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sábado, julho 17, 2010

What a perfect B-day

Não me queixo. Trabalho novo, almoço com a filha, dinheirinho na conta, prenda em numerário imediatamente convertida em sandálias novas em saldo (ainda trouxe troco!), família, amigos, copos e diversão. Mais prendas: colar giríssimo com brincos, gloss fantástico, íman com mensagem sentida, e, last but not least, a inscrição de Parabéns num fumante feito especialmente para mim. Mais do que o valor, a beleza ou a oportunidade, comovi-me com a lembrança de todos. Não há dinheiro que pague os amigos, os que esperamos e os que aparecem sem contarmos.
Está tudo perfeito? Não. Tenho tudo o que quero? Ainda não. (E ainda bem.) Estou feliz? Muito. Saboreio a palavra e a sensação.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Slogans de férias

"Olhão, férias com calorão!"
ou
"Olhão, férias com emoção!"

quinta-feira, agosto 13, 2009

Cheguei a casa

e estava lá o Rui Rio, em forma de fotografia em jornal/infomail de campanha. Começou logo bem, ainda não estava no elevador e já me sentia excluída - "Caro portuense", dizia ele. Ora eu não sou portuense. Sou trasmontana. Aterrei nesta cidade há 19 anos sem poder de decisão. Segundo os parâmetros de não sei bem quem, só se é portuense à terceira geração. Esquisitices, se quereis saber. Eu também não quero fazer parte de uma cidade que (não) me aceita.
Depois vieram as fotografias das obras realizadas. Ui, que maluqueira. Oito anos e quase reabilitaram 10 edifícios, entre escolas e habitações. Calma, ó gentes, isto não é um sprint.
Chego ao fim e não vejo sequer o padrinho. Mal empregado papel, sinceramente...

P.S. Padrinho, se por acaso estiveres a ler isto, não te amofines. Sabes que sou tua apoiante incondicional, mas não voto no teu partido. Vai lá à tua vida.

quarta-feira, julho 15, 2009

Às vezes,

as saudades são tão fortes que, se tivesse olfacto, diria que me cheira a Trás-os-Montes nas ruas do Porto. Ontem estava sol e, em vez de ir para casa, apetecia-me conduzir até lá e ir apanhar cebolas. Isso mesmo. Apanhar cebolas e estar com eles sem pressas, sem compromissos difíceis, só o sol e a terra e o ar. As saudades fazem-me ter vontade de chorar, ouço a música e lembro-me de Setembro e eu que sempre detestei Setembro, Setembro é o maior dos meses, onde cabem cebolas e luares magníficos ainda de dia e amoras e a terra solta e seca toda dentro dos sapatos. Apeteceu-me chorar quando a minha mãe disse que ligou para a minha madrinha, mas que não estavam, "tinham ido à horta". Eu dava tudo para estar lá com eles, terra nos sapatos, feridas nas mãos, dores nas costas, tudo.
Apeteceu-me chorar com as saudades. Mas também está para me vir o período.

terça-feira, junho 23, 2009

Troquei de Santo

Em boa verdade, já foi no ano passado. Mas este ano tenho (mais) gosto nisso, não sei explicar.
Em boa verdade também, não preciso de muitas desculpas para fazer caipirinhas e deliciar-me com sardinhas e pimentos assados. No terraço, se não chover. Muito bem acompanhada, chova ou não.
E não é verdade que não goste de sardinhas, gosto sim senhora. Mas gosto mais ainda de fazer caipirinhas (e de as beber), porque podem não ser santas, mas são Ju(a)ninas.

quinta-feira, abril 09, 2009

E tenho muito sono de manhã...

Não durmo uma noite inteira, daquelas de acordar espontaneamente, desde a semana passada. Mas não me posso queixar, porque no sábado de manhã fui para Madrid passar o fim-de-semana e só voltei na segunda de manhã.
Na segunda à noite tive os anos de um amigo, copos ao fim da tarde, jantar em excelente companhia (excelente, excelente), mais copos a seguir.
Na terça fui à ópera em excelente companhia e a seguir bebemos finos para comemorar o aniversário da filha-companheira-de-tudo-e-mais-alguma-coisa-excelente-menina.
Ontem fui aos sem-abrigo ("Vem cá o Público? O JN? A RTP?", eles a mandarem bocas por causa da minha ausência dos últimos tempos) e depois copos no Piolho e hoje dói-me tudo porque já não pegava em panelas de 6kg de arroz há muito tempo.
Hoje rumo ao spa, vou dormir tanto que acho que até vou hibernar um bocadinho. Ou não, porque os finos em ToM custam 80 cêntimos e a companhia é óptima.

