segunda-feira, novembro 28, 2005

Uma manhã destas

no carro.
Eu (armada em parva): Já reparaste que temos uma mão maior do que a outra?
Ele: Eu não! Eu tenho as duas maiores!

O meu namorado, o Santo

Ontem o engenheiro cá de casa passou o dia a formatar o meu computador, que por acaso é dele, mas isso é só um pormenor.
Instalou o Windows que o computador deixara de ter há uns tempos, reinstalou o Linux e deixou tudo direitinho, com conta de utilizador e browser já configurados, bookmarks disponíveis e emails já descarregados. Como se tudo isto não bastasse, conseguiu ainda que ambos os sistemas operativos estivessem sincronizados, o que quer dizer que tenho os mesmos mails, bookmarks e histórico de browser no Windows e no Linux (este último sendo o meu preferido).
Eu, a bruxa, passei a tarde a perguntar coisas iluminadas como "Isso já está?" e "Já podemos sair?" e ainda "Nunca mais acabas??", assim toda cheia de indignação e mimo. Não satisfeita, ainda tive o desplante de me queixar do aspecto do browser, dos ícones dos atalhos e de mais umas coisas que agora não me lembro.
Hoje venho aqui apresentar publicamente as minhas desculpas por ter passado o dia todo a reclamar. Prometo que não volto a fazê-lo e agradeço muito, muito, muito todo o trabalho que tiveste para me deixar o computador de novo operacional. Obrigada!
E agora cala-te lá com isso.

domingo, novembro 27, 2005

Lições de vida

Quando fui para a Suécia levei malas e malas carregadas de imensas coisas inúteis, como acontece quando nunca se foi viver um ano a 5500km de casa. Eu não sabia nada e nesse ano aprendi muito.
Entre truques e dicas de viagem, capacidades de orientação e conhecimentos de informática, eu diria que aprendi tanto, mas tanto nesse ano que tive de esquecer algumas coisas para caber cá tudo.
A saber, e para o caso do estimado leitor estar de partida para semelhante epopeia.
1. Não levem a mala atafulhada de champôs e sabonetes na lógica do "lá é muito caro" porque, durante um ano (ou seis ou três meses, acreditem), vão mesmo ter de comprar produtos lá. Mais vale levar a mala levezinha, custa menos a transportar quando não se consegue encontrar o alojamento e evita-se o pagamento por excesso de bagagem.
2. Não levem a roupa toda de que precisam, valem as mesmas razões de transporte de cima e, acrescento ainda, os vossos amigos e familiares podem sempre compôr o ramalhete quando vos forem visitar. Além de que, no estrangeiro, esse país fantástico, costuma haver boas lojas de roupa em segunda mão, que foi onde eu comprei o meu casaco de inverno de pele com o forro mais quentinho do mundo, por apenas 500Kr, cerca de 55 euros. Espantem!
3. Levem um livro. Estão parvos ou quê? Entre esperas nos aeroportos, escalas (não há vôos directos para Estocolmo) e primeiros dias de tédio à chegada, vai-vos fazer jeito. Além de que um livro é sempre um bom amigo, coisa de que precisamos muito quando chegamos a um país estrangeiro e de repente nos apercebemos que vamos lá passar o próximo ano da nossa vida, mais ou menos nos termos "Porra, no que me fui meter!", com mais ou menos lágrimas, dependendo do estado de espírito e de força de carácter.
4. Arranjem uma lista de compras traduzida ou um bom dicionário. Ou a primeira vez no supermercado é uma visita de mais de uma hora para trazerem pão, leite, produtos de limpeza e outros básicos.

Fica assim por acabar porque tenho muitas dicas e eu cá gosto que as pessoas saiam satisfeitas do meu tasco e não aborrecidas.

sábado, novembro 26, 2005

Enquanto está sol

vou mas é aproveitar e sair de casa. A roupa pode passar-se com chuva, que aqui felizmente não há buracos no telhado.

O filme

mais bonito da história do cinema e eu só penso que já tive dias de cabelo igual ao dela. Que adolescência horrível, a minha.

Bom, bom

é ir buscar o homem ao trabalho e ele trazer-me uma prenda.

