sexta-feira, março 31, 2006

1992

Verão. Paixão assolapada por um rapaz mais velho e tão baixo que acabei por ultrapassá-lo em altura. Vila Nova de Milfontes. Glândulas mamárias em desenvolvimento. A expressão "trolhiço!".


Inspiração: contador de visitas.

quarta-feira, março 29, 2006

Martha

Nunca percebi muito bem esta mania da Martha Stewart e respectivas wanna-be's. Nunca me pareceu muito lógico ter, como objectivo de vida, uma casa perfeita, cheia de tralha perfeita, de acordo com as estações perfeitas e todas essas perfeitices irritantes. (Aprecio algumas ideias pontuais, mas nunca o total - acho-o mesmo assustador.)
A SicMulher passa agora o programa de tv dela. Não tenho noção da actualidade deste, mas julgo que é recente. Nunca vejo, confesso. Apanho-o entre zappings.
Tudo isto para dizer que hoje, depois de ver a Martha durante cinco minutos, cheguei a uma conclusão: deve ter uma equipa de gente cheia de talento e jeito para lhe fazer as coisas.
Ela é uma trapalhona!

Confesso que me atrai mais o lado sórdido dela.

terça-feira, março 28, 2006

Bússola

(Ia comentar ali no post de baixo, mas decidi usar os meus privilégios de administração e sai um post.)
A bússola é como um mapa: é só uma coordenada. Para nos orientarmos, precisamos de duas coordenadas, pelo menos. A mim a bússola não me serve de nada. A não ser que esteja num espaço aberto onde possa ver livremente o sol, nunca sei para onde é oeste, este, norte ou sul.
Portanto, para estas coisas, precisamos de bússola e mapa. Ou uma carta topográfica decente! Mas ter um escuteiro à mão é sempre uma boa alternativa.
E aproveito a oportunidade para fazer já aqui um repto: no próximo fim-de-semana há mais?

segunda-feira, março 27, 2006

Serra do Risco

Como poderão ter reparado pelos comentários (só para os mais atentos), a direcção do Isto é de Joana (doravante conhecido como IedJ) e acompanhante decidiram fazer a vontade ao dedo (ao pé, neste caso) e combinaram um passeio pela Arrábida com a direcção do A Vida não é um Padrão (doravante conhecido como AVneuP) e acompanhante.
A coisa não começou bem. Para já, um sábado mal organizado fez com que cozinhássemos a ementa do dia seguinte (quase) pela noite dentro. A juntar a isto, uma mudança de hora que nos veio roubar 60 minutos a um sono que escassas horas teve. Uma tristeza.
Farta de estar sempre atrasada, a direcção do IedJ decidiu levantar cedinho (8h30 da hora nova), tomar o seu banhinho e acabar de arrumar o piquenique. O acompanhante, por estas horas, dormia um sono pesado, só momentaneamente interrompido pela homilia de Domingo de manhã da Antena1.
Tudo decorria como planeado, até a direcção do AVneuP e acompanhante decidirem ligar, por volta das 9h (hora marcada para aparecerem cá em casa) para dizer, entre bocejos, que se calhar a hora antiga era uma hora mais bonita. Apareceram às 10h30, sensivelmente.
Finalmente no carro, rumo à ponte Vasco da Gama, que na outra corria-se de outra forma, toca a sacar dos mapas, cartas topográficas e percursos recomendados tirados da internet.
Paragem obrigatória num tasco de beira de estrada para um café (havia uma direcção e um acompanhante cheios de sono e não éramos nós) e toca a rumar à aldeia de Pedreiras.
Acabadinhos de chegar, indicações de um habitante no papo, lá vamos nós, de mochilas e máquinas fotográficas às costas, fazer um percurso aconselhado a pessoas com alguma preparação física. Foi mais ou menos nesta altura que eu percebi que era melhor voltarmos para trás, mas não querendo dar parte de fraca, avançámos.
Por onde é, por onde não é, apenas uma pedreira gigante e feia como ponto de referência, decidimos arriscar e seguir os instintos de escuteiro do acompanhante cá de casa. O mal foi quando seguimos os instintos de não escuteiro de uma certa direcção que eu não digo quem é, mas aponto.
"É por aí acima, a direito", dizia ele. E o caminho, óbvio, a apenas uns metros de distância, mais acima na estrada da pedreira.
"Parece-me que é por ali, não?", dizia esta direcção, apontando (eu gosto muito de apontar e não acho que seja feio) para o caminho, óbvio, claro, só uns metros mais acima.
Como até ali eu me tinha portado miseravelmente, revelando a mariquinhas que há em mim, choramingando nas descidas mais acidentadas e suplicando ajuda nas subidas mais íngremes, as minhas palavras caíram em saco roto (as they should), e lá fomos nós pelo caminho mais difícil.
Difícil é eufemismo. Maldissémos as indicações do percurso que referiam apenas que "a mata mediterrânea densa poderá dificultar a caminhada", jurámos vingança em forma de emails de protesto, rogámos pragas ao responsáveis do site, aos responsáveis pelo parque Natural da Arrábida e até aos responsáveis por haver vida vegetal na terra.
Subimos por entre arbustos, silvas e árvores, muitas vezes tendo mesmo de desbravar caminho, de tão densa era a vegetação. Escorregámos (e caímos) por pedras cheias de musgo, terra lamacenta da chuva e ramos pouco próprios para apoio. Arranhámos mãos, braços e pernas, a tentar passar por entre azevinho, alecrim, urtigas e arbustos de toda a espécie.
Desesperámos em pontos onde nem sequer podíamos seguir de pé, onde só se passava por baixo da vegetação. Desesperámos em pontos onde parecia não haver saída, nem para cima, nem para baixo.
Quando finalmente chegámos ao cimo, quase caímos do outro lado, a falésia a pique para o mar. (Mas seria uma linda maneira de morrer, lá isso...)
Desiludidos com o resultado da escalada, decidimos parar para almoçar, esfomeados (já eram três e meia).
Depois de um belo repasto e de observarmos convenientemente as vistas e a neblina que subia do mar com o vento (e a nuvem negra que se alojou sobre nós), toca de arrumar a tralhinha e tentar descer, todos a torcer por um caminho melhor.
E não é que havia? Tão melhor e tão fácil era, que nos levou 15 minutos a descer, apesar de ser um caminho mais comprido. Nós demorámos quase três horas a subir.
Com o medo da chuva e do mau tempo, não ocorreu a esta direcção levar um protector solar. Resultado: a direcção deste vosso IedJ tem o nariz queimado do sol (todo vermelho, qual cartoon) e o acompanhante desta direcção tem a cara, exceptuando a zona da barba, vermelhinha como um tomate.
Notas para uma próxima experiência: levar protector solar, seguir os percursos recomendados (e não os inventados) e comer mais vezes. Estar a morrer de fome não ajuda a sensação de desespero causada por um caminho a corta-mato.
Ah, e pôr açúcar na tarte de maçã. Para a próxima não me esqueço!

1900

Gosto deste número. Mil e novecentos. O blog também gosta deste número.

sexta-feira, março 24, 2006

Sol

Farta de chuva, como decerto estará o resto do país, vou aproveitar o sol para fazer variadíssimas coisas. Ou as que me forem possíveis até o tempo voltar a virar. (Preparem-se.)
Este tempo é detestável (o de chuva, não o de sol). Não se pode secar roupa (o meu cesto de roupa suja que o diga, que transborda há mais de uma semana), o cabelo estraga-se todo (e não me venham a mim também falar de seca), mesmo depois de muito trabalhinho com ele, os humores degradam-se e a vontade de fazer o que quer que seja é nula.
Vou à baixa, a ver se me passa!

Apercebo-me

agora (ontem já passava das duas) que o post ali de baixo mostra uma faceta muito medíocre de mim: a de viciada na blogosfera. Pior, faz-me lembrar uma frase memorável de uma senhoria/companheira de casa que uma vez tive, que dizia "Eu adoro ler, tenho sempre uma revista à mão". Não fiquei naquela casa muito tempo, como podem compreender.