Nota do autor: os copos várias vezes mencionados foram de coca-cola, a ver se acordava, ou de nada, a ver se não piorava a coisa.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Quando o telefone tocou de manhã

eu confesso que ao início não reconheci o som. Aliás, tão embrenhada estava no sono que até me deixei dominar por sentimentos de afecto pela música do telemóvel. "Ai, que lindo que ele é", pensei eu antes de acordar finalmente e perceber que o filho-da-mãe estava a tocar e era preciso atender.
Do outro lado, a Madrinha. Sabes do teu Pai e outras que tais. Liguei-lhe e também o acordei, coitado. Depois a preguiça foi muita para me levantar, ir buscar o telefone de casa e ligar à Madrinha a dizer tudo ok, Pai estava a dormir.
Quando lhe liguei finalmente, enquanto tentava vestir-me para o trabalho, não sei como entrámos em conversas profundas e foram 17 minutos que eu gostava que pudessem ter durado 17 horas. A reter, a frase mais bonita dos últimos tempos: "Eu quando estou ao vosso lado, não tenho dores, não tenho preocupações." De alguém que nos ama a sério, claramente.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

O meu avô está internado

numa instituição privada de saúde cá no Porto.
Proliferam os símbolos religiosos e, depois de eu lhe dar o iogurte do lanche, entra no quarto uma freira com ar metediço, como todas têm, que lhe fala em tom paternalista, como todas falam.
"Então, Sr. Manuel, quer-se sentar? Ou ainda não são horas?"
(Como se houvesse horas para sentar, santa Barbara Cook!)
O meu avô, de 94 anos, já quase cego, com um só pulmão a funcionar desde há muitos anos, agora com a respiração muito dificultada pela pneumonia, responde-lhe, no seu melhor estilo trasmontano
"Pra qué?"
Acho que o meu avô também não pode com freiras.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O dia 24 amanheceu lindo

Sombras cor-de-rosa no horizonte a denunciar o dia brilhante de sol que aí vinha.
Com o astro ao rubro, recebo a notícia de que a vida é tudo ao mesmo tempo, eu tão bem e eles tão mal.
Concluo que a vida (e a morte) é um rio cujo curso não se altera nem espera por ninguém.
Quando passa naquela pedra, lava-a. Somente.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

O reino

perde a maravilhosidade quando venho para me esquecer de certas coisas por uns dias
e mas relembram continuamente.
Meus caros, para isso já dei, lamento.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Spa espiritual

Mais do que refúgio, ir a Trás-os-Montes é um spa espiritual.
Para limpar, descarregar, refrescar e revitalizar.
E voltar como nova, jantes brilhantes.
Nunca mais é sábado...

domingo, novembro 23, 2008

Das preocupações com problemas que não existem

Entro em casa às 10h30 da manhã de domingo.
A minha Mãe, à espera que o chá fique no ponto certo, assusta-se com o barulho da porta.
Passado o susto inicial, preocupa-se muito com a minha chegada - pensava que eu estava no quarto a dormir, e agita-se: "ai, meu deus, ai, meu deus".
Poderá não ser uma hora muito recomendável e não dar saúde nenhuma, mas não estou já dentro de casa, sã e salva?
Depois a herege sou eu por invocar o nome do senhor em vão.

Multi-facetado

terça-feira, novembro 18, 2008

Ainda não eram oito da manhã

quando cheguei ao mais posh complexo de prédios do Porto.
A gente rica sai cedo de casa, posso assegurar. E são bonitos, pá!
A última vez que estive ali com o intuito de entrar foi há seis anos, razão pela qual me amaldiçoei por não ter perguntado ao irmão o andar pretendido.
Descobri sozinha, sabe-se lá como.
Entrar naquela casa é como entrar num hotel, o terraço maravilhoso banhado da (inesperada) luz do sol, as 300 salas e salinhas que se percorrem para chegar ao destino, a mesa do pequeno-almoço estrategicamente colocada ao lado de uma janela enorme e quente.
Ela abriu-me a porta lá de baixo, ele veio receber-me.
Sem planear, depois do beijo único de condição de posh adquirida há uns anos, abracei-o sem rancor.
O meu tio, que eu não via há seis anos, está quase cego e usa o olho bom para me ver a cara.
À falta de reconhecimento visual, reconhece-me a voz e diz que pareço a minha irmã.
Pergunto-lhe como faz a vida dele: tem motorista, ainda vai trabalhar todos os dias e, nos sítios que conhece, movimenta-se bem, mas já não sai à rua sozinho.
Antes que (me) perguntem porque não o via há seis anos, a resposta é muito simples: há muito tempo que decidi não me dar com pessoas de quem não gosto.
Depois levei a prima mais deliciosa ao aeroporto, contive as lágrimas, e devolvi a tia e prima que sobram até sábado à casa do tio posh.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Kidsitting