Heartbeats

One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn't be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night

José González
"Veneer"

daqui

sexta-feira, novembro 25, 2005

Olha que burra

que eu sou. Tigela é com G e não com J. São as tonturas.

Os microondas

são uma treta! Uma intrujice tecnológica! Como é que é possível que depois de dois minutos e meio a 900 watt a sopa ainda esteja fria, mas a tigela a escaldar?
Já sei, já sei, as moléculas de água e coiso-e-tal. Não me lixem, a sopa tem mais água do que a tigela, senão a sopa era dura e a tigela líquida. Ou não?

Oh gentes!

Isto de ter dores de cabeça, ataques de espirros noite fora (e dia dentro) e acordar com tonturas, vestir com tonturas, sair à rua com tonturas e continuar com tonturas depois do pequeno-almoço, café e bolo é o quê?

Será daquelas coisas que dão três dias e depois se morre?


P.S. Mais um sintoma: uma fome desgraçada. Não deve, por isso, ser gripe, mas olhem que é a pior crise alérgica que já tive. Mesmo sem nariz entupido, supera a dali de baixo.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Perdoem

os fiéis leitores abaixo mencionados a falta de posts com sustânça*, mas eu tenho andado a curtir uma dor de cabeça há uns dias... Sempre ao fim do dia, por acaso.

Vou ali ver se a enxoto.

Retomaremos em breve a programação habitual.


P.S. Maneira trasmontana ou de família de dizer substância? Não sei. É da dor de cabeça.

É cão

que não conhece o dono, esta coisa dos comentários. Não seria de esperar que aquela coisinha chata das letras anti-spam me reconhecesse quando eu quisesse comentar?
Não, era pedir demais. Que ridículo...

Vou ter

de dar prémios a esta gente toda, pelo simples facto de terem paciência para vir aqui todos os dias.

É claro que "esta gente toda" é uma expressão megalómana para me referir a três ou quatro leitores fiéis. Que eu prezo muito!

Entretanto vou pensar no vosso prémio. Qualquer coisa virtual, como convém.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Identifique-se

o leitor nº 100 para receber um prémio, fáxavor.
É mandar um email ou deixar um comentário na caixinha.

Já agora, gosto muito destas visitas todas. Deixem comentários, sugestões e críticas quando quiserem.


P.S. Eu não aceito críticas nem respondo a sugestões, mas estejam à vontade. ;)
É mesmo tudo mau feitio.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Adenda

Afinal, parece que o Abade Faria não viveu assim uma porrada tão grande de anos. Foi só de 1756 a 1819. Ora, seis vezes três dezoito, noves fora nada, é fazer as contas.
Tinha 63 anos. E noves fora nada, mas vão dois*, se bem me lembro.


*Já não ensinam a prova dos nove na escola às criancinhas, segundo ouvi dizer. Porque, se bem se lembram, era errónea e, por isso, se usava a seguir a prova real. Não sei se isto é bom ou mau, porque embora saiba que é uma estupidez aprender coisas que estão erradas, também me ensinaram que a dor nos músculos depois de exercício esforçado era do ácido láctico. Ahahahah! Deixa-me rir.

Pelos vistos

o meu blog não vale nada. Deixá-lo, eu gosto dele há mais de cinco anos e sou correspondida.

domingo, novembro 20, 2005

Parece

que isto de ter um Counter no fundo do blog resulta melhor se eu escrever de vez em quando. Pelo menos para quem, como eu, gosta de ver os números a crescer. (Grow, you little bastards!)
Então vou contar-vos a minha noite de ontem. Sem partes porcas, prometo!

Tudo começou quando, ontem de manhã, fomos ao mercado fazer as comprinhas da saúde. Que é como quem diz, comprar as coisas saudáveis que temos de comer como fruta e legumes e castanhas, que também é preciso. E foram essas mesmas castanhas que, junto com uma Jeropiga, nos deram a maravilhosa ideia de fazer um magusto moderno. Que teve mais de moderno do que de magusto? You tell me.

Convidámos uns amigos, outros mais apareceram, e as castanhas, ainda quentinhas porque abafadas à boa tradição da família Alves (e de todos os trasmontanos que se prezem, julgo), foram comidas entre amena cavaqueira e outra não tão amena, que as conversas são como as castanhas, querem-se quentes.

