quarta-feira, dezembro 31, 2008

O meu avô está internado

numa instituição privada de saúde cá no Porto.
Proliferam os símbolos religiosos e, depois de eu lhe dar o iogurte do lanche, entra no quarto uma freira com ar metediço, como todas têm, que lhe fala em tom paternalista, como todas falam.
"Então, Sr. Manuel, quer-se sentar? Ou ainda não são horas?"
(Como se houvesse horas para sentar, santa Barbara Cook!)
O meu avô, de 94 anos, já quase cego, com um só pulmão a funcionar desde há muitos anos, agora com a respiração muito dificultada pela pneumonia, responde-lhe, no seu melhor estilo trasmontano
"Pra qué?"
Acho que o meu avô também não pode com freiras.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Nada como passar uma noite inteira a vomitar

para pôr tudo em perspectiva. Até o que se acabou de escrever, antes de a odisseia ter início.
Acho que foi um recorde pessoal: sete horas inteirinhas de corridas para a casa-de-banho, de cada vez a parecer a última, mas não, era só para me enganar.
A última só chegou de manhã, já eram 10h30, e eu pensei que não aguentava mais.
Pontos positivos? Muito poucos, claro.
Mas eu gosto de canja.

Neo-masoquismo

A música faz-me lembrar uma altura infinitamente mais triste e solitária da minha vida, há não muito tempo atrás.
Penso no agora e sei que é melhor - ou menos mau.
Por isso deixo-me invadir só mais um bocadinho pela sensação mais parecida com o desespero que conheço, nem que seja para temperar.
Faço como ela e quando parece que não aguento mais, lembro-me de algo feliz e cravo mais os espinhos da coroa que não tenho.
Teria piada se aos 28 ainda fosse como aos 18, baba e ranho e muito drama, desinteresse pela vida e apatia geral.
Mas não. Aos 28 passa como uma constipação, chateia mas não faz mossa.

domingo, dezembro 28, 2008

Ano ímpar

Nunca gostei de números ímpares, vá-se lá bem saber porquê, mas pode ser porque sou uma esquisitinha que atribui características afectivas a quase tudo o que é inanimado, até às meias, que eu sei bem quais gosto de usar e quais só uso quando não há outras, cuecas idem.
O número 9 foi sempre um dos meus despreferidos e lembro-me de em Tróia fazer 9 anos e detestar, Que idade tens? e eu Nove, e até me encolhia por dentro, idade mais feia.
Este ano acaba em 9 e ou estourei a pipoca de vez ou estou diferente, porque gosto do número.
Gosto de dizer 2009, parece futurista mas totalmente alcançável, uma mudança fresca, um número ímpar forte e rebelde.
Enquanto aprecio os últimos dias de Dezembro, penso no que quero fazer para o ano.
2009. Venha ele.

Eu não digo que é lindo?



Salgueiros 2 - Pedroso 2

No estádio da Senhora da Hora o frio que se fazia sentir não arrefeceu o entusiasmo dos adeptos.
O Pedroso entrou forte, seguro, claramente a dominar o jogo.
O primeiro golo apareceu no primeiro quarto de hora, rapidamente seguido do segundo.
O Salgueiros desmoralizava, apesar da forte claque da casa que o incitava.
Corriam menos, não tinham estratégia de defesa, perdiam mais vezes a bola e raramente conseguiam virar o jogo, mas antes do fim da primeira parte marcaram os dois golos que lhes permitiram o empate.
E nós? Nós matámo-nos a rir com os insultos, a fúria, a alegria das pessoas que enchiam o estádio (campo da bola?), incluindo o casal que se sentou ao meu lado e me pôs uma pontinha da manta que traziam em cima das pernas, porque eu me meti com eles. Eu não tive coragem de recusar, confesso. E com o frio que estava, que bem me soube.
A repetir, que o Salgueiral é irmão do Benfica.

De acordar

(seja a que horas for)
Ultimamente tem-me custado muito a acordar. 
Minto, porque acordo de repente, sobressaltada, ainda cansada.
Mas depois quando vejo as horas (e é invariavelmente cedo), viro-me para o lado e custa-me muito a acordar.
Sentir-me acordada e até pensar em sair da cama, mas de repente estar outra vez a dormir sem sequer me aperceber.
Quando as férias acabarem, o ritmo volta ao normal.
Espero eu, que isto de andar na terra dos sonhos não tem piada nenhuma - eu gosto de andar acordada e desperta para a vida.

