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quarta-feira, junho 03, 2009
A ciática,
a ciática é que é o grande sinal de velhice. And it's killing me. Maldito bem que faço, que me faz tão mal.
quinta-feira, abril 16, 2009
Do sono
Em Trás-os-Montes dormi como um bebé e horas a fio. Depois veio a festa na aldeia e estragou-me a média, mas por óptimos motivos, copos até às 4h e almoço de Páscoa às 13h na outra aldeia.
E desde aí que não voltei a dormir umas oito horinhas decentes, mas suspeito que o meu corpo já vai habituado, porque ontem deitei-me por volta da meia-noite e meia (que cedo!), músculos arrasados da distribuição, e hoje às 6h40 estava de olho aberto a ver as horas. Virei-me para o lado e dormi até o despertador tocar, que se há coisa a que o meu corpo está habituado e certificado a fazer é adormecer sempre que pode.
E desde aí que não voltei a dormir umas oito horinhas decentes, mas suspeito que o meu corpo já vai habituado, porque ontem deitei-me por volta da meia-noite e meia (que cedo!), músculos arrasados da distribuição, e hoje às 6h40 estava de olho aberto a ver as horas. Virei-me para o lado e dormi até o despertador tocar, que se há coisa a que o meu corpo está habituado e certificado a fazer é adormecer sempre que pode.
quinta-feira, abril 09, 2009
E tenho muito sono de manhã...
Não durmo uma noite inteira, daquelas de acordar espontaneamente, desde a semana passada. Mas não me posso queixar, porque no sábado de manhã fui para Madrid passar o fim-de-semana e só voltei na segunda de manhã.
Na segunda à noite tive os anos de um amigo, copos ao fim da tarde, jantar em excelente companhia (excelente, excelente), mais copos a seguir.
Na terça fui à ópera em excelente companhia e a seguir bebemos finos para comemorar o aniversário da filha-companheira-de-tudo-e-mais-alguma-coisa-excelente-menina.
Ontem fui aos sem-abrigo ("Vem cá o Público? O JN? A RTP?", eles a mandarem bocas por causa da minha ausência dos últimos tempos) e depois copos no Piolho e hoje dói-me tudo porque já não pegava em panelas de 6kg de arroz há muito tempo.
Hoje rumo ao spa, vou dormir tanto que acho que até vou hibernar um bocadinho. Ou não, porque os finos em ToM custam 80 cêntimos e a companhia é óptima.
Nota do autor: os copos várias vezes mencionados foram de coca-cola, a ver se acordava, ou de nada, a ver se não piorava a coisa.
Na segunda à noite tive os anos de um amigo, copos ao fim da tarde, jantar em excelente companhia (excelente, excelente), mais copos a seguir.
Na terça fui à ópera em excelente companhia e a seguir bebemos finos para comemorar o aniversário da filha-companheira-de-tudo-e-mais-alguma-coisa-excelente-menina.
Ontem fui aos sem-abrigo ("Vem cá o Público? O JN? A RTP?", eles a mandarem bocas por causa da minha ausência dos últimos tempos) e depois copos no Piolho e hoje dói-me tudo porque já não pegava em panelas de 6kg de arroz há muito tempo.
Hoje rumo ao spa, vou dormir tanto que acho que até vou hibernar um bocadinho. Ou não, porque os finos em ToM custam 80 cêntimos e a companhia é óptima.
Nota do autor: os copos várias vezes mencionados foram de coca-cola, a ver se acordava, ou de nada, a ver se não piorava a coisa.
quinta-feira, março 19, 2009
Food - o regresso
Já não ia lá há duas semanas.
Ontem tínhamos repórter e fotógrafa do JN connosco. Chegaram pouco antes do arroz estar cozido, fizeram perguntas e depois jantaram connosco. (Quando sou eu a cozinhar nabo sabe a nabo, quando é a cozinheira-chefe/filha sabe bem. Claro.)
