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sábado, junho 26, 2010

É fazer as contas

Andei a pensar e concluí que sou menina para ter lido pouco mais de 100 livros na vida. Não sei precisar quantos, ao certo, mas parece-me que o número é bastante vergonhoso mesmo sem precisão. Senão, vejamos os números: (quase) 30 anos de vida, 24 deles alfabetizados (não sei precisar quantos letrados, porque ainda hoje tenho alguma dificuldade em preencher formulários da Comissão Europeia, mas já me disseram que isso não é de mim), o que dá uma média de quatro livros por ano (give or take). Tendo em conta que sou perfeitamente capaz de devorar este número em duas semanas de férias, estou neste momento bastante envergonhada. Mais: se tivermos em conta que já pintei o cabelo sete vezes na vida e, ao que a brincadeira custa, podia ter comprado cerca de... hummm... seis vezes três, dezoito... para aí 16 livros caros, ou seja, bastantes livros baratos e mais umas quantas pechinchas, a minha urgente necessidade de livração parece-me um escândalo. De modos que é assim. Faço 30 anos daqui a três semanas e só li uma centena de livros na vida. Help, anyone?

terça-feira, maio 11, 2010

Um clássico a € 3,50

Na verdade, ficou-me por € 3,15 (vantagens de aderente). Unputdownable. Ou não fosse o génio de Oscar Wilde, The Picture of Dorian Gray. O Gatsby aguarda melhores dias.
(Já posso pintar o cabelo?)

terça-feira, abril 27, 2010

Dos livros

Armada em adulta, ando a ler os clássicos. (Foi um assalto a biblioteca alheia muito bem sucedido, devo dizer.)
Não sei porquê, depois de começar "Our Man in Havana", de Graham Greene, saltei para "The Great Gatsby", do Fitzgerald. Arrependo-me a cada página (e ando a remoer nisto), porque ou a linguagem (e quiçá a cultura) dos anos 20 é muito estranha, ou o jovem é muito bom rapaz, mas um grande chatinho. Insisto. Hei-de ler o raio do livro, nem que seja para dizer que o li!
E agora o Facebook sugere-me a Jordan Baker como amiga. Ele há Bruce ou não há?

sexta-feira, abril 23, 2010

Uma das grandes vantagens (se as há)

de estar desempregada, é ler. Tempo para ler. Vontade de ler. Fome de ler. E depois os livros, claro. Dissocio as duas coisas, como convém a uma cabeça tão complicadinha. Ler e Livros. Dois prazeres. (Em tempo de vacas magras, até de prazeres, uma pessoa multiplica e desdobra as coisas para renderem mais.)
O único senão é que os livros acabam e a fome não. (Ainda um dia hei-de escrever sobre o fim, o meu ódio preferido. Em tudo, filmes, livros, cigarros, músicas, comida, o fim é sempre mal colocado, na minha opinião.)
Assaltar as bibliotecas dos amigos é delicioso. Mas na segunda vou inscrever-me na biblioteca.
A juntar a esta lista, pequeninas mas importantes coisas. Descubro um café muito agradável, perto de casa mas longe o suficiente para arejar a cabeça, com internet wireless gratuita, onde se pode fumar. Aprendo caminhos. Saio de casa. Ganho uma amiga.
(Vamos ver quanto tempo dura o anúncio...)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Como tornar-se obsessivo-compulsivo

Diz o J. L. Pio Abreu em "Como tornar-se doente mental" que o objectivo é a preocupação com detalhes, listas, inventários e outros do género, perdendo a noção do propósito dos mesmos. (Por alto.)
Eu gosto de listas. Gosto de detalhes, mesmo dos que não se vêem - ou principalmente desses.
Aliás, na minha urna de recém-cremada quero que escrevam "Was a sucker for detail".
Não sei se tenho perfil de Martha Stewart (e os leitores mais atentos saberão que gosto pouco da mulher), mas gostava de ser uma Jamie Oliver. 
Cozinhar assados cheios de legumes, com sabores de deleitar qualquer um, desde o mais exigente gourmet ao fast-foodeiro empedernido.
Ou pastas cheias de tomate e geniais na sua simplicidade.
Sopas reconfortantes, sanduíches originais e suculentas, sobremesas deliciosas.
(Confesso que as sobremesas estão no fim da lista, detalhe de somenos importância.)
Se calhar isto é de não poder comer tudo o que quero, ou do período, ou de ter feito uma limpeza total, ainda que forçada, ao meu sistema digestivo, que resultou em que tudo me saiba a pedaços de céu, mas se me apanho com um livro do Jamie nas mãos, posso nunca mais ser vista fora da cozinha.
Para já, contento-me em salivar virtualmente.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Duas Histórias de Natal

Trouxe-lhe o livro da Alice Vieira que comprei já em adulta.
(Continuo a comprar os livros dela.)
Ontem li-lhe a primeira e ele já dormia a sono solto quando acabei.
Hoje, ainda com a Mãe em casa, estava mais inquieto e acho que não percebeu (ou gostou) nada do que li.
Eu, sabendo da audiência que tinha, li a história com todos os cuidados possíveis, mas mesmo assim não previ o efeito que o primeiro presente do Pai Natal teria em mim.
É a primeira vez que leio a história alto, apesar de já a conhecer bem. E acho que se notou na minha voz a emoção ao chegar ao momento final em que a Doroteia apresenta ao Pai Natal a sua filha recém-nascida. Disfarcei com a constipação que anda a rondar-me o nariz.
Hormonas mais parvas, francamente!

quinta-feira, maio 22, 2008

Encontrei o conterrâneo e tive de o trazer,

Coimbra, 1 de Fevereiro
A gente não endoudece de desespero. Há um tal poder de recuperação dentro de nós, que cada trovoada que vem encontra o corpo já esquecido da que passou. Ou então, se padecemos duma tristeza endémica, estamos vacinados contra as crises agudas da doença. A natureza organiza estas coisas bem. Já contando com as nortadas do mar largo, deu ao pinheiro uma fibra tão obstinada que ele torce-se nas dunas, nodoso e corcunda, mas não quebra nem morre.

Miguel Torga, in Diário V, Coimbra


abri-o na página 73 ao acaso e li isto,
aqui não há acasos.