Acho que não há nada mais bonito

do que o Porto ao amanhecer.
Fotos amanhã, que agora tenho sono.

Às vezes é preciso acordar

Nem que seja a meio da noite.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Ufa!

Acabou-se o Natal.
Agora as coisas voltam ao normal até à próxima quarta-feira, segundo dia mais deprimente do ano: passagem de ano.
Este ano, ao contrário do que passou, não estou desesperada por me ver num novo ano.
Entro no novo ano mais crescida, ainda que mais magra, mais realizada e com mais esperança no futuro.
Cheia de planos e projectos, como convém.
Resoluções? Não tenho.
Venha o que vier, já sei que aguento tudo. Ou tenho de aguentar, que hoje em dia já não se morre de desgosto.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

No meio da preocupação,

troco a minha vida pela dele.
Porque viver morta por dentro não é viver.

No Natal pela manhã

Ouvem-se os telefones tocar
E anda uma grande angústia no ar
OU
Tive um irmão, perdi-o
Mas já apareceu.
A ele, quero bater-lhe e enchê-lo de burro.
A mim, quero acalmar-me e deixar de pensar no que lhe podia ter acontecido.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O dia 24 amanheceu lindo

Sombras cor-de-rosa no horizonte a denunciar o dia brilhante de sol que aí vinha.
Com o astro ao rubro, recebo a notícia de que a vida é tudo ao mesmo tempo, eu tão bem e eles tão mal.
Concluo que a vida (e a morte) é um rio cujo curso não se altera nem espera por ninguém.
Quando passa naquela pedra, lava-a. Somente.

terça-feira, dezembro 23, 2008

O puto é cá dos meus

Descobriu o botão de volume do rádio no meu carro.
Roda aquilo como se não houvesse amanhã e ri-se muito quando a música quase nos ensurdece.
"Vais-te assustar quando começar a próxima, T.", digo-lhe.
E ele ansioso como quem espera uma prenda de Natal.
Salta com o susto, mas continua.
Meus ricos ouvidinhos.

Para a Cristina e a Sónia,

minhas aliadas nisto da beleza exterior (e minhas terapeutas-confidentes de há uns tempos para cá), worry not!
Com o que enfardei no domingo à noite, os três sentados à mesa desde o jantar e sempre a comer, agora pão com geleia, agora queijo, agora presunto, não há magreza que me resista.
Minto: os meus intestinos estão em over-drive desde segunda de manhã, por isso o estrago nem sequer se deve notar.
Ê sô magrinha, deixem-me!

Fui cortar o cabelo na sexta

Já não me reconheço de cabelo esticado.
Entre muitos "está muito magra, o que é que anda a fazer?" e "não emagreça mais, está gira assim", a Rolls Royce das cabeleireiras acertou, como sempre, no que eu queria.
Agora estou com medo de o lavar (sim, que nojo, aguentou-se até hoje) e de voltar aos caracóis.
Passa-me depressa.

Don't stop me now

'cause I'm having a good time, I'm having a ball
Acordei a cantar esta música dos Queen (vénia, vénia).
Deve ser das férias, de acordar ao meio-dia, do sol lá fora.
Será do Natal? Ui, queres ver que fui imbuída do espírito? Xô, xô!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Se quisesse curar alguém,

tinha ido para psicóloga. Ou psiquiatra. Ou Xamã.
Há curso para Xamã?

Primeiro dia de Inverno

O carro marca 18ºC na praia do Lais de Guia às quatro e meia da tarde.
Junto à linha de água, embora a temperatura fosse de certeza inferior, estava bastante agradável.
E depois o pôr-do-sol mais magnífico que vi nos últimos tempos.
Ou se calhar era de mim.

P.S. Agora escrevo em mais um blog. Mais um?? Sim, mais um. Faço colecção.