Aborrece-me

muito não saber o que escrever. É assim uma espécie de tédio auto-induzido, vírus por demais insidioso e pestilento.
Também me aborrece não ter o que ler, nessa blogsfera fora. Concordo, podia ir ler um livro (e faço-o, juro que faço), mas neste momento é quase como apetecer-me chá e ter de me resignar com água quente.
Aborrece-me principalmente saber perfeitamente que já me fartei de ler coisas boas (e más) por essa blogsfera fora, já li, inclusivamente, um blog inteirinho, como gosto de fazer quando descubro algo bom. Mas, e é aqui que está a parte aborrecida da questão, nem isso me chega. Pior, quanto mais leio, mais quero ler.
Obsessivo-compulsiva, eu? Que ideia.

terça-feira, março 21, 2006

De coração

Aqui a cabecinha tem andado ocupada com grandiosas ideias de decoração. Como não cabem cá em casa, decidi começar em pequeno. Para já, para já, vai a secretária. Depois da barrela necessária há mais de um ano (que digo eu, há mais de dois, seguramente), fui espreitar o catálogo para me decidir por umas coisas giras e práticas, como é costume. E baratas, que se o espaço não é dado a grandiosidades, muito menos é o orçamento. (Um pequeno aparte: detesto escrever baratas quase tanto como detesto o bicho homónimo, mas que se há-de fazer...)
É claro que me foge logo o dedo para as cozinhas, mas a de cá de casa é mesmo um quebra-cabeças, não há muito a fazer. Exceptuando deitá-la abaixo e construir uma nova, mas para isso nem um orçamento imaginário nos chega. Adiante.
Também me foge o dedo e a vontade para as casas-de-banho, um espelho assim, uns cestos assado, uma prateleira além, enfim, rebento num instante com o orçamento e ainda nem lá pus os pés.

Tem tudo isto que ver com o facto de, nos últimos tempos, termos feito algumas mudanças radicais cá em casa. Desmontámos o monstro que dava pelo nome de Secretária Dele e comprámos uma bela substituta, que por ser menos sugadora de espaço, concedeu em ter um novo móvel ao lado, para a televisão. Isto vai, isto vai.

O que mais falta nesta casa é espaço de arrumação, ou espaço em si mesmo. Como de momento não há grandes perspectivas de nos mudarmos, vamos remediando o caso com três medidas: reduzir a tralha que já cá temos, o que significa virar tudo do avesso e ser impiedosa com o que tem de ir para o lixo, numa purgação sem misericórdia.
A segunda medida é a de organizar cada vez mais e melhor o espaço de que dispômos, através de caixas, cestos e afins. Muito inteligente, na realidade.
A terceira é prescindirmos de coisas que não necessitamos de ter cá em casa, sempre à mão. O que quer dizer, basicamente, levar as coisas para casa dos papás que têm arrumos e terraços e garagens e de certeza mais espaço que nós. Admito que esta última não seja muito válida como regra universal, mas agora tem mesmo de ser assim.
Quando voltar da minha expedição tenho de certeza muito mais para contar. É um até logo.

terça-feira, março 14, 2006

Ai, que saudades

que eu tenho do meu bloguinho! Não parece, eu sei.
Retomaremos a programação habitual dentro de momentos. Obrigada pela sua atenção.

quinta-feira, março 02, 2006

O Carnaval

Ai, o Carnaval, o Carnaval. Agora não estou com grande paciência para contar, senão ficavam já a saber como me diverti com um certo blusão de motoqueiro e me aborreci num certo centro de inspecção automóvel (Fevereiro é um mês danado).
Uma coisa digo já: foi um fim-de-semana prolífico em fotografias!
O resto fica para mais logo.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Mecanismos do Corpo

Não adianta. Eu não quero perceber, mas a verdade está lá, escarrapachada. (Ah, palavra gira!)
Já devia ter percebido, aprendido e memorizado que eu e a Nutella somos incompatíveis (válido também para sucedâneos, imitações e variações, como croissants de chocolate), especialmente se a quente, como numa torrada ou num croissant/pão aquecido. Dá-me uma azia que é ver a Água das Pedras a desaparecer!
Devia estar agradecida, eu. Isto é o meu corpo a impedir-me de comer até ficar como uma bola ou mini-baleia.

Não, ainda não fui aos óculos. Vou agora que está a querer começar a chover outra vez, que eu cá é só inteligência.

Injustiça

Quer uma pessoa ir comprar uns óculos novos para meter nas bentas e está a chover!
E depois dizem que o português não estimula a economia, não estimula, e ela estagna. Mas quando está aqui uma pessoa prontinha a estimular, a estimular, chapéu! (Neste caso, de chuva.)
Manel, da próxima vez que deixares o meu guarda-chuva (sim, que eu sou do norte) no cabeleireiro, bato-te! Quero lá saber que sejas meu Pai.

Ah, já está sol. Não façais caso do mau feitio anterior, caros leitores.


P.S. Bentas, sim, em vez de "Ventas". Para começar, porque "Ventas" soa-me a "Fêveras" ou "Vilhete" em vez de "Bilhete". Depois porque ventas fazem os espanhóis. E terceiro, porque eu gosto mesmo é de deixar esta pronúncia asfixiada sair cá para fora pontualmente e dizer uns bês em vez de uns vês.
Agora que já não ando a asfixiar a córnea (ai, que confortáveis são as lentes novas), decidi não asfixiar mai'nadinha!

E se queixas tiverdes, ide ler esta menina e calai-vos. Lê-de-a na mesma, que ela merece!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

O link

Afinal até podia linkar, e contrariamente ao que disse antes (tudo mau feitio), vou fazê-lo.
Já que não podem ler a crónica online, vão lê-la a ela online. Prometo que vale a pena!

P.S. Gostei muito! Parabéns, Catarina!

Estou

à espera de um mail que não chega (aliás, de vários) e já me fartei de esperar.
Vou mas é à rua ver se me actualizo na Psicologia! (Não sei se te posso linkar, por isso não linko. E mesmo que possa, não linko mesmo que é para aprenderes! Sei que vou adorar o que escreveste.)
Já volto!

O factor Aloe Vera

Aqui há uns tempos, refastelado na casa-de-banho a ler a sua Dica da Semana, diz-me o senhor meu amo. "Ó Joaquina, tu sabes o que é isto do Aloe Vera?"
Ao que eu respondi, criada educada que sou, "Sim, senhor meu amo. O Aloe Vera é assim um bento que bem e leba tudo!" Não, isto eu não disse, que faz parte de uma piada que além de private, é familiar. Retomando.
"Sim, senhor meu amo. O Aloe Vera é uma planta parecida com um cacto." (Educada sim, mas burrinha como um cepo.)
E diz ele, o meu amo, Dica aberta na página intrigante que anunciava miudezas de vestuário: "Mas para que serve?" e eu, toda contente por ele apelar à minha veia de médica-carpinteira de trazer por casa, desato a debitar.
Não contente com o meu conhecimento enciclopédico de bolso, ele volta à carga. "Mas porque é que estas meias [as tais da Dica] têm isso?" Aí, confesso, nem a minha sabedoria de curandeira de meia-tigela me valeu. E nem agora, noites e noites volvidas sobre o assunto, insónias desesperantes a remoer as ideias, me ocorre semelhante utilidade.
E vós, sabeis?
É que se não sabeis, ponde-vos a pau, que agora até metem daquilo nos iogurtes!


E o que eu me vou rir quando descobrirem que o Aloe Vera é o Flúor do século 21!

É mentira!

Diz este senhor, aqui neste post, que a largura de banda útil cá de casa é de 1,37Mbps.
É tudo mentira, digo-vos eu! Ora vejam.

Tecnologia: CABO
Velocidade Contratada:
2Mbps
Largura de banda útil: 1.91 Mbps
Pode realizar downloads a 244.34 KB/sec.

