sexta-feira, maio 19, 2017

Gosto do ar. Do vento das janelas abertas, que refresca a casa e areja as coisas. De ter portas e janelas abertas e de segurar as portas dos quartos para não baterem, o vento a abanar papéis e a limpar tudo. 

Suponho que seja mais ou menos da terra do vento, da Vila d'Ala de Setembro, desse anunciar de coisas novas. Sem angústia e sem vontade de fazer malas, como a Juliette Binoche no Chocolate. Não. Só coisas boas, limpar e renovar. 

E um gostinho de ver a roupa a secar tão depressa. (Também amo de paixão a máquina da roupa.)

Sonhei contigo

Estavas deitada ao meu lado num sofá largo, a tua pele muito bonita e tu nua como no hospital. Eras muito nova, provavelmente já nem te conheci assim. Apetece-me dizer a essência de ti, pele muito branca e lisinha, cabelo escuro e bem penteado. 

E eu fiz-te festinhas na cara e fui buscar uma meia para tu coseres, de repente estavas de volta e que jeito me dava. Mas não, não estavas de volta. Vieste despedir-te de mim uma última vez e quando percebi que já não voltavas mais, chorei muito. 

Acordei e chorei muito, as saudades e a sensação de perda.

Guardo esta sensação (e choro quando me lembro do sonho) porque me encheu o coração, de um modo estranho. O coração não tem só coisas boas, guarda muitas mais. 

quinta-feira, dezembro 31, 2015

High, low, high, low... Vou dormir com a esperança de que amanhã seja melhor.
Não aconteceu nada de substancial, apenas dificuldades de comunicação e se calhar umas dificuldades logísticas. Acho que preciso de papel e caneta, eu que nem o mapa de Portugal sei desenhar, preciso de desenhar um mapa para a minha vida. Como a Mafalda (mas sem ano de estudos na China).
Medo, medo, medo. Medo que me faz ter lágrimas nos olhos (oh, drama queen) só de o escrever, como se o fim já tivesse chegado ainda antes de eu ter começado. Teimo em virar as páginas na pressa de chegar, não pode ser. Não há garantias, é como atirarmo-nos do pontão na Petite Anse, parece impossivelmente alto e que estupidez de coisa para se fazer e no instante seguinte, upa, já está, afinal foi tão fácil. Preciso de escrever este medo e um plano e ser realista. Ou ser completamente louca! Mas ser, decidir e agir.
A vida é minha, sou eu que tenho de a viver o melhor que souber e puder (repete 3x por dia).

terça-feira, dezembro 01, 2015

Novembro

Os franceses dizem "fazer o pleno". Eu digo não bebam água por cima de castanhas (gasolina também não).
Foi Novembro  Esqueci-me de tudo o que já devia saber de cor e salteado e aqui vai disto, vamos ao pleno que se faz tarde. Contas a três nem deus as "quês" e essas cenas que dizem os meus conterrâneos, mas eu também me esqueci das raízes e olha. Não foi uma facada, nem duas, mas três. Ainda dizem que isso da Holy Trinity não existe!
Sou capaz de precisar de ser exorcizada. Ou lavada em água de rosas ou uma coisa assim, que isto não é normal.
Buh buh e agora olha, headphones, uma horita e tal de whatsapp e isto há-de melhorar. (Abençoadas chamadinhas!)
Sem buh buh, que não vale(m) a pena. "Tu és mais tu" - ela tem toda a razão.

sábado, abril 18, 2015

Quero dormir

Dormir sem sonhar. Dormir só, sem acordar aflita, não tinha luz, não via nada, estava a ser atacada e não conseguia gritar, saía-me uma voz quase inaudível e eu queria gritar e fugir, mas a paralisação era total e eu acordei desesperada, precisava de sair dali, exorcizar, ainda bem que às três da manhã há quem me responda, só o facto de saber que ela estava ali ajudou. 
E depois outro, acordei às cinco da manhã, tão cansada destes terrores, tenho a cabeça em papas e isto já ultrapassa a sublimação das emoções. Já chega. 
Preciso de dormir na minha cama sem medo, só paz e descanso.
Melhores noites virão. 

quarta-feira, abril 15, 2015

Ainda sonho

Duas horas de sono, apenas duas horas de sono, e eis que se ouve a claquete e "Acção", que isto hoje vai ser a abrir. Sonho com casas estranhas que conheço de outros sonhos, um sistema estranhíssimo de acesso em que ou não há chave ou há demasiadas, há sempre gente zangada e eu já não sei se a sensação é de medo dos ladrões que possam entrar (outra recorrência) ou medo dos hóspedes, eles eram hóspedes ou inquilinos?, pelo ar da minha mãe de aqui-mando-eu-e-bico-calado, má como as cobras, zangada e aos gritos, acho que eram hóspedes, que aquilo tresandava tudo a pensão, os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles.
Vou dizer isto outra vez: os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles. No meio do castanho todo daquela casa horrível (detesto mesmo o castanho, irra), uma porra de um jogo que está sempre ligado na tomada a carregar, mas carrega o vídeo em si, a caixa de DVD, não sei porque é que este pormenor me salta ao espírito, mas foi uma imagem que vi várias vezes naquelas duas horas, aquilo sempre ligado, mas porquê?, e é aí que entra o meu irmão, completamente alheado de tudo e todos, quero lá saber dos hóspedes/ladrões zangados, a mãe está aos berros? e-eu-com-isso?, e eu só tenho ganas de lhe dar três pares de estalos mas não posso, quando acordo o único adjectivo que me ocorre é "incompetente", mas não tem nada a ver com quem o meu irmão é, mas sim (ai o caraças que isto calhava mesmo bem para me fugir a boca para a verdade mas a bem dizer não posso porque enfim e também porque parece mal e além disso é capaz de se chatear comigo por isso não mas que vontade não me falta isso não) com como o meu irmão está. Já sei que isto é agramatical, mas é um sonho, portanto ao lado da falta de lógica pode vir a falta de gramática, não vem daí mal ao mundo. Também havia cães raivosos, cães castanhos e pretos, num estilo de cão-de-fila açoreano e, ó, já chegavam os cães, tinham de ainda por cima ser açoreanos?, mas se calhar é só porque pareciam pitbulls ou porque os tais são feios, porcos e maus.
E foi isto. Duas horas disto. Sei que acordei a meio tipo vira o disco, Joana Alice, mas não houve volta a dar, literalmente, as cenas repetiam-se com algumas alteracões e extensões, mas era o mesmo sonho.
A fúria sai-me pelos sonhos limpinha, limpinha. Mete-me medo e acorda-me e sei bem que isto é prova do stress das últimas semanas, mas há um lado de mim que adora esta capacidade, resolvo as merdas em sonhos e pronto, vejo-me reflectida neste espelho da verdade, espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais dramática do que eu?, arejo as ideias e se calhar fico preparada para enfrentar as coisas. Ou então não...