Muitas fotografias em S. Bento (e eu com péssimo aspecto, valha-me santa bárbara da vaidosice) e no Carregal armámos em milícia, todos em bando atrás de uns guninhas que iam atrás de um sem-abrigo para lhe bater. Sinceramente... E o JN veio também.
Descobrimos que o 112 não atende. Como é, INEM? Para escrever comentários em blogs estão sempre prontos, mas para atender chamadinhas que é bom, népia. Paízinho mais ou menos...
É costume haver risota geral e cantoria entre nós, mas ontem foi demais. Aparvalhámos. Especialmente na parte em que fazíamos concurso a ver quem aparecia mais nas fotos. E a fotógrafa a pedir-nos para sairmos da frente. Tenho a barriga com'ó aço!
Depois Júlio Dinis e no fim Aleixo, aqui já sozinhos.
No fim da noite inventámos um desporto novo: fazer bolas de sabão com fumo dentro. Para a semana há mais, vamos organizar um campeonato.
Ontem tínhamos repórter e fotógrafa do JN connosco. Chegaram pouco antes do arroz estar cozido, fizeram perguntas e depois jantaram connosco. (Quando sou eu a cozinhar nabo sabe a nabo, quando é a cozinheira-chefe/filha sabe bem. Claro.)
Muitas fotografias em S. Bento (e eu com péssimo aspecto, valha-me santa bárbara da vaidosice) e no Carregal armámos em milícia, todos em bando atrás de uns guninhas que iam atrás de um sem-abrigo para lhe bater. Sinceramente... E o JN veio também.
Descobrimos que o 112 não atende. Como é, INEM? Para escrever comentários em blogs estão sempre prontos, mas para atender chamadinhas que é bom, népia. Paízinho mais ou menos...
É costume haver risota geral e cantoria entre nós, mas ontem foi demais. Aparvalhámos. Especialmente na parte em que fazíamos concurso a ver quem aparecia mais nas fotos. E a fotógrafa a pedir-nos para sairmos da frente. Tenho a barriga com'ó aço!
Depois Júlio Dinis e no fim Aleixo, aqui já sozinhos.
No fim da noite inventámos um desporto novo: fazer bolas de sabão com fumo dentro. Para a semana há mais, vamos organizar um campeonato.
Quem precisa de abdominais?
Eu não, tenho uma distribuição de comida a sem-abrigo. No Carregal já me doía a barriga de tanto rir.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Pelo meio do nevoeiro
(ainda sobre ontem), vaticinamos o aparecimento de D. Sebastião, esfomeado, ali mesmo em S. Bento.
"O meu reino por um prato de comida, senhoras!"
"Ó amigo, você aqui já não manda nada e além disso isto é grátis, coma lá sossegadinho."
"Mas que lavagem é esta que me estais a dar? Seitan?? E quê, não há guardanapos?"
Uns ingratos, estes nobres desaparecidos no séc. XVI.
"O meu reino por um prato de comida, senhoras!"
"Ó amigo, você aqui já não manda nada e além disso isto é grátis, coma lá sossegadinho."
"Mas que lavagem é esta que me estais a dar? Seitan?? E quê, não há guardanapos?"
Uns ingratos, estes nobres desaparecidos no séc. XVI.
Hare Krishna, Hare Krishna
Não estou a pensar converter-me, mas se o fizesse seria pelo reggae Hare Krishna.
Apesar da chuva e do nevoeiro e esta porra dura há 15 dias pelo menos, onde anda o fdp do sol?, entro no restaurante e começo a dançar (devagarinho que está tudo molhado, muito bom para patinagem artística, principalmente se com uma panela de quase 5Kg na mão, como foi o meu caso ontem) porque esta música há-de sempre lembrar-me o Verão e as noites quentes em que íamos de t-shirt distribuir comida, tudo cheio de good vibes e outros sentimentos quentinhos.