Vai daí, houve uma alma iluminada (sim, tu sabes quem és) que se lembrou de combinar ir ter com mais uns amigos a um bar, estando nós tão bem em casa e a chuva tão bem lá fora.
Como se sair da toca quentinha na pior noite de chuva deste Outono não bastasse, a tal alma iluminada decide também marcar o encontro num bar do qual desconhecia a localização.
Indicações como "É depois do Chapitô" e "Passas o Santiago Alquimista" e ainda "Estás a ver o Panteão" ou talvez "Não, tens de passar para lá da Feira da Ladra" não são, repito, não são um meio válido de chegar a bom porto, que era o que parecia que nos ia acontecer, tal era a molha que já tínhamos em cima dos ossos. (Eu sei, é estúpido sair de casa num noite de chuva intensa sem guarda-chuva. Mas também isso foi culpa de outra alminha que não eu, uma que estava de conluio com a primeira, decerto.)
Ora aqui estavam reunidas as condições para uma noite em cheio! E foi, porque o bar estava cheio, havia poucos bancos, os bancos eram de madeira, ao fim de algum tempo também os nossos assentos corporais eram de madeira ou pelo menos pareciam, o dono do bar mandou-nos calar variadas vezes "porque não se ouvia a música", a música era cantada por uns jovens cabeludos e era a razão pela qual nós éramos obrigados a falar mais alto, éramos muitos para jogar dominó, sueca, bisca, sobe-e-desce e ninguém queria jogar ao polícia e ao ladrão, really.

No meio disto tudo, eu ri-me como uma perdida, chorei e tudo, esgotei o capital de riso de uma outra menina* e consegui secar as calças no calor abafador do bar e depois molhá-las outra vez. Com o casaco que ainda estava molhado, com o casaco! Não me ri assim tanto.

Ficou combinada uma noite de Party** cá em casa, com a promessa de não sairmos, nem que o céu nos caia em cima da cabeça.


*Aqui no bom e tradicional sentido da Língua Portuguesa. Ou legalizam a prostituição ou começamos a chamar as vacas pelos nomes (no pun intended), que isto de não se poder dizer "menina" sem se pensar em outros sentidos é muito tonto.

**O jogo, não o sentido.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Prós
Estar mais perto da família
Parque da Cidade
Serralves
Pão

Contras
Trânsito infernal
Pronúncia
Estacionamento
Clima (no Porto faz um frio desgraçado)

Conclusão
Não consigo imaginar-me a viver no Porto outra vez. Há quem não imagine não viver no Porto.

Porto

No fim-de-semana fui ao Porto. Cheguei a Campanhã a meio da tarde de sexta, uma sexta típica da que já foi a minha cidade. Tanto quanto seja real a minha noção de típica sexta numa cidade que não habito há mais de cinco anos.
Quando chego as pessoas sabem que vim de Lisboa. Embora eu tenha vindo de Aveiro, mais propriamente de Águeda, mas não interessa. Ainda trago o cheiro de Lisboa, decerto.
Decido meter-me no autocarro para casa dos meus pais. Parece que é o 34. Se há número mais tripeiro, não conheço.
Deixar de viver lá fez mal suficiente à minha capacidade de orientação e conhecimento dos autocarros e seus destinos, não precisava que os meus pais tivessem mudado de casa duas vezes. Talvez andem a tentar despistar-me.
No caminho para o Carvalhido olho a cidade. Fernão de Magalhães, Campo 24 de Agosto, Baixa. Praça da República, Av. da Boavista, Rotunda da Boavista. Saio. Espero na Av. de França um autocarro que me leve para cima, não só porque sou preguiçosa, mas também por ter um saco bem pesado. E é a subir, não sei se já disse.
Chego a casa. Não reconheço a rua como minha. Não é. Não é a outra, a de cima, que ficava em baixo (e a de baixo ficava em cima). Uma rua tão minha que durante seis anos não precisei de conhecer outra para estudar, a escola tão perto que se mais perto fora, seria dentro da minha casa.
No caminho namorei-o. Ao de leve, de soslaio, pela janela do autocarro onde uma menina anuncia as paragens com a pronúncia docemente tripeira que noto à légua, desde que transitei para latitudes mais sulistas.
Ele, por despeito, não me ligou. Não me viu, não me notou, não me acolheu. É o costume. Uma espécie de jogo do gato e do rato de que ambos gostamos.
No sábado espreitei-o outra vez, da minha perspectiva preferida. Desta demorei-me no olhar, como que a dizer-lhe estou aqui, estou a ver-te.
As luzes da beira-rio, da ponte da marginal, da cidade que se vê ao vir de Gaia.
Ele fez que não me viu e eu senti o coração cheio de quem reconhece onde está, de quem se reconhece.
Ele, o Porto, continua a fazer parte de mim, por mais voltas que dêem os pais pássaros e o seu ninho, por mais anos que passem, por mais transportes novos que se construam. Uma paixão que não tem fim, própria de quem está afastada o suficiente para ver só as coisas boas.
Desta vez não comi uma francesinha, mas deliciei-me com um croissant bem fofo, quentinho, como só no Porto há.