Coisas boas que vêm por mal

A baixa a pé desde casa. As lojas de Cedofeita, Santa Catarina.
As compras.
A sesta pós-jantar e pré-concerto (Legendary Tiger Man na rua do plano B).
A filha-forno que é tão quente que tenho de me afastar dela na cama, para não derreter.
O neto que descobri ontem ter. E os três na sala branca do Passos a imaginar filmes porno feitos ali ("Foda em Branco", copyright de S.).
O doce económico que nos salvou no carro.
Ah, e os galos por trás de Costa Cabral, que cantam às 6h em ponto.

Maldita tu, Ana Maria

Passos Manuel. Flashback imediato para a festa de 88, a comida, os meus vestidos, as pessoas todas lá em casa, os espectáculos, a comida. A casa com que mais sonho, que definiu e pintou partes inteiras da minha vida.
Depois fui agradecer ao DJ's o bocadinho de passado.
E agora estou a ouvir isto enquanto escrevo e só me apetece rir, principalmente quando penso que quem estiver a ler vai ficar a achar que eu gosto (ou gostava) da música.

domingo, dezembro 21, 2008

Voltei ao meu Porto

Das mulheres bonitas, as botas lindas que se desejam e namoram durante meses, as ruas iluminadas de Natal.
E as compras com a filha.
Já tinha saudades e nem sabia.

sábado, dezembro 20, 2008

Já sei o que quero ser quando for grande

Ontem, a falar para o Porto Canal e para a RTP, senti-me como peixe na água.
Diz quem já me viu na reportagem (toda a manhã na rtpN e no Jornal da Tarde da RTP1) que fomos bem representados.
(Eu só achei esquisito ver-me na televisão.)

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Ê sô anósmicazinha!

No filme do Manoel de Oliveira "A Caixa", Luís Miguel Cintra faz de cego que sustenta a família de uma qualquer calçada de Lisboa com a sua caixinha da ABLB.
A frase emblemática do filme é dita pelo mesmo cego, qualquer coisa como "Mas ê sô ceguinho!"
Para quando um filme sobre nós, os anósmicozinhos?

Do amor às máquinas

De manhã consegui arrancá-lo de casa com o pretexto de irmos ao meu carro.
Delirou. Abriu tudo o que conseguiu, ligou os quatro-piscas, apitou, estava no céu.
Prometi-lhe que mais tarde voltávamos lá, mas saí depois da sesta dele e quando voltei a mãe disse-me que ele tinha chorado - com lágrimas! - porque queria ir ao pópó a Anda.
Os homens são todos iguais, seja aos 2, 20 ou 30 anos.

Ou então

Ainda bem que pelo meio de todas as coisas más, há coisas boas.
Que se distinguem e existem em si mesmas.
As trevas que nos deixam ver a luz.

Coisas espantosas

Boa disposição no primeiro dia do período.

Os melhores cheiros

("Por ordem?" Não.)
Maresia.
A terra quando começa a chover.
Hmm, este não posso dizer.
Ah, e este também não.
Anósmica me confesso: há todo um mundo à minha volta que ando a perder.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A vida double-face

As coisas boas podiam ser só boas, mas não. É tudo double-face.
Ou então estamos imersos de tal forma nestas trevas entrecortadas de luz que misturamos o bom e o mau, até andarem de mãos dadas.
Mantra do momento (e, se calhar, da vida):
There's a crack in everything, that's how the light gets in.
Ele é que sabia da poda.
Adenda: o link estava errado, as minhas desculpas.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Creme fino é outra coisa

Experimentei umas amostras da prateleira da minha Mãe, uma coisa multi-vitaminada para o dia, da Lencastre do Mónaco.
Parece que estou a pôr veludo na cara.

Às vezes apetece-me dizer-lhe

"Olha, tu se não andasses sempre a cair, o que é que gostavas de fazer com o tempo que te sobra?"
Puto mais trapalhão.

Factos estúpidos da vida

Cuidado com o cigarro, aquela porcaria pode incendiar-se mesmo quando o estás a acabar e depois queimas-te e isso aleija.
(Sim, à Bruno Aleixo.)
Aconteceu-me na sexta. Incendiou-se. Com chama. Juro! Fiquei. Parva!