Dir-se-ia que é mais fácil ser altruísta no Verão, o que não nego. Mas ontem pude conduzir a carrinha outra vez (e o paralelo tão molhado, a volta que fui dar para chegar ao restaurante com a carrinha vazia-que-perde-a-tracção-toda é tão ridícula que nem conto) e de repente estava-se mesmo bem, chove pr'aí a ver se I care, não há nada nada nada que pague as gargalhadas e a intimidade de um grupo assim, ai netinho que te constipas, e não-me-pises-caraças!, ai desculpa, era o sinal de "chato na área, salva-me!". A clientela, para moderar, estava toda mal-humorada e agressiva e mete-medo. Típico, mas na boa. É para não nos habituarmos mal.
No fim, já no Aleixo, chuva torrencial. A caminho de casa, nem uma pinga. Típico também.
Apesar da chuva e do nevoeiro e esta porra dura há 15 dias pelo menos, onde anda o fdp do sol?, entro no restaurante e começo a dançar (devagarinho que está tudo molhado, muito bom para patinagem artística, principalmente se com uma panela de quase 5Kg na mão, como foi o meu caso ontem) porque esta música há-de sempre lembrar-me o Verão e as noites quentes em que íamos de t-shirt distribuir comida, tudo cheio de good vibes e outros sentimentos quentinhos.
Dir-se-ia que é mais fácil ser altruísta no Verão, o que não nego. Mas ontem pude conduzir a carrinha outra vez (e o paralelo tão molhado, a volta que fui dar para chegar ao restaurante com a carrinha vazia-que-perde-a-tracção-toda é tão ridícula que nem conto) e de repente estava-se mesmo bem, chove pr'aí a ver se I care, não há nada nada nada que pague as gargalhadas e a intimidade de um grupo assim, ai netinho que te constipas, e não-me-pises-caraças!, ai desculpa, era o sinal de "chato na área, salva-me!". A clientela, para moderar, estava toda mal-humorada e agressiva e mete-medo. Típico, mas na boa. É para não nos habituarmos mal.
No fim, já no Aleixo, chuva torrencial. A caminho de casa, nem uma pinga. Típico também.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Só tem sopa, não tem mais nada?
E ela "Ai, desculpe lá".
E eu a rir-me.
Quente, boa, um consolo.
E a cevadinha dos Samaritanos, olá! beijinho beijinho está boa? bom ano!, no fim.
Piolhámos o par de duas no Mais Velho onde está quente e se fuma.
Amanhã tenho de comprar tabaco.
sábado, dezembro 20, 2008
Já sei o que quero ser quando for grande
Ontem, a falar para o Porto Canal e para a RTP, senti-me como peixe na água.
Diz quem já me viu na reportagem (toda a manhã na rtpN e no Jornal da Tarde da RTP1) que fomos bem representados.
(Eu só achei esquisito ver-me na televisão.)
Diz quem já me viu na reportagem (toda a manhã na rtpN e no Jornal da Tarde da RTP1) que fomos bem representados.
(Eu só achei esquisito ver-me na televisão.)
sábado, dezembro 13, 2008
Ia dizer que
apesar disto, o Natal talvez só vá lá de Poo.
Mas depois lembrei-me do jantar dos sem-abrigo.
Pronto, aletria e Poo então.
Mas depois lembrei-me do jantar dos sem-abrigo.
Pronto, aletria e Poo então.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Chef Alice
Por duas semanas, e enquanto a chefe verdadeira está de férias, fui a Chef Alice a cozinhar para os sem-abrigo.
Cuidadosamente instruída pela chefe e com a ajuda e colaboração de todos, fiz um gazpatcho intragável de abóbora e nabo na semana passada e pataniscas de milho com esparguete com molho de tomate esta semana.
Depois de jantarmos e antes de irmos, na casa-de-banho a fazer o chichi que aguentei durante quase 3h (por estupidez, esquecimento, sei lá), pensei que tinha perdido o sentido.