É preciso que se diga que o meu computador é maior que o dele, por isso se calhar rouba a largura de banda toda e ele fica sem nada...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Excepcional

Para compôr o ramalhete que foi o dia de ontem, fui espreitar para um buraquinho e ler umas letras na parede. Depois mandaram-me ir a outro sítio, o das lentes mais pequenas.
Lá, ao primeiro buraquinho para onde espreitei, recebi a notícia. "Esta curvatura está toda trocada, toda trocada." E eu de óculos, para ter a curvatura direitinha.
Parece que ando há mais de 6 anos a asfixiar. Afinal não era a miopia a aumentar, era a asfixia. Espantoso é ainda ver...
Pertenço aos 12% da população mundial que não obedece aos 8,6. Não, eu sou mais acima, sou 8,9. Agora resta-me esperar pela encomenda, a ver se me adapto.
Nos entretantos, andar de óculos é bastante confortável. Respiro melhor, isso de certeza. Mas vejo pior, porque estão desactualizados. Ardem-me os olhos... Serão saudades das lentes?

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Detesto

que me adulterem o nome e me chamem Susana.
Infelizmente é mais frequente do que poderia pensar-se. Acontecia na escola, na farmácia, agora acontece até na lavandaria. No recibo da roupa que lá deixei diz "Joana", acabadinho de escrever, mas quando o recebo ouço um "Aqui tem, Dona Susana".
Não há explicação.


E logo eu que odeio o nome Susana...

O Martim Moniz,

as viagens de comboio, a família, os filhos dos outros, a obesidade infantil, as incursões por novas áreas, as insónias e o aniversário de alguém muito querido.
Um fim-de-semana cheio.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Acabei

de me matar a rir a ler a tradução automática que o Google faz do meu blog. É muito complexo para ele.

I'll probably have to start writing it in english as well, so my estranged relatives in the UK can take a peek. (You know who you are!)
Or I'll try to post more videos and photos, as those require no translation.

Cheerio, old mate!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Tenho

as lentes sujas. Nada que saber, fossem elas lentes de óculos. Mas não são. São de contacto. O que quer dizer que estão dentro dos meus olhos, o que quer dizer que estão sujas porque tenho os olhos sujos, têm gordura porque tenho os olhos gordos.

Na sexta passada fui ao centro de saúde. (Sou uma chupista.) Ela deu-me uma caixinha (não tinham mais) e perguntou se me podia pesar. Assim num tom de "Se não levar a mal...".
Ele chama-me elefante, carinhosamente, na cama. (Não percebe nada de sexo.)
Se calhar há qualquer coisa que me anda a escapar, não sei.

Mas, para todos vocês que pensam que eu já não preciso de transportes públicos porque posso simplesmente rolar pela cidade fora, enganais-vos! Estou mais leve, as calças servem melhor (o raio das botas é que me estão maiores, um fenómeno) e, lá no gabinete da enfermeira, pesava menos do que estava à espera. (Não esquecer que estava vestida e calçada.)

Conclusão: a gordura das lentes? Estou a perder peso pelos olhos.



Não sei qual é o segredo, garanto.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

O vídeo


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Ora vejam bem o senhor a acenar.

Junk Mail

A Vera Passarinho, da ERA Mediação Imobiliária, responsável pela minha área de residência, quer ajudar-me a vender ou a comprar o meu imóvel. (O imóvel não é meu, será que o consigo vender mesmo assim?)
A IBS, Alumínios tem facilidades de pagamento, crédito até 60 meses e orçamentos grátis para marquises, janelas, portas, portadas e até traz uma receita de marisco no verso.
A Medi-Lux, Serviços de Saúde quer mostrar-me um plano de assistência médica e familiar. "Sempre a olhar por si", dizem eles.
Se as coisas não correrem pelo melhor, posso sempre recorrer aos serviços da Funerária Popular, "Nobel", aqui mesmo na minha rua. (How creepy is that?)

Isto tudo na minha caixa do correio, só de hoje. (Não vou falar do email, que já lá ganhei umas dez lotarias milionárias.)
E tudo porque alguém cá em casa gosta de ler os folhetos dos supermercados e lojas de informática.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Baby's got a new blog

Ainda um WIP. Mas promete!

Margaritas,

Fajitas e Tequilla. Jantar no Mexicano, pois claro! Cheio de cores, luzes, ritmos calientes e boa companhia.
Mais uma vez, Parabéns!
Andale!


Mais um sábado bem passado.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

À pessoa

que veio aqui à procura de "Gajas de Águeda" há pouco mais de três horas, asseguro que veio bater à porta errada. (Irra, que não se pode dizer duas coisas sobre a cidade e enchem-me o mail e visitam-me o blog e pensam logo que sou de Águeda. Que praga!)
Haja chá!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

No sábado,

cinemámos. Não era suposto, porque não se chega a uma sessão em dez minutos (mesmo sendo no Saldanha, mesmo sendo a 5 minutos de casa, mesmo tendo descoberto um parque fechado, seguro e grátis durante o fim-de-semana) e a sessão seguinte acaba tarde para quem só ia tomar um copo, mas fomos. Afinal, era o mestre! And he matched the expectations! Minto. Ultrapassou-as.
Eu gosto dos filmes dele com ele, mais as suas neuroses, verborreias e afins. Por isso gostei tanto do último que vi, com os palavrões dele, as loucuras, a obsessão.
Não estava nada convencida, ou melhor, receava um filme sem ele. Não gosto quando ele se mostra a sério, confesso.
Mas o que ele mostrou foi exactly what the doctor prescribed: a vida inglesa no degrau posh. (Desde o jardineiro que fiquei com vontade de mais Tessa.)
Já dissequei o que vi vezes suficientes entre sábado e hoje e continuo a ter (mais ou menos) a mesma opinião.
A saber:
- O irlandês parecia um americano a tentar fingir um sotaque british. (Para que se saiba, ninguém o faz melhor que a Gwyneth, opinião corroborada por um inglês de gema.)
- O irlandês meneava-se como um modelo, era algo irritante. Também era irritante a falta de jeito, as camisas grandes demais, a superficialidade. Suponho que na medida exacta do papel. (Afinal, ele é um zé-ninguém a tentar ser alguém e a fingir que chegou lá.)
- O irlandês era lindo.
- A Scarlett Johansson está boa, boa. (Opinião de 100% dos habitantes desta casa, note-se.)
- O filme é, numa palavra, unnerving. Enervante. No verdadeiro sentido do termo, no bom sentido do termo. Sai-se de lá com o coração inquieto, aos pulos, sem fôlego. Está sempre para rebentar a bomba.
Saí reconciliada com o mestre (de vez em quando temos umas querelas) e dei de caras com outra celebridade. No passeio direito de quem desce a Fontes Pereira de Melo, a ser entrevistado por uma qualquer rádio (ou tv?) estrangeira. A entrevista a decorrer em inglês (o homem fala bem, asseguro-vos) e eu pedi para tirar uma fotografia. Bichinho de atenções como é, sorriu agradado e assentiu.
Fotografei-o e filmei-o, que na sexta voltei a ter nas mãos a minha lindinha.
Ele acena a todos quantos buzinam, como ficou registado no meu vídeo. É o verdadeiro personagem. Eu diria mesmo que é o verdadeiro cavalheiro. Para combinar com o filme.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Bolachas

de chocolate. Desesperadamente. E o objectivo sério que se lixe (pelo menos esta semana)!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Custa-me

estar sem escrever. A sério. Quanto mais o tempo passa ("mais hipóteses de desgraça") mais me custa escrever.
Chateiam-me os outros blogueiros (blogueiras, eu quase só leio mulheres) que não parecem importar-se com o blog e os seus leitores e não dizem pêva durante um ror de dias. Eu sou uma delas. Não mereço a confiança e a assiduidade dos leitores que aqui vêm, todos os dias, à procura de novas desta chungosa. (Insulto preferido da mana Pi, quase carinhoso. Gosto mais de "metes nojo aos cães", mas é muito comprido e ela cansa-se.)
A verdade é que me falta uma coisa muito importante, ou tem faltado, nos últimos tempos. E já nem falo do euromilhões. Falo da minha linda C800, que eu decidi sujeitar à lei da Gravidade. (E mais não digo, não vá a marca ler isto e recusar-me o crédito que acabou de me dar.)

