalho (peço desculpa a quem possa chocar, já avisei que entrei na meia idade, agora falo destas coisas), um pensamento levou a outro e veio-me à memória o estado da minha gaveta da roupa interior (maioritariamente cuecas e meias, mas é provável que haja para lá coisas mais escabrosas), agora imaculadamente arrumada, graças a uma combinação esmerada de um longo período de caos profundamente disfuncional (eu tentei durante 4 meses e picos e não funcionava), necessidade de usar o quarto para umas coisas que agora não vêm ao caso, mas que incluem um inglês, umas caixas pretas do Ikea et voilá!, agora a minha gaveta da roupa interior vem-me à cabeça quando estou na casa-de-banho. Tudo porque é um misto. Não literal, isso era antes da arrumação, mas figurado. Muito figurado. Olho todas as manhãs para aquela gaveta e, contente que estou por tê-la arrumado, sinto-me em vertiginoso declínio. Não pelo abandono de uma vida inteira de desarrumação crónica, embora um bocadinho, sim, mas porque o raio da gaveta me faz sentir exactamente o mesmo que sentia quando passava na barragem de Bemposta e as comportas estavam abertas - a atracção da queda. Certa de que a arrumação não durará para sempre, fico feliz - se continuar arrumada muito tempo, dou em obsessiva-compulsiva.
A ansiedade que a porra da gaveta me traz não compensa uma vida a saber onde estão as minhas cuecas de cetim com padrão de leopardo e rendas cor-de-rosa. (Tê-las também não, aposto.)
sexta-feira, janeiro 07, 2011
quinta-feira, agosto 12, 2010
Em 1995
não tinha internet em casa. Mas falava francês como uma residente (um professor perguntou-me há quantos anos vivia em Paris) e atendia o telefone quando as monitoras da minha casa estavam a almoçar. Uma vez eram as minhas irmãs e eu respondi em francês, qual emigrante, a meio da conversa. Belos tempos.
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sexta-feira, março 20, 2009
Recados
Lá porque te querias mostrar em drag, não precisavas de expôr as outras pessoas.
Sim, sou eu ao lado dele, na primeira fotografia do post, canto inferior esquerdo. 'Tá bem, era fofa.
Sim, sou eu ao lado dele, na primeira fotografia do post, canto inferior esquerdo. 'Tá bem, era fofa.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
2008
365 dias de um ano em perfeito estado e no 366º (eu sei dizer isto, e vocês?), que este ano foi bissexto, enchem-no de velho.
Deve ser assim como as placentas das grávidas. 30 e muitas semanas em perfeito funcionamento e depois, porque convém aos médicos ou porque cada vez mais as pessoas são mais burras, chega-se à 38ª ou 39ª semana e ai, jesus, que a placenta está velha.
Estávamos fartos de 2008? Pois claro.
Estamos esperançosos que 2009 seja um ano melhor? Com certeza.
Só não vejo motivo para maltratar o ano.
O meu avô tem 94 anos e não os fez ontem, não os ganhou de um dia para o outro. Só quem não estava atento não reparou.
Continuo a achar a passagem de ano a coisa mais disparatada que existe, pior ainda do que o Natal.
Ai, gosto tanto de toda a gente do mundo (do Bin Laden também? e do Sócrates?), desejo tantas coisas boas a todos, vamos ser tão felizes, ai, ai, come as passas, pede os desejos, e pronto, é isto.
Faz-me sempre lembrar a primeira passagem de ano de que tenho noção, teria eu talvez 6 anos, todos na Cerâmica, no salão de festas, muita correria e brincadeira e de repente pára tudo que se vai passar o ano.
E a minha indignação, olha que treta, eu estava a brincar!, mas tive de alinhar que todos os meus amigos de brincadeira, incluindo o meu irmão, estavam concentradíssimos nas badaladas e tentavam, ao mesmo tempo, explicar-me a importância do que estava prestes a acontecer.
E eu à espera de uma grande coisa, mudança de sei lá o quê, do ar, das pessoas, do mundo lá fora, e nada. "É isto?", acho que ainda perguntei.
Se não perguntei, devia ter perguntado.
Is that all there is?
Deve ser assim como as placentas das grávidas. 30 e muitas semanas em perfeito funcionamento e depois, porque convém aos médicos ou porque cada vez mais as pessoas são mais burras, chega-se à 38ª ou 39ª semana e ai, jesus, que a placenta está velha.
Estávamos fartos de 2008? Pois claro.
Estamos esperançosos que 2009 seja um ano melhor? Com certeza.
Só não vejo motivo para maltratar o ano.
O meu avô tem 94 anos e não os fez ontem, não os ganhou de um dia para o outro. Só quem não estava atento não reparou.
Continuo a achar a passagem de ano a coisa mais disparatada que existe, pior ainda do que o Natal.