O que é que eu estava ali a fazer? Porque é que depois de quase 4h de trabalho eu ainda tinha de ir não sei onde fazer não sei o quê?
Ah, a lógica de fazer comida é depois ir dá-la. Certo, vamos lá.
E a cada prato de esparguete, ao contrário da semana passada em que me apetecia pedir desculpas a quem ia comer, o sentido voltou.
Acho que deus dá a distribuição conforme o sentido.
Cuidadosamente instruída pela chefe e com a ajuda e colaboração de todos, fiz um gazpatcho intragável de abóbora e nabo na semana passada e pataniscas de milho com esparguete com molho de tomate esta semana.
Depois de jantarmos e antes de irmos, na casa-de-banho a fazer o chichi que aguentei durante quase 3h (por estupidez, esquecimento, sei lá), pensei que tinha perdido o sentido.
O que é que eu estava ali a fazer? Porque é que depois de quase 4h de trabalho eu ainda tinha de ir não sei onde fazer não sei o quê?
Ah, a lógica de fazer comida é depois ir dá-la. Certo, vamos lá.
E a cada prato de esparguete, ao contrário da semana passada em que me apetecia pedir desculpas a quem ia comer, o sentido voltou.
Acho que deus dá a distribuição conforme o sentido.
Era uma vez um senhor que apanhou um pifo
Este senhor, reformado, bom homem, discutiu com a mulher e apanhou um pifo.
Por pirrice, em vez de ir para casa, vagueava pelas ruas do Porto, que conhece como as palmas das mãos.
Por pirrice, em vez de ir para casa reconciliar-se com a mulher que ama, vagueava pelas ruas até que viu uma carrinha. De dentro dessa carrinha saíram pessoas, jovens, uma mesa, panelas e pratos e comida quente.
À frente da mesa num instante montada, as pessoas alinhavam-se para receber um prato de comida quente.
O senhor, reformado, bom homem, que tinha discutido com a mulher e depois apanhado um pifo, chegou-se às pessoas que serviam a comida e perguntou o que faziam. Nunca tinha visto uma coisa assim.
O senhor, reformado, bom homem, com um pifo, emocionou-se tanto com o que viu que perguntou às pessoas que serviam a comida se aceitavam donativos.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, deu duas notas de 10 euros à rapariga que servia o esparguete, perguntando apenas se lhes dava jeito o dinheiro.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, com um pifo, chorou um bom bocado enquanto continuava a ver a comida e as pessoas e os jovens.
E depois nós fomos agradecer, novamente, a generosidade deste senhor, reformado, bom homem, que ficou genuinamente emocionado com o que fazemos todas as quartas.
Por pirrice, em vez de ir para casa, vagueava pelas ruas do Porto, que conhece como as palmas das mãos.
Por pirrice, em vez de ir para casa reconciliar-se com a mulher que ama, vagueava pelas ruas até que viu uma carrinha. De dentro dessa carrinha saíram pessoas, jovens, uma mesa, panelas e pratos e comida quente.
À frente da mesa num instante montada, as pessoas alinhavam-se para receber um prato de comida quente.
O senhor, reformado, bom homem, que tinha discutido com a mulher e depois apanhado um pifo, chegou-se às pessoas que serviam a comida e perguntou o que faziam. Nunca tinha visto uma coisa assim.
O senhor, reformado, bom homem, com um pifo, emocionou-se tanto com o que viu que perguntou às pessoas que serviam a comida se aceitavam donativos.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, deu duas notas de 10 euros à rapariga que servia o esparguete, perguntando apenas se lhes dava jeito o dinheiro.
O senhor, reformado, bom homem, zangado com a mulher, com um pifo, chorou um bom bocado enquanto continuava a ver a comida e as pessoas e os jovens.