Tenho, porém, algo a dizer para além de "Hoje vou buscar uma lindinha nova à loja!!".
Primeiramente, a neve. Fantástica. Já posso dizer que estava em Lisboa naquele longínquo 29 de Janeiro em que nevou por causa da vaga de frio do Norte da Europa. (Eu e mais uns milhões de portugueses.)
Confesso que saltei logo para o Norte da Europa e lembrei-me daquele nevão de Fevereiro em que, em pouco mais de duas horas, havia um metro de altura de neve à volta da minha casa. Verdade. Nevou incessantemente durante dois dias inteiros. Fez-me lembrar a minha infância em Trás-os-Montes, quando ainda dava para fechar as escolas, de tanta neve. E em vez do autocarro do infantário, éramos levados a casa num jipe da GNR, com os soldados a perguntar, botas até aos queixos, "E tu de quem és?", à falta de um mapa decente de filiação e moradas.
("- Sou da minha avó...
- E com quem vives?
- Com a minha avó...
- Mas onde vives?
- Na minha avó...
- E onde vive a tua avó?
- ..."
Eram diálogos frequentes, portanto.)

Ultimamente, tudo me lembra a Suécia. A neve, as bolachas de chocolate, os cogumelos no mercado. Não perguntem. A culpa é de um certo senhor, exilado na Finlândia (vizinho, portanto), que quase me convence a voltar para Estocolmo de cada vez que dá cá um salto. (Desconheço se este senhor tem blog, site, página pessoal ou coisa-que-o-valha. Descobrirei.)

Em novas mais numéricas (euromilhões, portanto), porque será que as pessoas, ao sugerirem números aos amigos para preencher o boletim, o fazem quase num murmúrio? Ó mulher, achas mesmo que tens a chave vencedora? (Se tiveres, parabéns. May all of your teeth rot and fall.)
Faz-me lembrar o Alexandre, pequenino, a ajudar o Pai no Totoloto, a dizer números. "Dois, quatro, cinco" e o Pai "Mais altos" e ele "DOIS, QUATRO, CINCO".
Nós preenchíamos um (dos muitos) que o meu Pai fazia no café da Estrela do Norte, depois do almoço de Sábado, acho. Talvez fosse sexta à noite.
Eu sentava-me em cima dos joelhos na cadeira ao lado do meu Pai e dizia números. Mais altos que os do Alexandre, porque eu era maior e sabia mais. E depois engolia as chicletes todas que a minha Mãe me dava, apesar dos avisos de "Não engulas, ouviste? Não te dou mais, se engolires.".
Aqui está, portanto, a vossa resposta, minhas senhoras.

sábado, janeiro 28, 2006

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Ou, falando bem e depressa,

xô com as manápulas, que este é meu!

Águeda a Linda 2

Convenhamos, isto de tanto Águeda a Linda, tanto Águeda a Linda já cansa. A mim, pelo menos.
Mesmo assim, não me escapo a mais um fim-de-semana a contemplar as belas margens do rio Águeda.
Felizmente, isto não é bem, bem verdade. Eu vou para Águeda, sim senhor, mas provavelmente pernoitarei numa aldeia vizinha e tenho melhores perspectivas para ocupar o meu tempo do que olhar para margens barrentas e quase desfeitas de um rio que abocanha tudo mal chovem dois pingos. (Segundo o que vi na última vez que lá estive, as reparações da margem derrocada já estão em curso, descansem os corações mais frágeis.)
Mais uma festa. Digo mais porque já no fim-de-semana passado houve uma e nós fomos. Obrigações sociais de gente muito popular! (O engenheiro, que eu não tenho nada a ver com isso.)
Tão popular que, de cada vez que conheço alguém novo lá das bandas, não me escapo ao sacramental "Olha que arranjaste aqui um belo rapaz!" ou "Trata bem dele que ele é cinco estrelas!" ou (e a mais original) "Parabéns, escolheste muito bem!". Toparam? Toparam mesmo? As sonsas das gajas todas embeiçadas (e outras coisas mais que não digo para não abusar do vernáculo) como que a dizer "Olha que desperdício, este queria-o eu para mim, mas olha, já que foste tu que o fisgaste, ao menos estima-o, que é para te durar muito".
Santos da casa não fazem milagres, minhas queridas!
Ele há cada uma...

terça-feira, janeiro 17, 2006

Cortar o cabelo

é bom. É muito bom, aliás! É claro que eu acho sempre que a Cristina se entusiasma quando eu digo que quero cortar bastante e acaba por cortar um nadinha demais, mas não faz mal. Assim dura mais tempo.
Gosto especialmente da sensação de cabelo sempre bonito e limpo que tenho quando saio das mãos dela. Nunca percebi as pessoas que chegam a casa e lavam o cabelo acabado de cortar (que frustração, nunca gostar do que lhes fazem ao cabelo).
A melhor parte, e a que ajuda a justificar os euros que lá deixo, é o cabelo arranjadinho, lindo, sempre penteado!
A pior parte é quando este cabelo quase perfeito começa a ficar sujo e exige uma lavagem. É sempre um regresso à caracolice desordenada. Enfim, nada dura para sempre!
Anda para aí mais gente a cortar o cabelo, ao que parece. Espero que estejam todas tão contentes quanto eu.
Agora vou lavar o meu.

500

É o número de postos de trabalho que a fábrica do Ikea em Ponte de Lima vai criar, pelo que ouvi na rádio hoje de manhã.
Verdade seja dita, eu pensei que era um sonho. Acontece muitas vezes, como resultado de usar a aparelhagem como despertador. Ouço as notícias ainda na terra dos sonhos e depois, quando acordo, nunca sei se é mesmo verdade ou apenas um sonho bom (ou mau, dependendo da notícia).
Hoje, como resultado, acordei mais feliz e ainda um pouco incrédula. Os meus suequinhos vão abrir uma fábrica em Portugal (e não em Espanha) e vão empregar 500 minhotos (e/ou outros, também), que bem precisam. Hoje estou um bocadinho mais reconciliada com a sociedade.
Se já nutria uma paixão assolapada pelos suequinhos, agora é amor a sério!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Acomodo-a. Quase como se embrulham os meninos pequeninos. Quase como quando pego nela, a minha outra menina, depois do sono, quando quer a mãe ou a avó, mas não a tia. (Depois passa-lhe, é coisa breve.)
Faço-lhe uma cama de esferovite e um material suave, espumoso.
Leva a descrição, o número e a fotocópia. Bem identificada, portanto.
Vai registada, avisada, azulada. Não a quero perder.
Leva muitas lágrimas interiores, das que doem mais, por tanta ignorância, trapalhice, descuido.
Devia ter pedido mãos mais competentes numa das passas. Continuam as mesmas, rai's parta!
Volta depressa.

domingo, janeiro 08, 2006

Sábado produtivo

O erro: ir ao Ikea no primeiro dia de saldos, que é um sábado.
A distracção: imaginar, com descrições detalhadas entre nós, como seria fazer desaparecer a imensidão de gente lá dentro à força de pancada com o rolo de tapete protector para as gavetas que vamos comprar assim que a multidão de adultos, crianças, adolescentes, idosos e o que mais houver nos deixar chegar à caixa para sairmos dali o mais depressa possível. Exemplo: "Olha este, TAU!, era já!".
O saldo: trouxemos um móvel lindo onde cabe a louça nova que usámos no fim-de-ano (e mais, muito mais).
Ah, não houve vítimas. Ou achavam que nós nos deixamos dominar pelos instintos assassinos que de quando em vez nos assolam?

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Dia de Reis: Ouro

Na hora do xixi-cama, eu no quarto a vestir o pijama e ele na casa-de-banho a lavar os dentes. De repente ouve-se: "Patuum!!". A seguir silêncio.

Ele tropeçou não sei em quê e foi contra a porta semi-aberta da casa-de-banho.


Eu pensava que as ressacas só duravam 24 horas.
Eu ia rebentando um nervo de tanto me rir.

Dia de Reis: Incenso

Numa relação já de si quente, ele decidiu levar as coisas para outro nível. Ontem enfiou o pé, sem meia, no bolso do meu robe.
Não há palavras...