Longe vai o tempo em que tinha de lhes mudar fraldas e dar biberões, por isso não lhe posso chamar babysitting.
Em vez de dar comida aos sem-abrigo, na quarta fui fazer outra boa acção e ficar com os meus primos de 10 e 7 anos enquanto os pais deles iam resolver um problema familiar.
Descobri que tomar conta de miúdos desta idade é basicamente ser empregada doméstica.
Fiz o jantar, perguntei quem queria sopa, servi-os, comi com eles, descasquei-lhes fruta para a sobremesa e depois eles saíram da mesa e apareceram na sala de pijama vestido.
Mandei-os lavar os dentes e vimos os Simpsons até serem horas de deitar, hora essa a que eu própria também só queria dormir.
Mas enquanto os meninos dormiam a sono solto, eu voltei para a cozinha, lavei a louça, sequei-a e arrumei-a e depois fui dedicar-me a um cigarro a quem gosto de chamar amigo.
A primeira vez que fiquei com o mais velho, sozinha em minha casa, quase que o matei ao dar-lhe um pedaço de maçã demasiado pequeno para os seus meros 12 meses, e naquele momento em que o vi a lutar por ar, a minha vida passou-me em frente aos olhos em milésimos de segundos, mas em fast forward: os pais a chegarem e eu a ter de dizer que lhes tinha matado o precioso primogénito.
Não sei bem de onde, mas no segundo seguinte recuperei o raciocínio, enfiei a minha mão de adulta dentro da boca dele e resgatei o bocado de maçã engasgador. Ele nem piou, passou do susto para o sorriso.
Hoje sei que os bebés pequenos se viram de cabeça para baixo em caso de engasgamento e aos adultos dão-se palmadas firmes entre as omoplatas ou a manobra de Heimlich em último caso.
Tenho uma boa média: 4 primos em segundo-grau, um primo direito e vários miúdos sem relação de parentesco, todos vivos até hoje.

"Helpdesk da Família L., bom dia"

Logo pela manhã, a central de telefones do serviço de helpdesk da família sofreu um congestionamento.
Coisa estranha nunca vista, as reclamações pelo post anterior foram numerosas - e furiosas.
Costumam ser questões práticas, como endereços de familiares, receitas com tradição ou mesmo a ocasional busca de cartões multibancos perdidos, mas naquele dia não, tudo eram reclamações.
Entre muitos "Não, não, o caderno é meu!" vindos de todas as partes, também houve tentativas de processos por difamação ("Nunca meti um guardanapo dentro de roscas, tem juízo!"), correcções à veracidade da história ("Eu fazia tudo o que queria? Deves estar tolinha!") e outras coisas que agora não me recordo.
Tive de apelar à minha melhor diplomacia e dizer
Caluda, o blog é meu e eu recordo o que quiser!
Haja pachorra.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Às 3h30 da manhã,

hora portuguesa, Obama dirigia-se para o Grant Park para o provável discurso de vitória.
Eu, como sou céptica, nem queria acreditar no que via, para não ficar desiludida, e fui dormir.
Hoje, antes do despertar das 7h30 para ir ao Banco Alimentar, acordei de repente com uma preocupação: o Obama ganhou ou fui eu que sonhei?
Sensação irreal.
Confirmei a vitória no JN pousado em cima da mesa do café onde tomei o pequeno-almoço:
Barack Obama ganhou.
Até o Sol está mais bonito hoje - e eu estou sem palavras.

P.S. É claro que vou ao aniversário do meu avô. Obrigada pelos votos.

terça-feira, novembro 04, 2008

Eu sei que se calhar hoje é o dia

em que o Mundo pode ficar um bocadinho melhor ou mudar ligeiramente para uma direcção positiva.
Mas o dilema que me assola é meu e, por isso, muito mais importante.
Fico no Porto a ajudar a campanha de recolha de alimentos para o Banco Alimentar, dado que sou uma das poucas condutoras da carrinha que transportará os donativos (e a única mulher, note-se)?
ou
Vou para Trás-os-Montes festejar o aniversário do meu avô que faz 94 anos e que eu nunca sei quando vai ser a última vez que o vejo?
Não há eleições que resolvam isto.

sábado, novembro 01, 2008

As mãos dela no meu carro

Ponho-lhe o carro nas mãos sem hesitar. Ponho-me nas mãos dela com o mesmo despojo, segura-me sempre.
Não há, mas devia haver um parentesco entre irmã e prima.
Irmãs não somos, sorte a dela.
Primas também não, porque somos muito mais.
Sem desprimor para os outros primos, que não há nada de que eu goste mais nesta vida do que a relação de primos.
Primo é um nome carinhoso que se dá a alguém muito próximo que não chega a ser irmão, mas só no sangue. A minha Mãe ser a tia deles e a deles ser a minha é assim como dividir os afectos e multiplicar o carinho sem nunca se perder nada.
Ela é prima-irmã. A distância saudável de prima, a confiança absoluta de irmã.
Às vezes a coisa é mais desprezo inevitável de prima e abuso de poder de irmã.
Nos últimos anos, tem pendido mais para a primeira, felizmente.
É engraçado pensar em alguém que eu ajudei tantas vezes a descer as escadas quando ainda andava a aprender, alguém que comia marmelada como se não houvesse amanhã e que apareceu na nossa vida assim como uma irmã mais nova que não era nossa, e vê-la agora mulher, segura e confidente. Conduz o meu carro quando eu não consigo.
Invertemos os papéis. De vez em quando.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Há dias, a conduzir*, ocorreu-me

É preciso azar - os meus pais além de nunca conseguirem ter as filhas magras em simultâneo, agora também parece que não conseguem tê-los empregados.

*as melhores ideias e pensamentos ocorrem-me normalmente a conduzir e, ultimamente, ando a fazer muitos quilómetros