sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Ainda da percepção

Ando a olhar para o lado a achar que estou a olhar para cima, quando de facto devia estar a olhar para baixo, olhando em frente. Ver o que interessa era giro, não era?
Outra gira: ser eu, como sou. Dizem que sou uma gaja fixe, vejam-me só! As coisas que uma pessoa descobre num só dia muito bizarro.
Rinse, repeat.
P.S. Chorar num chantier só vale se a amiga for das boas, senão é esquecer.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Da percepção das coisas

Domingo à noite fui à festa de anos da minha colega do italiano (ando a aprender italiano há um ano, ainda não tinha contado?) que vive numa zona posh aqui do burgo e tinha a casa cheia de gente que vive noutra das zonas bem da cidadezinha. Eu, felicíssima com o meu quartier working class, portugueses aos gritos por todos os lados e africanos a cada esquina, comecei a recear a reacção das pessoas ao perguntarem-me onde moro, que, for the record, é sempre a mesma, "ah, e não é perigoso?", porque claramente nunca foram ao Intendente em Lisboa às duas da tarde de um dia de semana.
Ontem, ao entrar no meu indiano favorito para um take away muito bem coordenado a partir do autocarro que me levou do trabalho a casa já depois das oito e meia da noite, dou de caras com uma das amigas da minha colega, mais uma que mora na tal zona bem, que ficou muito espantada por me ver ali, ao que lhe expliquei que moro praticamente ao lado. "Oh, you're so lucky! This area is great!".
Tell me about it, pessoa que tem de vir lá da zona bem para a minha zona working-class-portugueses-e-africanos-e-insegurança-pública-ai-que-medo para comer num restaurante bom.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

4

Quatro semanas sem fumar, feitas hoje. (Diz que é sempre às quintas.)
Lembrei-me de manhã no banho, porque ando a pensar fazer um bolo de chocolate para a malta do trabalho quando fizer um mês (quatro semanas não são um mês) - chama-se a isto substituição de vícios, mas só porque não me deixam trazer gin tónicos para o trabalho.
Porque raio estava eu a pensar em bolos de chocolate no banho? - porque o meu cérebro aborrece-se muito desde há quatro semanas a esta parte.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Ai

Dói-me tudo. (Um dia, daqui a muitos meses ou muitos anos, dependendo disto correr bem ou só benzinho, vou-me rir muito destes posts e é para isso que os escrevo, para me rir muito, porque agora só tenho vontade de chorar.)
Dói-me a vontade que tenho de fumar e os pensamentos de drogada que procura um momento solitário para fazer uma coisa às escondidas, hoje de manhã tirei o maço de tabaco da carteira porque estou farta de o carregar para todo o lado e se calhar foi disso, não tenho maneira de saber, mas fora segunda-feira, hoje foi o dia mais difícil até agora. Hoje foi o dia mais difícil, segunda-feira incluída.
Tenho vontade de fumar e estou triste e a tristeza dá-me ainda mais vontade de fumar e isto para quem não luta contra um vício é certamente ridículo, mas estou triste como se tivesse perdido um amor e agora não lhe posso ligar, não o posso ver, mas eu ainda gosto dele e vou ter de viver o resto da minha vida assim, sozinha e incompleta, porque aquele bocado me falta. A analogia, perfeita, é do meu Pai, que também está a deixar de fumar, porque acha que se não deixa aos 68, vai fumar a vida toda, disse ele à minha irmã, que também está a deixar de fumar - somos portanto uma família muito mal-humorada e triste.
(Tenho energia a rodos e ando muito cómica e divertida, segundo consta, mas à noite custa-me muito e só não choro a noite toda porque depois fico com olhos de texugo, já vou ficar de certeza, que já chorei um bom bocado enquanto a minha irmã me tentava dar força ao telefone.)
Não me interessa o resto que se passa na minha vida, sim, gosto muito da Salsa, salvou a minha sanidade mental na segunda à noite, mais o que não me apetece contar, mas que foi bom, Janeiro de 2014 vai ser sempre o mês em que tentei deixar de fumar. Tentei, tento, continuo a tentar. Amanhã é mais um dia.
Preciso de ir correr e devia haver uma licença para fumadores que decidem não fumar, porque fazer isto e ter de trabalhar raia a crueldade.
Entretanto, tenho a estante da sala finalmente montada e não toquei num único parafuso. Ia dizer que não são efeitos secundários de não fumar, mas com um bocadinho de jeito consigo demonstrar por A mais B que são sim senhora, que eu agora bebo mais (de fumadora a alcoólica, dai, Joana, dai) porque tenho mais tempo e porque estou a tentar afogar a puta da vontade, o que me leva a fazer coisas que nunca in a million years, eu?, devem estar a brincar, e isso tem como consequência não planeada, mas muito agradável, ter a estante montada.
Deixei de fumar e fiquei com a estante montada. Dava um livro.