Dia de Reis: Mirra

Para mirrar. Que é como quem diz, emagrecer. Um objectivo sério para 2006.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ouçam lá!

Quem é que apagou as velas? Tenho o sofá cheio de cera!

Agora

só me falta mesmo o portador de música para estar na berra, porque máquina digital já eu tenho. Mas mais que estar na berra, queria experimentar a sensação de ouvir as Hole dos meus 15 anos em Paris em pleno Chiado.

Aos 17 anos

a Fiona Apple escreveu a música que me embala os pensamentos e me embalou, ad eternum, o Natal de 1998. O melhor Natal que já tive (é muito triste dizer isto?), o Natal em que o Manel deu tréguas ao mau feitio pós-sesta, a Tina tentou tomar-lhe o lugar (mas nós não deixámos), o mano fritou as rabanadas e as manas foram, como sempre, excelentes companheiras e carrascas, tudo ao mesmo tempo, como sabe melhor.
Eu, quando tinha 17 anos, também escrevi uma música, mas a minha, embora também em inglês, era sobre amores errantes e vícios antigos e nunca foi cantada, nem pelo grupo de garagem que a quis. E eu não tenho a voz da Fiona e chamo-me Joana, so it wasn't meant to be.
Foi a música do meu primeiro primeiro ano da faculdade, assim mesmo porque, dois anos mais tarde, tive outro primeiro, desta vez mais a Sul. Foi a música dos céus azuis-negros das noites do fim de Outono em Vila Real, num Trás-os-Montes que não era o meu, mas passou a ser. Foi a música dos fins de tarde frios, de cachecol e cabelo comprido, a espreitar as primeiras estrelas. Foi a música que, como uma cola, juntou tudo, as amigas, a universidade, as saídas, a família, os sonhos, a realidade, e as minhas raízes, que se mais fundas fossem, estaria agora de pés enterrados na vinha de onde se espreita o Douro, na terra quente do Sol ou fria do gelo, granulosa, solta e dura, ao lado de uma videira rugosa e velha de sabores intensos.
Este ano quero ver mais as minhas amigas, sonhar mais alto e chegar lá (or die trying), e sentar-me na terra que me criou, matar saudades e inspirar-me nos montes que me viram nascer. Já vos disse que sem o planalto não sou nada?

Não é verdade

que não me lembre da passagem de ano. Foi uma hipérbole, nada mais. Lembro-me, e bem, da bebedeira que apanhei e da verborreia que debitei (desculpa lá, ó P.).
Lembro-me do que me ri e diverti, lembro-me da excitação dos crackers, lembro-me das óptimas amêijoas à Bulhão Pato (feitas por mim, aham) e da maravilhosa mousse, ah, que mousse, da I. Foi a melhor que já fizeste até hoje, I.!
Lembro-me das fotografias tiradas toda a noite (até as pilhas acabarem, que as suplentes ficaram em casa a descansar), dos vídeos que fizémos e dos table confetti espalhados no meu chão, no meu chão, no meu chão e no chão da casa do J.
Lembro-me da festa porreira pacas na casa do J. e até me lembro bem da conversa que nos pôs a todos sóbrios em menos de nada. (Desculpa, mais uma vez.)

Lembro-me bem que foi uma excelente forma de acabar 2005 e começar 2006. Que é um ano mais redondo, mais meigo e será, decerto, o início de muitas coisas novas. Enjoy!

domingo, janeiro 01, 2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

A varanda do meu vizinho


Da categoria "Coisas lindas do Natal"
É mais colorida do que a minha.


Digo-o sem a mais pequena ponta de inveja, garanto-vos.

Do Natal e outras prendas

Estava aqui a pensar que ainda não tinha contado como foi o meu (nosso) Natal. Aliás, eu não escrevo desde antes do Natal, bem sei, que não tenho o calendário avariado. Adiante.
Depois ocorreu-me este brilhante pensamento: vocês não querem saber do meu Natal, pois não? E acho bem que não queiram, porque, de facto, exceptuando o "Foi bom" ou "Foi mau", a mim também não me interessa o Natal dos outros. (Se não sabiam que eu sou uma heartless bitch, ficaram informados.)
Assim sendo, eu resumo.
Prendas compradas à última da hora, mas com muito gosto.
Viagem de 300km na sexta durante a noite, A1 sem trânsito, fantástica!
Sábado de preguiça e mais uma compra (há sempre mais uma).
Jantar de consoada como manda a lei, bacalhau cozido, polvo cozido, batatas e couves e a família como companhia.
Domingo, e depois de uma mini-viagem de 70km, almoço com o outro lado da família, perú e borrego assados no forno de lenha.
Segunda, viagem de volta à urbe.

Acontecimento mais notável de toda a empreitada: ele deu-me isto.


P.S. O polvo cozido faz parte da tradição trasmontana de Natal. Não me perguntem porquê, digo-vos apenas que tem sido o meu único prato de consoada desde que me conheço. Não sou muito amiga do bacalhau (ou não era, até há bem pouco tempo).

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Hoje,

na Fnac, no meio da multidão, estava uma senhora com um cão-guia. Era um Labrador areia. Uma outra senhora, ao passar, fez questão de se virar para trás e fazer uma festa ao cão.
Expliquem-me lá: ela queria que a senhora cega fosse de encontro a alguma parede ou estava só a testar a capacidade de abstracção do canídeo?

Agora

que já escrevi um fartote de posts, vou ali embrulhar umas prendinhas.
Portem-se bem e façam pouco barulho, para não incomodarem os outros blogues.

Ah, Grissom, Grissom!

Ora vejam lá, agorinha mesmo na Sic.

P.S. Excepção devidamente registada àquilo de não dar nada de jeito na televisão.

Na onda do tal espírito natalício

faço aqui uma oferenda a todos os bloggers e todas as bloggers deste país:
Um Dicionário!

É favor usarem sem parcimónia.

E para os que se possam sentir injustamente incluídos no ramalhete, descansem. Aqueles que realmente necessitam de um dicionário nunca o vão saber. Infelizmente, porque há por aí muita gente precisada.

Sou um coraçãozinho de manteiga ou não sou?

Numa verificação ortográfica,

descubro que as palavras cruzadas que resolvi hoje no Público, propriedade do café onde estive (eu sei, não se faz, mas como já estava riscado...), têm um erro.
Para "inventor" e sendo que já tinha as letras _u_or, aqui a inteligente pôs dois tês. Assim mesmo, "tutor". Eu nunca ouvi falar de autores.
O pior é que agora o meu erro está lá, no tal café, à vista de todos, à mão de semear. Se calhar tenho mesmo de começar a dar uso a esta coisa cinzenta que tenho no crânio.
Em minha defesa, tenho a dizer que era a única palavra que me faltava e os tais tês não incomodavam palavra nenhuma. Still...

O primeiro post testado,

só para ver se esta coisa ainda funciona ou se as teias de aranha já a tinham devorado por completo, e é tempo de começar a dizer coisas que interessem.
Alguém cá em casa fez umas sugestões de mulheres em poses esquisitas, mas eu não me convenci. Além de que não sou candidata à Presidência da República (devo ser das únicas pessoas neste país) e portanto não tenho de fazer campanha ou coisa do género. (Desculpem lá o aparte, mas isto de escrever com o teclado no colo parece inteligente, mas é uma grande porra! Raio do bicho que saltarilha por todo o lado!)

Assim sendo, optei pelo caminho mais fácil. Vou dizer-vos quatro verdades.
1. As compras de Natal são sempre um caos, há centenas de pessoas nas lojas, milhares de pessoas nas filas e milhões de pessoas por todo o lado, basicamente. (Eu proponho a solução de acabarmos com as pessoas e, assim, fazer dos nossos Natais celebrações mais pacíficas. Quem vota em mim?)
2. O dinheiro nunca chega para as compras de Natal e as outras coisas todas que, até em Dezembro, é preciso continuar a ter, como luz em casa e comida no frigorífico.
3. O trânsito, esse monstro de sete cabeças e vários entupimentos, só piora no Natal e suas épocas circundantes (a saber: antes do Natal, durante o Natal - fim-de-semana de Natal, por exemplo -, depois do Natal - a época das trocas -, antes do Fim-de-Ano, durante e depois do Fim-de-Ano), nunca melhora.
4. Continua a não dar nada de jeito na televisão, don't bother.