Happy and Bleeding

Isto de andar um ano a lamber feridas já chateia.
Principalmente quando pensamos que o serviço está feito e descobrimos mais uma úlcera.
O que vale é que, entretanto, a saliva está mais curativa que nunca.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Do Hi5

Em conversa com um amigo sobre o Hi5, chegamos à conclusão que não vemos utilidade nenhuma naquilo.
"Mas imagina-nos adolescentes com Hi5", diz ele.
A imagem assusta-me, "ui, havia de ser bonito".
"Os adolescentes agora é que têm sorte, no meu tempo tinha de andar de escola em escola.", remata.
Ahahahahahah!

Tive um apetite, perdi-o

Ai, quem me o dera encontrar
Que comer é uma tortura
Que faz o estômago doer
Preso no fundo do ser,
Ou afogado no mar?
Volta, estás perdoado!
(Prevejo uma época natalícia muito pobre em doces e guloseimas...)

domingo, dezembro 14, 2008

sábado, dezembro 13, 2008

Ia dizer que

apesar disto, o Natal talvez só vá lá de Poo.
Mas depois lembrei-me do jantar dos sem-abrigo.
Pronto, aletria e Poo então.

Espírito Natalício Instantâneo

Basta-me ouvir isto.

Razões principais:
sou boubica por cinema inglês;
gosto destas coisas das comédias românticas, pronto - sue me;
ver este filme no cinema, sozinha, fez maravilhas à minha depressão natalícia de há 5 anos atrás.
E finalmente, Love actually is... all around.

(Desde a Suécia que não consigo encarar despedidas em aeroportos sem vontade de chorar, a minha irmã é testemunha - e principal vítima, coitada.)

O que é pior?

Saber da vida sexual dos pais? (Arghhhh!)
Ou saber dos problemas sexuais dos pais? (ARGHHHHHHHHH!!)

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Alguma coisa ando a fazer bem

Enquanto o vestia depois da sesta, e para o distrair, contei-lhe da visita que ia ter.
"Não!", foi a resposta. "Tu ficas!"
"Eu?", perguntei.
"Xim, tu ficas."
"Fico cá? Não vou para a minha casa?"
"Não."
"E onde é que eu durmo?"
"Aqui", diz a apontar a cama dele.
"Não cabemos os dois aqui", digo-lhe a rir.
Dois anos e já me quer levar para a cama dele.

Se calhar ando a abusar da autoridade

Há dias, ao lanche, disse-me "A Anda é que manda".

Do âmago

Not exactly setting the world on fire, are you?

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Duas Histórias de Natal

Trouxe-lhe o livro da Alice Vieira que comprei já em adulta.
(Continuo a comprar os livros dela.)
Ontem li-lhe a primeira e ele já dormia a sono solto quando acabei.
Hoje, ainda com a Mãe em casa, estava mais inquieto e acho que não percebeu (ou gostou) nada do que li.
Eu, sabendo da audiência que tinha, li a história com todos os cuidados possíveis, mas mesmo assim não previ o efeito que o primeiro presente do Pai Natal teria em mim.
É a primeira vez que leio a história alto, apesar de já a conhecer bem. E acho que se notou na minha voz a emoção ao chegar ao momento final em que a Doroteia apresenta ao Pai Natal a sua filha recém-nascida. Disfarcei com a constipação que anda a rondar-me o nariz.
Hormonas mais parvas, francamente!

Das cidades a brincar

Acho que sou uma campónia. No melhor e no pior sentido do termo, como queiram.
A cidade continua a causar-me espanto e confusão.
Os carros a meio da noite, as ambulâncias com as sirenes ligadas, a polícia em marcha de urgência.
O alcatrão a fazer uma cidade de brincar como aquela que tínhamos quando éramos pequenos, com passeios e curvas e mini-postes de luz.
Esta sensação intensifica-se quando, como ontem à noite, apanho obras nas ruas, o trânsito cortado (e eu sem saber muito bem o que fazer à minha vida porque já não conheço o Porto e confio, desde há mais ou menos um ano, nos caminhos sempre iguais que consegui entretanto aprender) e aquela máquina engraçada de rolo à frente e rolo atrás a nivelar o tapete de alcatrão acabadinho de assentar na faixa ao lado da minha.
Bote-me cá uma pra fazer os meus crepes!