Ai, gosto tanto de toda a gente do mundo (do Bin Laden também? e do Sócrates?), desejo tantas coisas boas a todos, vamos ser tão felizes, ai, ai, come as passas, pede os desejos, e pronto, é isto.
Faz-me sempre lembrar a primeira passagem de ano de que tenho noção, teria eu talvez 6 anos, todos na Cerâmica, no salão de festas, muita correria e brincadeira e de repente pára tudo que se vai passar o ano.
E a minha indignação, olha que treta, eu estava a brincar!, mas tive de alinhar que todos os meus amigos de brincadeira, incluindo o meu irmão, estavam concentradíssimos nas badaladas e tentavam, ao mesmo tempo, explicar-me a importância do que estava prestes a acontecer.
E eu à espera de uma grande coisa, mudança de sei lá o quê, do ar, das pessoas, do mundo lá fora, e nada. "É isto?", acho que ainda perguntei.
Se não perguntei, devia ter perguntado.
Is that all there is?
domingo, dezembro 28, 2008
Ano ímpar
Nunca gostei de números ímpares, vá-se lá bem saber porquê, mas pode ser porque sou uma esquisitinha que atribui características afectivas a quase tudo o que é inanimado, até às meias, que eu sei bem quais gosto de usar e quais só uso quando não há outras, cuecas idem.
O número 9 foi sempre um dos meus despreferidos e lembro-me de em Tróia fazer 9 anos e detestar, Que idade tens? e eu Nove, e até me encolhia por dentro, idade mais feia.
Este ano acaba em 9 e ou estourei a pipoca de vez ou estou diferente, porque gosto do número.
Gosto de dizer 2009, parece futurista mas totalmente alcançável, uma mudança fresca, um número ímpar forte e rebelde.
Enquanto aprecio os últimos dias de Dezembro, penso no que quero fazer para o ano.
2009. Venha ele.
O número 9 foi sempre um dos meus despreferidos e lembro-me de em Tróia fazer 9 anos e detestar, Que idade tens? e eu Nove, e até me encolhia por dentro, idade mais feia.
Este ano acaba em 9 e ou estourei a pipoca de vez ou estou diferente, porque gosto do número.
Gosto de dizer 2009, parece futurista mas totalmente alcançável, uma mudança fresca, um número ímpar forte e rebelde.
Enquanto aprecio os últimos dias de Dezembro, penso no que quero fazer para o ano.
2009. Venha ele.
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Maldita tu, Ana Maria
Passos Manuel. Flashback imediato para a festa de 88, a comida, os meus vestidos, as pessoas todas lá em casa, os espectáculos, a comida. A casa com que mais sonho, que definiu e pintou partes inteiras da minha vida.
Depois fui agradecer ao DJ's o bocadinho de passado.
E agora estou a ouvir isto enquanto escrevo e só me apetece rir, principalmente quando penso que quem estiver a ler vai ficar a achar que eu gosto (ou gostava) da música.
Depois fui agradecer ao DJ's o bocadinho de passado.
E agora estou a ouvir isto enquanto escrevo e só me apetece rir, principalmente quando penso que quem estiver a ler vai ficar a achar que eu gosto (ou gostava) da música.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Das cidades a brincar
Acho que sou uma campónia. No melhor e no pior sentido do termo, como queiram.
A cidade continua a causar-me espanto e confusão.
Os carros a meio da noite, as ambulâncias com as sirenes ligadas, a polícia em marcha de urgência.
O alcatrão a fazer uma cidade de brincar como aquela que tínhamos quando éramos pequenos, com passeios e curvas e mini-postes de luz.
Esta sensação intensifica-se quando, como ontem à noite, apanho obras nas ruas, o trânsito cortado (e eu sem saber muito bem o que fazer à minha vida porque já não conheço o Porto e confio, desde há mais ou menos um ano, nos caminhos sempre iguais que consegui entretanto aprender) e aquela máquina engraçada de rolo à frente e rolo atrás a nivelar o tapete de alcatrão acabadinho de assentar na faixa ao lado da minha.
Bote-me cá uma pra fazer os meus crepes!
A cidade continua a causar-me espanto e confusão.
Os carros a meio da noite, as ambulâncias com as sirenes ligadas, a polícia em marcha de urgência.
O alcatrão a fazer uma cidade de brincar como aquela que tínhamos quando éramos pequenos, com passeios e curvas e mini-postes de luz.
Esta sensação intensifica-se quando, como ontem à noite, apanho obras nas ruas, o trânsito cortado (e eu sem saber muito bem o que fazer à minha vida porque já não conheço o Porto e confio, desde há mais ou menos um ano, nos caminhos sempre iguais que consegui entretanto aprender) e aquela máquina engraçada de rolo à frente e rolo atrás a nivelar o tapete de alcatrão acabadinho de assentar na faixa ao lado da minha.
Bote-me cá uma pra fazer os meus crepes!
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