P.S. É provável que haja excepções para estas verdades, como aquelas pessoas que fazem as compras de Natal durante todo o ano (anterior, de preferência, que depois também eu), ou têm dinheiro a rodos e coisa e tal. Mas eu só gosto de olhar para o meu umbigo.
P.S.2. Só para que saibam, aquela das quatro verdades não tem justificação numérica, é apenas uma expressão que se usa em Trás-os-Montes, onde nasci.

1, 2, 3, Experiência...

Andei aqui a ver se conseguia postar com um intervalo certo de sete dias, ou seja, um post por semana. Consegui, consegui!!
Sarcasmo à parte, parece que ando mesmo precisada de espírito criativo, mas como o meu pequeno anúncio se revelou infrutífero, decidi fazer o mesmo que fiz em relação ao espírito* natalício. Nada. Deve ter resultado, porque se vê uma luzinha débil ao fundo do túnel. É mesmo caso para dizer "'Tis the season to be jolly, falalalala lala la la"!

Prometo aos meus estimadíssimos fãs que serei mais regular nos devaneios. Está bem assim? (Nota-se que já saltei o Natal e estou agora na fase das resoluções para o novo Ano? Because I am.)

*Se calhar o meu mal é só falta de espírito, period. Já terão inventado pílulas para isso?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Precisa-se

Espírito Natalício, com garantia de sobreviver a mais um Natal. Pede-se referências de bom funcionamento e qualidade.

Vontade e inspiração para escrever. Exige-se certificado de garantia, referências, pelo menos três provas editadas e que sirva cafés. (Capuccino ia melhor.)

Uma outra vida. (Vai cair-me o céu em cima por escrever isto, já sei. Que sou uma ingrata, que há por aí tantos problemas, que sou preguiçosa e que tal e coisa. Eu respondo ao melhor estilo Susaninha, que dizia ao Miguelito "Olha, eu sou muito tua amiga, mas não dos teus problemas" ou qualquer coisa assim. Traduzindo, não me lixem!)


P.S. Já agora, ia bem uma pílula de bom-feitio. É doença crónica, deixem. Se fosse um caso clínico, não havia SNS ou seguro de saúde que me valesse. Ufa!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Para o caso de quererem saber

Last night's episode of Sex and the City, it was totally worth it!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Faltam

vinte minutos. Vou vestir o pijama e instalar-me no sofá. As insónias que se lixem!

Provavelmente

a única boa representação da Demi Moore, para não dizer a melhor, e eu apanho o filme a 20 minutos do fim. Não há justiça!

Diz a internet

que a distância entre Lisboa e Estocolmo é de 2986.247km. Obrigadinha, mano sabichão!

De qualquer forma, eu estava errada e exagerei nos 5500km. São só 3000, afinal. Tanta choradeira para nada.

Nos entretantos

aqui o tasco passou de quase 300 visitas para mais de 300 visitas numa tarde.
Um de cada vez, um de cada vez! Ainda se me acaba a bejeca e depois como é?

Águeda a Linda

Passei o fim-de-semana prolongado em Águeda, o que, combinado com uma insónia das fortes e a incapacidade de ter acesso a um computador com internet, explica a ausência prolongada. Pelo facto, peço as minhas mais sinceras desculpas, caro leitor.
Posto isto, vamos lá desmistificar umas coisinhas, aqui entre nós.

Águeda não é linda. Já foi, decerto, mas agora não é. (E perdoem os aguedenses.)
Os fins-de-semana prolongados são enganosos. Mal nos habituamos que não, não foi sábado mas sim sexta e por isso hoje não é domingo mas sim sábado, iuupi, pumba!, o fim-de-semana acaba.
Uma boa receita para a azia causada por, entre outros, leitão à bairrada e copiosas quantidades de bolo-rei, é a abençoada Água das Pedras, publicidade merecida. Uma receita menos boa é Água das Pedras seguida de mais um rebuçadito porque olha, pensei que já não tinha e afinal estava aqui no cantinho do bolso ou o mal que faz ficar solteira em terra alheia.
O Leitão à Bairrada é um desperdício, eu só como a carne, que pele e ossos nem vê-los. (Que nojo!)
A broinha é deliciosa, deliciosa, deliciosa. Mesmo depois de ter sujado uma cadeira, um par de calças e quase arruinado uma bota, que a outra safou-se. (Mito confirmado.)

E para acabar, adivinhem lá quem recebeu da sobrinha um abracinho bem apertado em vez do beijo de despedida? Tá ali guardadinho no bolso da tia, para não virem roubar, sim?

Na passada terça

à noite, véspera de véspera de feriado, tomei a decisão de ver mais um episódio da última época do Sex and the City, preterindo a opção de ir dormir.
O episódio foi excelente (pronto, parem lá de revirar os olhos e aceitem: eu gosto de ver o Sex and the City, gosto pois; agora calem-se e ouçam) e altamente emotivo, pelo menos para mim que devo estar doida para chorar ao ver a Charlotte e o Harry ficarem finalmente juntos.
A decisão, e contrariando o que acabei de dizer, revelou ser das piores dos últimos tempos, porque dormi pessimamente e muito pouco, uma combinação explosiva. Mas das minhas insónias vocês não precisam de saber, adiante.
Hoje dá não um, mas dois episódios da já referida série. Eu, que estou solteira, estou a fazer contas ao sono e às horas e à duração de trabalhos de terceiros para decidir se vou ver as minhas nova-iorquinas favoritas.
Aceitam-se palpites.
O maior erro da culinária: confundir o saco da farinha com o do açúcar ao fazer molho béchamel.
A maior sorte da culinária: reparar a tempo.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Uma manhã destas

no carro.
Eu (armada em parva): Já reparaste que temos uma mão maior do que a outra?
Ele: Eu não! Eu tenho as duas maiores!

O meu namorado, o Santo

Ontem o engenheiro cá de casa passou o dia a formatar o meu computador, que por acaso é dele, mas isso é só um pormenor.
Instalou o Windows que o computador deixara de ter há uns tempos, reinstalou o Linux e deixou tudo direitinho, com conta de utilizador e browser já configurados, bookmarks disponíveis e emails já descarregados. Como se tudo isto não bastasse, conseguiu ainda que ambos os sistemas operativos estivessem sincronizados, o que quer dizer que tenho os mesmos mails, bookmarks e histórico de browser no Windows e no Linux (este último sendo o meu preferido).
Eu, a bruxa, passei a tarde a perguntar coisas iluminadas como "Isso já está?" e "Já podemos sair?" e ainda "Nunca mais acabas??", assim toda cheia de indignação e mimo. Não satisfeita, ainda tive o desplante de me queixar do aspecto do browser, dos ícones dos atalhos e de mais umas coisas que agora não me lembro.
Hoje venho aqui apresentar publicamente as minhas desculpas por ter passado o dia todo a reclamar. Prometo que não volto a fazê-lo e agradeço muito, muito, muito todo o trabalho que tiveste para me deixar o computador de novo operacional. Obrigada!
E agora cala-te lá com isso.