Chef Alice

Por duas semanas, e enquanto a chefe verdadeira está de férias, fui a Chef Alice a cozinhar para os sem-abrigo.
Cuidadosamente instruída pela chefe e com a ajuda e colaboração de todos, fiz um gazpatcho intragável de abóbora e nabo na semana passada e pataniscas de milho com esparguete com molho de tomate esta semana.
Depois de jantarmos e antes de irmos, na casa-de-banho a fazer o chichi que aguentei durante quase 3h (por estupidez, esquecimento, sei lá), pensei que tinha perdido o sentido.
O que é que eu estava ali a fazer? Porque é que depois de quase 4h de trabalho eu ainda tinha de ir não sei onde fazer não sei o quê?
Ah, a lógica de fazer comida é depois ir dá-la. Certo, vamos lá.
E a cada prato de esparguete, ao contrário da semana passada em que me apetecia pedir desculpas a quem ia comer, o sentido voltou.
Acho que deus dá a distribuição conforme o sentido.

Era uma vez um senhor que apanhou um pifo

Este senhor, reformado, bom homem, discutiu com a mulher e apanhou um pifo.
Por pirrice, em vez de ir para casa, vagueava pelas ruas do Porto, que conhece como as palmas das mãos.
Por pirrice, em vez de ir para casa reconciliar-se com a mulher que ama, vagueava pelas ruas até que viu uma carrinha. De dentro dessa carrinha saíram pessoas, jovens, uma mesa, panelas e pratos e comida quente.
À frente da mesa num instante montada, as pessoas alinhavam-se para receber um prato de comida quente.
O senhor, reformado, bom homem, que tinha discutido com a mulher e depois apanhado um pifo, chegou-se às pessoas que serviam a comida e perguntou o que faziam. Nunca tinha visto uma coisa assim.
O senhor, reformado, bom homem, com um pifo, emocionou-se tanto com o que viu que perguntou às pessoas que serviam a comida se aceitavam donativos.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, deu duas notas de 10 euros à rapariga que servia o esparguete, perguntando apenas se lhes dava jeito o dinheiro.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, com um pifo, chorou um bom bocado enquanto continuava a ver a comida e as pessoas e os jovens.
E depois nós fomos agradecer, novamente, a generosidade deste senhor, reformado, bom homem, que ficou genuinamente emocionado com o que fazemos todas as quartas.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

A ver se acordo a enguia dorminhona

Gosto dela

É uma das mães mais low-profile que conheço.
Conhece muito bem o filho dela e tem imensas estratégias para o levar, quase sempre a bem, a fazer tudo. Aprendo com ela.
Acredita no ar puro, até quando está frio, e sai com ele mesmo quando já está escuro.
À trasmontana, sem mariquices.
Até gosto, muitas vezes, do estilo dela: arranja-se bem e hoje estive a admirar-lhe os brincos, que me lembram uns que eu tinha no tempo das barraquinhas na Batalha e das tardes passadas a escolher anéis e brincos, eu era mais brincos, com a filha-amiga quando os professores se baldavam às aulas. Não sei onde estão todos os brincos dessa altura...
Gosto quando me conta que chegou a comer batatas cozidas com pimenta sem dar um ai, para que o marido, neófito no mundo da cozinha, não se intimidasse.
Hoje tem um marido que faz tudo em casa, incluindo limpar a diarreia pelas calças abaixo do filho, enquanto eu, anósmica, chego às toalhitas e lhe tiro a roupa sem problemas.

Enquanto ela vai buscar um cigarro,

eu, que já tinha reparado no eco, penso que se calhar devia dizer algo como "I call her a lot because she's my sister and we talk for long periods of time because the phone company doesn't charge me for it". Mas sei lá se os serviços secretos do Lux entendem inglês...
É a brincar, é a brincar, mas num país com apenas 400 mil pessoas, é muito fácil ter os habitantes todos sob escuta.
Mas só até às 17h, que naquele país ninguém quer trabalhar.
(This is my blog and I live in a democracy which is part of the bigger democracy that's the European Union, I write what I want, go away!)