E depois nós fomos agradecer, novamente, a generosidade deste senhor, reformado, bom homem, que ficou genuinamente emocionado com o que fazemos todas as quartas.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?
Como muitos sabem, todas as quartas-feiras à noite participo numa distribuição de comida pela baixa do Porto.
Todas as quartas-feiras a pergunta repete-se: Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?
Assim, decidimos organizar uma recolha de meias e cuecas, especialmente de homem, até ao Natal.
Todas as doações serão distribuídas na noite de Natal que, caso estejam desatentos, este ano calha numa quarta.
Sim, na noite de Natal estarei a dar comida juntamente com os Samaritanos, numa tenda gigante ali para os lados do Campo Alegre.
Apareçam! Tragam as meias e cuecas que puderem.
A roupa interior pode ser entregue no restaurante "O Oriente no Porto", na Rua de S. Miguel, nº 19, nas traseiras da antiga Cadeia da Relação do Porto.
Qualquer dúvida ou sugestão, é deixar um comentário que eu respondo. :)
Todas as quartas-feiras a pergunta repete-se: Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?
Assim, decidimos organizar uma recolha de meias e cuecas, especialmente de homem, até ao Natal.
Todas as doações serão distribuídas na noite de Natal que, caso estejam desatentos, este ano calha numa quarta.
Sim, na noite de Natal estarei a dar comida juntamente com os Samaritanos, numa tenda gigante ali para os lados do Campo Alegre.
Apareçam! Tragam as meias e cuecas que puderem.
A roupa interior pode ser entregue no restaurante "O Oriente no Porto", na Rua de S. Miguel, nº 19, nas traseiras da antiga Cadeia da Relação do Porto.Qualquer dúvida ou sugestão, é deixar um comentário que eu respondo. :)
terça-feira, dezembro 02, 2008
Do fim-de-semana
Correu tudo na perfeição com a recolha para o Banco Alimentar. Pelo menos no meu turno único de condutora.
Cheguei mesmo na hora de carregar a carrinha, saí directa para o BA e, à chegada, só tinha uma carrinha à minha frente a acabar de descarregar.
Perfeito.
Despachada em 45min, viagens incluídas.
O mesmo não se pode dizer dos grandiosos planos de ir a Trás-os-Montes ver a família.
Ainda na Praça Velasques, já despachada, liga-me a prima-irmã a dizer que as estradas estão cortadas. "Vocês não vêem as notícias?!", indigna-se.
Oh pázinha, eu estive a participar na recolha de alimentos e não, não tenho por hábito ver notícias ao sábado de manhã - eu é mais dormir. (Ou chegar a casa, mas isso são outros 500...)
IP4 cortado, A24 cortada, estrada não-sei-quê da Guarda cortadíssima.
Raios! Aviso o irmão, ligo ao Pai que já lá está e sou aconselhada a ficar.
Ao telefone, a Protecção Civil de Vila Real diz-me que a estrada só está cortada no sentido Vila Real-"Amarénte".
Decido ficar. O irmão, vá-se lá saber porquê, decide arriscar.
Fico e ajudo na recolha, 4h ao frio a pedir alimentos às pessoas que entram no Pingo Doce.
Não foi o fim-de-semana que planeei, não vi a neve, não fiz a limpeza típica do Spa espiritual, mas soube bem na mesma. Ajudar, estar com ela, o meu poço-mais-fundo, jantar com amigos, sair, ter a casa só para mim.
O próximo fim-de-semana também é prolongado, a ber a ber...
Cheguei mesmo na hora de carregar a carrinha, saí directa para o BA e, à chegada, só tinha uma carrinha à minha frente a acabar de descarregar.
Perfeito.
Despachada em 45min, viagens incluídas.
O mesmo não se pode dizer dos grandiosos planos de ir a Trás-os-Montes ver a família.
Ainda na Praça Velasques, já despachada, liga-me a prima-irmã a dizer que as estradas estão cortadas. "Vocês não vêem as notícias?!", indigna-se.