sábado, janeiro 11, 2014

Dia 3 - III

Não sei se já disse que estou a adorar deixar de fumar... Gosto especialmente dos efeitos secundários, como o cabelo todo oleoso, as olheiras pronunciadas - porque ainda não tive a sorte de ter insónias, mas felizmente não durmo tão bem como dantes - e, agora mesmo, esta dor no peito como se tivesse os pulmões aos chutos às costelas. Está a ser is-pec-ta-cu-lar!

Dia 3 - II

Old habits... Ontem fui beber um copo com amigos e hoje de manhã doía-me um bocado a garganta. Reacção automática - tenho de fumar menos.
(Para quem não sabe, aqui é proibido fumar em espaços fechados desde o primeiro dia do ano.)

Dia 3 - I

Muito feliz, ao terceiro dia acordei sem vontade de fumar!
E depois saí da cama... Dor.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Dia 2

O meu cérebro, coitadinho, acredita piamente que vai fumar, já daqui a um bocadinho. Parece as crianças nas viagens de carro, "já chegámos, já chegámos, falta muito??".
Espera... coitadinho uma porra! É o mesmo cérebro que passou a manhã a dizer-me "e agora vais fumar, acabas isto e vais fumar, é agora, aaaaagora!, já a seguir a isto, vai, fuma agora!", sabotador viciado de uma figa, cala-te!

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Para o que havia de estar guardada

Isto de deixar de fumar (ainda não acabou o meu dia 1, portanto falo do alto de uma vasta experiência) é assim (para mim, note-se - não vou falar dos sentimentos e sensações de outras pessoas):
oh meu deus o que é que eu fui fazer, tenho de fumar, tenho de fumar, tenho de fumar,
seguido de ahahahahahahhahahahahahahahah I can beat this!! die, craving, die!!! this is so easy, you stupid cigarette you,
e ainda oh, cigarette, how I miss thee, I really really loved you, you know? (cue misty eyes)
e *cue gajo que me passa à frente na fila* HEY!!!!! J'étais là avant!!!!
Parece que agora tenho o cérebro muito oxigenadinho, pelo que passei a tarde toda com a sensação de estar bêbeda, o que é, convenhamos, uma sensação espectacular, especialmente se estivermos no trabalho.
Também dá muita vontade de fumar. 

Banha da Cobra

Sinto-me defraudada: venderam-me isto de deixar de fumar como a última das maravilhas, "vais ver, vais adorar", que era o paraíso na terra, qual ilha no Pacífico, isto é que era, sem meter tubarões nem escaldões ou voos de 10h em económica, mas afinal isto não tem piada nenhuma, só que agora que já deixei o vício não consigo voltar, é assim que eles nos apanham, depois a gente quer voltar e népias, nada a fazer, fumar nunca mais. Ora grande porra, se eu soubesse o que sei hoje, nunca teria deixado.
(Vendo - cérebro demasiado oxigenado. Barato porque tem ideias auto-destrutivas e sabotadoras.)

No Smoking

Quase a cumprirem-se sete horas sem fumar (desde que acordei, que dormir não conta, deixai-me, calai-bos, eu é que sei!), o meu cérebro não vai na cantiga do SERENITY NOW!!
Estúpido.