terça-feira, dezembro 09, 2008

Trago nabiças,

um saco de doces, outro de bolas de sertã, alheiras e cerejas em calda.
Sem saco, mas ainda mais precioso, trago a limpeza dos campos molhados da chuva e o frio do ar que revitaliza.
Depois chego ao Porto e conspurco-me logo toda. Ora, abóbora!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Estou em Paris, numa excursão

Ando na rua e vejo alguém a cantar/pintar/pedir e páro para admirar.
Roubam-me a carteira, que é o estojo dos binóculos do meu irmão.
Desespero. O guia tenta ajudar, mas só depois de apertar com a mulher sem-abrigo que me palmou a carteira (e eu todas as quartas a dar comida aos sem-abrigo...), consigo que ma devolva, peça por peça.
Cheia de medo, entro outra vez no autocarro, dantes odioso, a partir dali porto seguro.
Acordo transtornada com o pesadelo estapafúrdio que tive.
Conclusão: o meu maior medo é o turismo de excursão.

O reino

perde a maravilhosidade quando venho para me esquecer de certas coisas por uns dias
e mas relembram continuamente.
Meus caros, para isso já dei, lamento.

Explico à prima a teoria do frio

Eu: Porque eu já não passava o Outono no Porto há 8 anos, percebes? Quer dizer, claro que ia lá ao fim-de-semana e sentia frio e tal, mas...
Ela: Mas depois voltavas para Lisboa.

Pois. (E parti-me a rir.)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

"The things you have to do for money"

Or for your lazy sister...




"Beautiful". Yes, it is.

Frio

Está frio. Muito. Não percebo...
Depois lembro-me que este é o primeiro Outono (Inverno?) que passo no Porto desde há 8 anos.
(Tenho saudades de Lisboa...)

Só para mim

Love of My Life quase em contínuo, normalmente no banho.
I'm Going Slighty Mad, do qual adoro aquele "and there you have it". (Vão ouvir se não se lembram.)
Who Wants to Live Forever, a qual abandono assim que me surge outro octoverme.
E o Under Pressure, claro.

O médico aconselha

Primos brasileiros. São quentes e abraçam-nos e ô, energia boa!
Depois no msn chama-nos poetas e dizem que somos de açúcar, quanto vale um oceano de distância.
E no fim despedem-se com saudades e um "Amo vcs todos" que deixa a minha lista em vergonha.

Divine

Correndo o risco de ser acusada de coisas esquisitas na cabeça por gostar tanto desta música
ou de começar para aí trends de votações sobre músicas, tenho de dizer isto.
O Freddy era genial, mas com o Bowie, 
com o Bowie é simply divine.
Talvez explique porque tenho acordado todos os dias a trautear músicas dos Queen. Ou não.


Com papel químico.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Enquanto fumo um cigarro na varanda,

a chuva a cair certinha, a mulher do lixo chama-me do outro lado da rua.
"Ó menina, você dá-me lumes?"
Digo que sim, claro.
"É que esta merda não funciona, está tudo molhado, foda-se!"
Desato a rir - ela felizmente não repara porque ainda está a fechar um caixote e só depois atravessa a rua.
Só no Porto!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?

Como muitos sabem, todas as quartas-feiras à noite participo numa distribuição de comida pela baixa do Porto.
Todas as quartas-feiras a pergunta repete-se: Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?
Assim, decidimos organizar uma recolha de meias e cuecas, especialmente de homem, até ao Natal.
Todas as doações serão distribuídas na noite de Natal que, caso estejam desatentos, este ano calha numa quarta.
Sim, na noite de Natal estarei a dar comida juntamente com os Samaritanos, numa tenda gigante ali para os lados do Campo Alegre.
Apareçam! Tragam as meias e cuecas que puderem.

A roupa interior pode ser entregue no restaurante "O Oriente no Porto", na Rua de S. Miguel, nº 19, nas traseiras da antiga Cadeia da Relação do Porto.
Qualquer dúvida ou sugestão, é deixar um comentário que eu respondo. :)

What a perfect day

A chuva lá fora, eu e ele na mesa da cozinha a fazer pinturas com guache, a casa quentinha, eu a cantarolar a música do Lou Reed, tudo perfeito.
Até ele meter o pincel cheio de tinta na boca.