Oh pázinha, eu estive a participar na recolha de alimentos e não, não tenho por hábito ver notícias ao sábado de manhã - eu é mais dormir. (Ou chegar a casa, mas isso são outros 500...)
IP4 cortado, A24 cortada, estrada não-sei-quê da Guarda cortadíssima.
Raios! Aviso o irmão, ligo ao Pai que já lá está e sou aconselhada a ficar.
Ao telefone, a Protecção Civil de Vila Real diz-me que a estrada só está cortada no sentido Vila Real-"Amarénte".
Decido ficar. O irmão, vá-se lá saber porquê, decide arriscar.
Fico e ajudo na recolha, 4h ao frio a pedir alimentos às pessoas que entram no Pingo Doce.
Não foi o fim-de-semana que planeei, não vi a neve, não fiz a limpeza típica do Spa espiritual, mas soube bem na mesma. Ajudar, estar com ela, o meu poço-mais-fundo, jantar com amigos, sair, ter a casa só para mim.
O próximo fim-de-semana também é prolongado, a ber a ber...
quinta-feira, novembro 27, 2008
Ora, abóbora!
Há bocado fui buscar uns donativos para o Food ao local de trabalho da chefe - um saco de nabos e uma abóbora gigante.
Já só me falta o sapatinho de cristal.
Já só me falta o sapatinho de cristal.
Food for what...?
Mais uma noite em que duvido do que faço ali, duvido das razões, dos princípios, da motivação.
Está frio e tratam-nos mal. Tenho sono e estou cansada e vou lá apanhar frio e tratam-nos mal.
Estamos cansados e ainda temos tanta comida e ameaçam-nos.
Queixam-se da roupa, queixam-se das regras, "Casacos só pode levar um, está bem?", questionam a nossa vontade de dar.
Não somos voluntários cheios de boa vontade e até amor para dar, somos carrascos e polícias, controlamos, moderamos, somos insultados.
Não saímos de S. Bento sem ouvir "É preciso gostar do que fazem", de alguém que diz ter em casa botas de 200 contos, "só estou aqui porque preciso" - desdenha, envergonha-se, mas quer levar tudo. Não pode, "temos mais pessoas".
Julgo que julgam que somos pagos para fazer aquilo. "É preciso gostar do que fazem!"
No Sto. António gritam-nos por não sabermos que sim, o senhor também dorme aqui.
Esgota-se a paciência.
No Aleixo somos ameaçados por um morador, "qualquer dia passamo-nos dos cornos e deitamos fogo a isto tudo". Nós calados.
Questionamos o que fazemos ali, só queremos ir embora mas ainda há tanta comida...
À saída, polícia. Nove pessoas em seis lugares. "Fomos distribuir comida", o polícia ri-se e diz que levamos ali um regimento. Seguimos.
Já é meia-noite quando chegamos a Júlio Dinis. Mais reclamações e nós fartos, cansados, esgotados, burned out.
No caminho de regresso, para consolar, cantamos alto e bom som todas as músicas de Natal que conhecemos. Aquecemos.
Não posso parar para decidir - para a semana sou cozinheira, que a chefe vai de férias.
A vida continua e eu não tenho tempo para pensar.
Talvez seja melhor assim.
Está frio e tratam-nos mal. Tenho sono e estou cansada e vou lá apanhar frio e tratam-nos mal.
Estamos cansados e ainda temos tanta comida e ameaçam-nos.
Queixam-se da roupa, queixam-se das regras, "Casacos só pode levar um, está bem?", questionam a nossa vontade de dar.
Não somos voluntários cheios de boa vontade e até amor para dar, somos carrascos e polícias, controlamos, moderamos, somos insultados.