domingo, novembro 27, 2005

Lições de vida

Quando fui para a Suécia levei malas e malas carregadas de imensas coisas inúteis, como acontece quando nunca se foi viver um ano a 5500km de casa. Eu não sabia nada e nesse ano aprendi muito.
Entre truques e dicas de viagem, capacidades de orientação e conhecimentos de informática, eu diria que aprendi tanto, mas tanto nesse ano que tive de esquecer algumas coisas para caber cá tudo.
A saber, e para o caso do estimado leitor estar de partida para semelhante epopeia.
1. Não levem a mala atafulhada de champôs e sabonetes na lógica do "lá é muito caro" porque, durante um ano (ou seis ou três meses, acreditem), vão mesmo ter de comprar produtos lá. Mais vale levar a mala levezinha, custa menos a transportar quando não se consegue encontrar o alojamento e evita-se o pagamento por excesso de bagagem.
2. Não levem a roupa toda de que precisam, valem as mesmas razões de transporte de cima e, acrescento ainda, os vossos amigos e familiares podem sempre compôr o ramalhete quando vos forem visitar. Além de que, no estrangeiro, esse país fantástico, costuma haver boas lojas de roupa em segunda mão, que foi onde eu comprei o meu casaco de inverno de pele com o forro mais quentinho do mundo, por apenas 500Kr, cerca de 55 euros. Espantem!
3. Levem um livro. Estão parvos ou quê? Entre esperas nos aeroportos, escalas (não há vôos directos para Estocolmo) e primeiros dias de tédio à chegada, vai-vos fazer jeito. Além de que um livro é sempre um bom amigo, coisa de que precisamos muito quando chegamos a um país estrangeiro e de repente nos apercebemos que vamos lá passar o próximo ano da nossa vida, mais ou menos nos termos "Porra, no que me fui meter!", com mais ou menos lágrimas, dependendo do estado de espírito e de força de carácter.
4. Arranjem uma lista de compras traduzida ou um bom dicionário. Ou a primeira vez no supermercado é uma visita de mais de uma hora para trazerem pão, leite, produtos de limpeza e outros básicos.

Fica assim por acabar porque tenho muitas dicas e eu cá gosto que as pessoas saiam satisfeitas do meu tasco e não aborrecidas.

sábado, novembro 26, 2005

Enquanto está sol

vou mas é aproveitar e sair de casa. A roupa pode passar-se com chuva, que aqui felizmente não há buracos no telhado.

O filme

mais bonito da história do cinema e eu só penso que já tive dias de cabelo igual ao dela. Que adolescência horrível, a minha.

Bom, bom

é ir buscar o homem ao trabalho e ele trazer-me uma prenda.

Heartbeats

One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn't be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night

José González
"Veneer"

daqui

sexta-feira, novembro 25, 2005

Olha que burra

que eu sou. Tigela é com G e não com J. São as tonturas.

Os microondas

são uma treta! Uma intrujice tecnológica! Como é que é possível que depois de dois minutos e meio a 900 watt a sopa ainda esteja fria, mas a tigela a escaldar?
Já sei, já sei, as moléculas de água e coiso-e-tal. Não me lixem, a sopa tem mais água do que a tigela, senão a sopa era dura e a tigela líquida. Ou não?

Oh gentes!

Isto de ter dores de cabeça, ataques de espirros noite fora (e dia dentro) e acordar com tonturas, vestir com tonturas, sair à rua com tonturas e continuar com tonturas depois do pequeno-almoço, café e bolo é o quê?

Será daquelas coisas que dão três dias e depois se morre?


P.S. Mais um sintoma: uma fome desgraçada. Não deve, por isso, ser gripe, mas olhem que é a pior crise alérgica que já tive. Mesmo sem nariz entupido, supera a dali de baixo.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Perdoem

os fiéis leitores abaixo mencionados a falta de posts com sustânça*, mas eu tenho andado a curtir uma dor de cabeça há uns dias... Sempre ao fim do dia, por acaso.

Vou ali ver se a enxoto.

Retomaremos em breve a programação habitual.


P.S. Maneira trasmontana ou de família de dizer substância? Não sei. É da dor de cabeça.

É cão

que não conhece o dono, esta coisa dos comentários. Não seria de esperar que aquela coisinha chata das letras anti-spam me reconhecesse quando eu quisesse comentar?
Não, era pedir demais. Que ridículo...

Vou ter

de dar prémios a esta gente toda, pelo simples facto de terem paciência para vir aqui todos os dias.

É claro que "esta gente toda" é uma expressão megalómana para me referir a três ou quatro leitores fiéis. Que eu prezo muito!

Entretanto vou pensar no vosso prémio. Qualquer coisa virtual, como convém.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Identifique-se

o leitor nº 100 para receber um prémio, fáxavor.
É mandar um email ou deixar um comentário na caixinha.

Já agora, gosto muito destas visitas todas. Deixem comentários, sugestões e críticas quando quiserem.


P.S. Eu não aceito críticas nem respondo a sugestões, mas estejam à vontade. ;)
É mesmo tudo mau feitio.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Adenda

Afinal, parece que o Abade Faria não viveu assim uma porrada tão grande de anos. Foi só de 1756 a 1819. Ora, seis vezes três dezoito, noves fora nada, é fazer as contas.
Tinha 63 anos. E noves fora nada, mas vão dois*, se bem me lembro.


*Já não ensinam a prova dos nove na escola às criancinhas, segundo ouvi dizer. Porque, se bem se lembram, era errónea e, por isso, se usava a seguir a prova real. Não sei se isto é bom ou mau, porque embora saiba que é uma estupidez aprender coisas que estão erradas, também me ensinaram que a dor nos músculos depois de exercício esforçado era do ácido láctico. Ahahahah! Deixa-me rir.

Pelos vistos

o meu blog não vale nada. Deixá-lo, eu gosto dele há mais de cinco anos e sou correspondida.

domingo, novembro 20, 2005

Parece

que isto de ter um Counter no fundo do blog resulta melhor se eu escrever de vez em quando. Pelo menos para quem, como eu, gosta de ver os números a crescer. (Grow, you little bastards!)
Então vou contar-vos a minha noite de ontem. Sem partes porcas, prometo!

Tudo começou quando, ontem de manhã, fomos ao mercado fazer as comprinhas da saúde. Que é como quem diz, comprar as coisas saudáveis que temos de comer como fruta e legumes e castanhas, que também é preciso. E foram essas mesmas castanhas que, junto com uma Jeropiga, nos deram a maravilhosa ideia de fazer um magusto moderno. Que teve mais de moderno do que de magusto? You tell me.

Convidámos uns amigos, outros mais apareceram, e as castanhas, ainda quentinhas porque abafadas à boa tradição da família Alves (e de todos os trasmontanos que se prezem, julgo), foram comidas entre amena cavaqueira e outra não tão amena, que as conversas são como as castanhas, querem-se quentes.

Vai daí, houve uma alma iluminada (sim, tu sabes quem és) que se lembrou de combinar ir ter com mais uns amigos a um bar, estando nós tão bem em casa e a chuva tão bem lá fora.
Como se sair da toca quentinha na pior noite de chuva deste Outono não bastasse, a tal alma iluminada decide também marcar o encontro num bar do qual desconhecia a localização.
Indicações como "É depois do Chapitô" e "Passas o Santiago Alquimista" e ainda "Estás a ver o Panteão" ou talvez "Não, tens de passar para lá da Feira da Ladra" não são, repito, não são um meio válido de chegar a bom porto, que era o que parecia que nos ia acontecer, tal era a molha que já tínhamos em cima dos ossos. (Eu sei, é estúpido sair de casa num noite de chuva intensa sem guarda-chuva. Mas também isso foi culpa de outra alminha que não eu, uma que estava de conluio com a primeira, decerto.)
Ora aqui estavam reunidas as condições para uma noite em cheio! E foi, porque o bar estava cheio, havia poucos bancos, os bancos eram de madeira, ao fim de algum tempo também os nossos assentos corporais eram de madeira ou pelo menos pareciam, o dono do bar mandou-nos calar variadas vezes "porque não se ouvia a música", a música era cantada por uns jovens cabeludos e era a razão pela qual nós éramos obrigados a falar mais alto, éramos muitos para jogar dominó, sueca, bisca, sobe-e-desce e ninguém queria jogar ao polícia e ao ladrão, really.

No meio disto tudo, eu ri-me como uma perdida, chorei e tudo, esgotei o capital de riso de uma outra menina* e consegui secar as calças no calor abafador do bar e depois molhá-las outra vez. Com o casaco que ainda estava molhado, com o casaco! Não me ri assim tanto.

Ficou combinada uma noite de Party** cá em casa, com a promessa de não sairmos, nem que o céu nos caia em cima da cabeça.