Depois de o convencer a fazer chichi

para a bolinha ("aju não, a veidi"), aka, smile do redutor, tento limpá-lo sem colaboração.
Agarra-se a mim, dá-me um abraço e diz que sou linda.
Como lhe conheço as manhas, digo-lhe "és um xedutor, és um indivíduo que cheira muito a estrume, um xedutor".
Repito o elogio e ele zanga-se, "Não, é o T!"
Chamo-lhe outra vez xedutor até ele ficar muito zangado e depois encho-o de beijos.
É um xedutor, este rapaz, acreditem no que vos digo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Aconselho a irmã:

Guarda que comer, não guardes que escrever.

Homens-gaja

Para quem não quiser ler tudo, uma só frase:
Para gaja já basto eu, dispenso bem o matulão de lágrima pronta no canto do olho.
Agora para os outros todos: esperai aí um bocadinho que eu não lanchei e agora causa-me transtorno estar aqui cheia de fome.

Comida fetiche

No domingo tirei a barriga de miséria (sim, a mesma que digeriu uma caixa inteira de After Eight's, coitada) e não foi só em termos de chocolate. Confeccionei e comi, várias vezes, a minha comida fetiche.
Não, não são hamburgueres, é mesmo massa com beringela.
(Não confundir: ambas são comidas fetiche, mas apetecem-me em alturas diferentes da vida. Ou do mês...)
A beringela era grande e, à falta de tomate maduro, comprei passata e sem querer usei o frasco todo.
Fui generosa na massa e o resultado foi um prato para 4 pessoas que comem bem, mas eu era só uma.
Jantei, ceei e ainda guardei para o dia seguinte. 
No dia seguinte, a minha Mãe almoçou daquilo (pois, tinha muita pimenta, eu sei) e eu também.
E agora só me apetece comer mais do mesmo.
Duas notas: passata não é tomate fresco e não se pode usar um frasco inteiro. A saber, 680g de tomate. 
Pimenta branca é um nojo, maldita a hora em que parti sem querer o meu moinho de 5 pimentas!

Diz-me um gajo

no GChat(o) que vou só ficar gorda.
Sabes o que te digo? Já nem preciso de desapertar as calças para as tirar, por isso não estou muito preocupada com essa coisa da gordura.
(Já com diabetes, colesterol e etc's, estou um bocadinho. Por isso é que resisto a comer outra caixa de After Eight's.)

Em mais ou menos 24h

comi uma caixa inteira de After Eight's.
Será coisa para morrer daqui a três dias?
Ou vou só ficar gorda?

Do fim-de-semana

Correu tudo na perfeição com a recolha para o Banco Alimentar. Pelo menos no meu turno único de condutora.
Cheguei mesmo na hora de carregar a carrinha, saí directa para o BA e, à chegada, só tinha uma carrinha à minha frente a acabar de descarregar.
Perfeito.
Despachada em 45min, viagens incluídas.
O mesmo não se pode dizer dos grandiosos planos de ir a Trás-os-Montes ver a família.
Ainda na Praça Velasques, já despachada, liga-me a prima-irmã a dizer que as estradas estão cortadas. "Vocês não vêem as notícias?!", indigna-se.
Oh pázinha, eu estive a participar na recolha de alimentos e não, não tenho por hábito ver notícias ao sábado de manhã - eu é mais dormir. (Ou chegar a casa, mas isso são outros 500...)
IP4 cortado, A24 cortada, estrada não-sei-quê da Guarda cortadíssima.
Raios! Aviso o irmão, ligo ao Pai que já lá está e sou aconselhada a ficar.
Ao telefone, a Protecção Civil de Vila Real diz-me que a estrada só está cortada no sentido Vila Real-"Amarénte".
Decido ficar. O irmão, vá-se lá saber porquê, decide arriscar.
Fico e ajudo na recolha, 4h ao frio a pedir alimentos às pessoas que entram no Pingo Doce.
Não foi o fim-de-semana que planeei, não vi a neve, não fiz a limpeza típica do Spa espiritual, mas soube bem na mesma. Ajudar, estar com ela, o meu poço-mais-fundo, jantar com amigos, sair, ter a casa só para mim.
O próximo fim-de-semana também é prolongado, a ber a ber...