Não saímos de S. Bento sem ouvir "É preciso gostar do que fazem", de alguém que diz ter em casa botas de 200 contos, "só estou aqui porque preciso" - desdenha, envergonha-se, mas quer levar tudo. Não pode, "temos mais pessoas".
Julgo que julgam que somos pagos para fazer aquilo. "É preciso gostar do que fazem!"
No Sto. António gritam-nos por não sabermos que sim, o senhor também dorme aqui.
Esgota-se a paciência.
No Aleixo somos ameaçados por um morador, "qualquer dia passamo-nos dos cornos e deitamos fogo a isto tudo". Nós calados.
Questionamos o que fazemos ali, só queremos ir embora mas ainda há tanta comida...
À saída, polícia. Nove pessoas em seis lugares. "Fomos distribuir comida", o polícia ri-se e diz que levamos ali um regimento. Seguimos.
Já é meia-noite quando chegamos a Júlio Dinis. Mais reclamações e nós fartos, cansados, esgotados, burned out.
No caminho de regresso, para consolar, cantamos alto e bom som todas as músicas de Natal que conhecemos. Aquecemos.
Não posso parar para decidir - para a semana sou cozinheira, que a chefe vai de férias.
A vida continua e eu não tenho tempo para pensar.
Talvez seja melhor assim.
quarta-feira, novembro 05, 2008
Melancias em Novembro
Hoje o dia parece um jogo 1x2 (Universo x Joana) e ainda só vai a meio.
De manhã atrasei-me para sair de casa e não tinha lugar para estacionar ao pé do restaurante. (1)
Na segunda volta, um carro a sair e um lugar para mim. (2)
Fui buscar a carrinha, mas não a consegui obrigar a subir a rua, por isso fui dar a volta grande. (1)
Só cheguei ao Banco às 10h. (2)
O horário foi alterado, por isso em vez de estar atrasada, tive de esperar quase até às 11h. (x)
Enquanto espero, saem ratos do cabaz de outra associação. Fujo dali sem conseguir conter um grito. (1)
Detesto ratos, que nojo.
Depois de cuidada inspecção, o meu cabaz não tem ratos. (2)
Também quase não tem comida, mas tem dois garrafões de azeite de 2L cada. (2)
O meu telemóvel pifou a meio da manhã. (1)
Agora parece-me normal, mas nunca fiando. (x)
Não consigo descarregar a carrinha de uma só vez porque os carros atrás de mim querem passar. (1)
Depois de tirar finalmente todos os sacos, troco o meu carro pela carrinha, num dos estacionamentos mais fáceis que já fiz, sem atrapalhar o trânsito e sem incomodar ninguém. (2)
Saldo final: como é que ainda há melancias em Novembro?
Às 3h30 da manhã,
hora portuguesa, Obama dirigia-se para o Grant Park para o provável discurso de vitória.
Eu, como sou céptica, nem queria acreditar no que via, para não ficar desiludida, e fui dormir.
Hoje, antes do despertar das 7h30 para ir ao Banco Alimentar, acordei de repente com uma preocupação: o Obama ganhou ou fui eu que sonhei?
Sensação irreal.
Confirmei a vitória no JN pousado em cima da mesa do café onde tomei o pequeno-almoço:
Barack Obama ganhou.
Até o Sol está mais bonito hoje - e eu estou sem palavras.
P.S. É claro que vou ao aniversário do meu avô. Obrigada pelos votos.
Eu, como sou céptica, nem queria acreditar no que via, para não ficar desiludida, e fui dormir.
Hoje, antes do despertar das 7h30 para ir ao Banco Alimentar, acordei de repente com uma preocupação: o Obama ganhou ou fui eu que sonhei?
Sensação irreal.
Confirmei a vitória no JN pousado em cima da mesa do café onde tomei o pequeno-almoço:
Barack Obama ganhou.
Até o Sol está mais bonito hoje - e eu estou sem palavras.
P.S. É claro que vou ao aniversário do meu avô. Obrigada pelos votos.
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