segunda-feira, novembro 14, 2005

De Campanhã

ao Carvalhido demora uma hora e dois autocarros.

Mais ainda ou


dasse!

do Gr. ichor, pus, venéreo, humor aquoso
s. m., líquido que escorre de certas úlceras.


P.S. Este com especial colaboração.

Nojo


do Lat. pus

s. m., sânie;
vurmo;
icor, líquido alcalino mais ou menos expesso, resultante de inflamação aguda ou crónica constituído pelo exsudato inflamatório, leucócitos e bactérias, vivos e mortos.

Declaro

aberta a época do frio. Pus hoje as rodas ao aquecedor.

Anti-globalização

Em Cabanões ainda há tanques públicos para lavar a roupa.

Globalização

Na auto-motora de Águeda para Aveiro também se diz "bué". Como em "Ele chegou bué da depressa".

quinta-feira, novembro 10, 2005

O meu Pai

faz amanhã 60 anos. Assim um número todo redondo.
Julgo que está a entrar na idade dos netos (?), do descanso, do "agora vou viver para mim". Eu, pelo menos, assim o espero. Que seja uma fase cheia de paz, alegria e calma.
Ainda bem que ainda estás por cá, Manel!
Parabéns, Papá!

Dr. Phil

Quando estava na Suécia, via imensa televisão dos States. Sendo que os suecos são inteligentes como nós e não dobram os programas estrangeiros, via tudo o que fosse em inglês. Também como nós, os suecos estão inundados de tv americana.
À tarde dava o Dr. Phil. Não me lembro exactamente se tinha um ritual para o ver (tal como tinha para o Judging Amy, aos sábados de manhã, ou a Ally McBeal, às segundas à noite com crepes e as amigas), mas lembro-se de ser preferível à Oprah (ainda é) e de lhe achar alguma piada, estilo "Estes americanos são loucos!".
Enquanto estava aqui a preencher uns formulários online com a tv ligada na Sic Mulher, ouvi a música do dito programa e senti uma pontada de nostalgia, o bom e o mau juntos, como sempre que tenho saudades de alguma coisa.

Keywords da Suécia: Frio. Quentinho em casa. Capuccino. Biscoitos de chocolate. Muffins. Pasta. Coelhos à solta no parque à volta da minha casa. Coelhos à solta por todo o lado, na realidade. Dr. Phil. Ally McBeal.

Gosto

de fazer as palavras cruzadas do Público. Gosto especialmente se as consigo fazer todas sem recursos externos, sem batota. Sei uma data de palavras novas.
Ex.: "Mártir" - Herói com azar. ;)

As scientists go,

o Grissom é o mais sexy. Mas não conheci o Abade Faria, claro.

O Abade Faria

era cientista e viveu uma porrada de anos.

terça-feira, novembro 08, 2005

Previsível

A crise instalara-se no cesto da roupa. Uma montanha que parecia não ter fim e a chuva lá fora. Por entre abertas mais ou menos estáveis, a máquina lavou uma, duas, três, quatro vezes. No decorrer de uma semana e uns dias, a crise foi combatida e a paz instaurada de novo. Exceptuando... aqueles últimos resquícios de roupa, pouca ainda para uma lavagem.
Entretanto, substitui-se o fio do estendal, que por ser de plástico por fora, estava bom para ir para o lixo. Um novo e resistente fio de inox é colocado, apertado, estendido e preparado para receber roupa, venha o que vier.
Ela (é sempre ela que faz estas coisas) adia a tal máquina, espera por mais roupa. Espera e adia. Adia e espera. Os dias de sol sucedem-se, ventosos, magníficos na arte de bem secar roupa.
Quando reúne o quórum necessário, ela planeia mentalmente pôr a máquina a lavar, enquanto olha distraidamente para o céu.
Está a chover.

Casais que combinam

Hoje dei por mim a pensar que o casal sentado à minha frente não combinava. Depois, em jeito de corolário, percebi que sempre que vejo casais idosos, ele e ela combinam. Excepto estes dois.
Normalmente, até são parecidos. Como o casal do prédio em frente ao meu (que qualquer dia tem direito a rubrica própria, de tão mencionado).
Aqui há uns tempos, alguém disse que eu e o engenheiro parecemos irmãos. A ideia é horripilante, mas a pessoa insistia. Sendo que já houve quem pensasse que eu e o meu irmão (este a sério) éramos namorados, acho que o defeito é meu. Também já fui julgada irmã de uma grande amiga, na faculdade de Vila Real.
Serei eu que pareço irmã de toda a gente?

Nisto dos casais, aquela parecença quase destinada só é observável quando a idade vai avançada. Talvez seja disso. Envelhece-se junto e, inevitavelmente, fica-se quase igual. Com as devidas excepções.
Mas há de facto casais que combinam e outros que não, a um nível muito básico, muito imediato. Se calhar eu pareço irmã do outro (e não outra do irmão) por causa disso. Combinamos. Eu sempre achei que sim e não sou a única, já que a amiga que nos apresentou quase prescindiu dele por mim. (Não é bem assim, mas é uma história demasiado complicada e íntima para contar aqui.)

Por muito que me irrite que me digam que pareço irmã dele (não sei porque me irrita), acho que é preferível a não combinarmos.
Espero que continuemos a combinar por muito tempo.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Fevereiro

É o melhor mês para blogar, porque mesmo que se queira escrever um post por dia, só é preciso ter imaginação 28 vezes.

Ocorreu-me agora.

domingo, novembro 06, 2005

Errata

Na minha rua não há só velhos. Também há crianças que gritam toda a tarde aos Domingos, adeptos da bola que gritam durante os jogos, sobre os jogos, para os jogos, apesar dos jogos. Também há alguém (ou alguéns) que assobia estridentemente grande parte da noite (quem é e porquê, não me perguntem) e que agora também trabalha a certas horas do dia.
Na minha rua o autocarro (ou chocolateira, para quem o ouve) passa até à uma da manhã, a meio do ciclo dos camiões do lixo que, inexplicavelmente, passam às 23h30 todas as noites (menos uma, mas não sei qual é) e depois fazem mais uma ronda, cerca da 1h30. (Porque é que os camiões do lixo fazem tanto barulho?)
Na minha rua dão-se mais acidentes, entupimentos de trânsito provocados por inteligentes que páram os carros no meio da estrada e passagens do INEM do que eu alguma vez vi na vida.
Na minha rua passa todos os dias a taxa mais alta de tunnings do país, tenho a certeza. Aceleram a fundo, fazem chiar os pneus, tocam as músicas intragáveis a um volume que rebenta a escala (e os tímpanos) e chateiam que vocês nem sabem.

O meu quarto fica na parte de trás da casa, longe da rua, no caso de estarem preocupados.

Vende-se

Um nariz entupido, pouco útil porque nunca cheirou, mas muito espaçoso.

Um estômago aziento, com uma incrível capacidade de digerir as mais estranhas misturas às mais inusitadas horas. (Não se deixem enganar pela azia. Ao menos não bota fora.) Vem com um intestino perfeitamente funcional e já sem o problemático apêndice, totalmente grátis.

Um cérebro lento e a caminhar para a dislexia. Com muita capacidade imaginativa (sem garantia).


Preços negociáveis.

Os interessados deverão contactar a casa da Mãe Joana.

sábado, novembro 05, 2005

Geriatric Street, take 2

Esqueci-me de falar do senhor dos cafés (a julgar pelo carro), que já por duas vezes ia tendo uma apoplexia, como dizia o nosso outro imortal épico, no restaurante aqui em baixo. Sempre com direito a INEM.
O que me espanta é como é que ele, e passo a enumerar:
1. continua a frequentar o referido restaurante todos os dias (para mim é mais do que óbvio que é um sítio de mau agoiro para aquele senhor);
2. continua a beber e a comer like there is no tomorrow (e se calhar não há, pelo menos para ele);
3. fez parte da lista da CDU aqui para a freguesia;
4. o ponto último não tem nada que ver com o facto de ele ser um acidente-à-espera-de-acontecer ambulante, e supondo que a CDU não tem pré-requisitos de ordem clínica, retiro o que disse;
5. vou mas é dormir como prometi e deixar-vos em paz.

Como diziam os monitores da escola em Cap d'Ail, "Allez au lit!".


P.S. Não afoguei devidamente a pê-u-tê-á da azia. Estou tramada.

São

duas e meia da manhã e tenho uma azia que me faz querer vomitar.
Apercebo-me agora que, nos fins-de-semana em que vamos à terra do engenheiro e, ao chegar a casa, ligamos a televisão de quatro canais, com apenas dois deles visíveis, não é por não termos cabo que não vemos nada de jeito. É porque às duas e meia da manhã NÃO DÁ NADA DE JEITO! Simply put.
Agora que afoguei a azia bem afogada em água das pedras (preferia a de Vidago, quentinha a sair da fonte, mas isso sou eu que tenho a mania que só como biscoitos feitos por freiras belgas cegas), vou dormir. Boa noite!


P.S. Viram o filme, viram? Eu vi o início, que não apanhei ontem, e depois tive de ir buscar o engenheiro ao trabalho. Quem é que cá em casa come os biscoitos das freiras, quem é?

sexta-feira, novembro 04, 2005

The Geriatric Street

Este podia ser o título de um filme, mas não, é mesmo o que eu penso da minha rua. Parece que o meu prédio é a rara excepção de gente jovem, embora as idades sejam as mais variadas.
Já falei dos vizinhos da frente, sempre à janela (reparei há dias que ambos têm uma almofadinha para apoiar os braços quando se debruçam a ver a rua).
Não falei das inteligências raras que dão de comer aos pombos, sim, dão-lhes de comer e, preparem-se, fazem-no duas vezes ao dia! É como dar de comer aos ratos (que também já tive o prazer de ver, na parte ajardinada por trás do prédio).
Também me faltou falar da senhora que tem mais caniches que mãos e pernas juntos e os traz à rua sem depois limpar o serviço feito. Pior mesmo só o facto de sair do prédio dela, dar 4 ou 5 passos e voltar para dentro. Eu sei que o caniche é bicho de pouco exercício, mas as criaturas devem estar atrofiadas (algumas bem parecem).
Há imensos exemplos de que podia falar, como o da senhora, uns prédios abaixo, que está toda a manhã à porta, meio escondida. À porta do prédio, refira-se.
Mas o que finalmente me convenceu de que vivo numa rua geriátrica foi o número alarmante de vezes que vi cá uma ambulância do INEM. A última foi mesmo a mais espectacular, com direito a entrada em contramão e sirenes ainda mais estridentes e desesperadas do que o costume. Não sei qual foi o resultado, mas sei que vieram para a dona da recentemente aberta loja de flores e ervanária, assim mesmo. Mau agoiro ou pressão a mais?

Acho que morando numa rua assim é de esperar que morra alguém de vez em quando, mas fiquei levemente chocada quando, há uns meses, vi o anúncio na porta da mercearia (que não frequentava) relativo à dona da mesma. Ataque cardíaco com direito a autópsia, segundo o que ouvi ao passar por umas vizinhas do prédio ao lado.
Terá sido como no filme? O assassínio do Alto do Pina?

Ontem tive a sorte de apanhar esta pérola do Woody e recomendo que vejam a repetição hoje, no canal Hollywood, às 18h30. Se não forem uns desocupados como eu, vejam pelo menos isto. Gostei especialmente da parte em que o Woody diz à mulher (Diane Keaton) "It's no wonder, we live in the geriatric floor!" (citação não incluída na página, mas que deu origem a este post).


P.S. Esta semana ainda não houve visitinha do INEM. Keep your fingers crossed! (Pela saúde dos meus vizinhos, claro.)