*Aqui no bom e tradicional sentido da Língua Portuguesa. Ou legalizam a prostituição ou começamos a chamar as vacas pelos nomes (no pun intended), que isto de não se poder dizer "menina" sem se pensar em outros sentidos é muito tonto.

**O jogo, não o sentido.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Prós
Estar mais perto da família
Parque da Cidade
Serralves
Pão

Contras
Trânsito infernal
Pronúncia
Estacionamento
Clima (no Porto faz um frio desgraçado)

Conclusão
Não consigo imaginar-me a viver no Porto outra vez. Há quem não imagine não viver no Porto.

Porto

No fim-de-semana fui ao Porto. Cheguei a Campanhã a meio da tarde de sexta, uma sexta típica da que já foi a minha cidade. Tanto quanto seja real a minha noção de típica sexta numa cidade que não habito há mais de cinco anos.
Quando chego as pessoas sabem que vim de Lisboa. Embora eu tenha vindo de Aveiro, mais propriamente de Águeda, mas não interessa. Ainda trago o cheiro de Lisboa, decerto.
Decido meter-me no autocarro para casa dos meus pais. Parece que é o 34. Se há número mais tripeiro, não conheço.
Deixar de viver lá fez mal suficiente à minha capacidade de orientação e conhecimento dos autocarros e seus destinos, não precisava que os meus pais tivessem mudado de casa duas vezes. Talvez andem a tentar despistar-me.
No caminho para o Carvalhido olho a cidade. Fernão de Magalhães, Campo 24 de Agosto, Baixa. Praça da República, Av. da Boavista, Rotunda da Boavista. Saio. Espero na Av. de França um autocarro que me leve para cima, não só porque sou preguiçosa, mas também por ter um saco bem pesado. E é a subir, não sei se já disse.
Chego a casa. Não reconheço a rua como minha. Não é. Não é a outra, a de cima, que ficava em baixo (e a de baixo ficava em cima). Uma rua tão minha que durante seis anos não precisei de conhecer outra para estudar, a escola tão perto que se mais perto fora, seria dentro da minha casa.
No caminho namorei-o. Ao de leve, de soslaio, pela janela do autocarro onde uma menina anuncia as paragens com a pronúncia docemente tripeira que noto à légua, desde que transitei para latitudes mais sulistas.
Ele, por despeito, não me ligou. Não me viu, não me notou, não me acolheu. É o costume. Uma espécie de jogo do gato e do rato de que ambos gostamos.
No sábado espreitei-o outra vez, da minha perspectiva preferida. Desta demorei-me no olhar, como que a dizer-lhe estou aqui, estou a ver-te.
As luzes da beira-rio, da ponte da marginal, da cidade que se vê ao vir de Gaia.
Ele fez que não me viu e eu senti o coração cheio de quem reconhece onde está, de quem se reconhece.
Ele, o Porto, continua a fazer parte de mim, por mais voltas que dêem os pais pássaros e o seu ninho, por mais anos que passem, por mais transportes novos que se construam. Uma paixão que não tem fim, própria de quem está afastada o suficiente para ver só as coisas boas.
Desta vez não comi uma francesinha, mas deliciei-me com um croissant bem fofo, quentinho, como só no Porto há.

segunda-feira, novembro 14, 2005

De Campanhã

ao Carvalhido demora uma hora e dois autocarros.

Mais ainda ou


dasse!

do Gr. ichor, pus, venéreo, humor aquoso
s. m., líquido que escorre de certas úlceras.


P.S. Este com especial colaboração.

Nojo


do Lat. pus

s. m., sânie;
vurmo;
icor, líquido alcalino mais ou menos expesso, resultante de inflamação aguda ou crónica constituído pelo exsudato inflamatório, leucócitos e bactérias, vivos e mortos.

Declaro

aberta a época do frio. Pus hoje as rodas ao aquecedor.

Anti-globalização

Em Cabanões ainda há tanques públicos para lavar a roupa.

Globalização

Na auto-motora de Águeda para Aveiro também se diz "bué". Como em "Ele chegou bué da depressa".

quinta-feira, novembro 10, 2005

O meu Pai

faz amanhã 60 anos. Assim um número todo redondo.
Julgo que está a entrar na idade dos netos (?), do descanso, do "agora vou viver para mim". Eu, pelo menos, assim o espero. Que seja uma fase cheia de paz, alegria e calma.
Ainda bem que ainda estás por cá, Manel!
Parabéns, Papá!

Dr. Phil

Quando estava na Suécia, via imensa televisão dos States. Sendo que os suecos são inteligentes como nós e não dobram os programas estrangeiros, via tudo o que fosse em inglês. Também como nós, os suecos estão inundados de tv americana.
À tarde dava o Dr. Phil. Não me lembro exactamente se tinha um ritual para o ver (tal como tinha para o Judging Amy, aos sábados de manhã, ou a Ally McBeal, às segundas à noite com crepes e as amigas), mas lembro-se de ser preferível à Oprah (ainda é) e de lhe achar alguma piada, estilo "Estes americanos são loucos!".
Enquanto estava aqui a preencher uns formulários online com a tv ligada na Sic Mulher, ouvi a música do dito programa e senti uma pontada de nostalgia, o bom e o mau juntos, como sempre que tenho saudades de alguma coisa.

Keywords da Suécia: Frio. Quentinho em casa. Capuccino. Biscoitos de chocolate. Muffins. Pasta. Coelhos à solta no parque à volta da minha casa. Coelhos à solta por todo o lado, na realidade. Dr. Phil. Ally McBeal.

Gosto

de fazer as palavras cruzadas do Público. Gosto especialmente se as consigo fazer todas sem recursos externos, sem batota. Sei uma data de palavras novas.
Ex.: "Mártir" - Herói com azar. ;)

As scientists go,

o Grissom é o mais sexy. Mas não conheci o Abade Faria, claro.

O Abade Faria

era cientista e viveu uma porrada de anos.

terça-feira, novembro 08, 2005

Previsível

A crise instalara-se no cesto da roupa. Uma montanha que parecia não ter fim e a chuva lá fora. Por entre abertas mais ou menos estáveis, a máquina lavou uma, duas, três, quatro vezes. No decorrer de uma semana e uns dias, a crise foi combatida e a paz instaurada de novo. Exceptuando... aqueles últimos resquícios de roupa, pouca ainda para uma lavagem.
Entretanto, substitui-se o fio do estendal, que por ser de plástico por fora, estava bom para ir para o lixo. Um novo e resistente fio de inox é colocado, apertado, estendido e preparado para receber roupa, venha o que vier.
Ela (é sempre ela que faz estas coisas) adia a tal máquina, espera por mais roupa. Espera e adia. Adia e espera. Os dias de sol sucedem-se, ventosos, magníficos na arte de bem secar roupa.
Quando reúne o quórum necessário, ela planeia mentalmente pôr a máquina a lavar, enquanto olha distraidamente para o céu.
Está a chover.

Casais que combinam

Hoje dei por mim a pensar que o casal sentado à minha frente não combinava. Depois, em jeito de corolário, percebi que sempre que vejo casais idosos, ele e ela combinam. Excepto estes dois.
Normalmente, até são parecidos. Como o casal do prédio em frente ao meu (que qualquer dia tem direito a rubrica própria, de tão mencionado).
Aqui há uns tempos, alguém disse que eu e o engenheiro parecemos irmãos. A ideia é horripilante, mas a pessoa insistia. Sendo que já houve quem pensasse que eu e o meu irmão (este a sério) éramos namorados, acho que o defeito é meu. Também já fui julgada irmã de uma grande amiga, na faculdade de Vila Real.
Serei eu que pareço irmã de toda a gente?

Nisto dos casais, aquela parecença quase destinada só é observável quando a idade vai avançada. Talvez seja disso. Envelhece-se junto e, inevitavelmente, fica-se quase igual. Com as devidas excepções.
Mas há de facto casais que combinam e outros que não, a um nível muito básico, muito imediato. Se calhar eu pareço irmã do outro (e não outra do irmão) por causa disso. Combinamos. Eu sempre achei que sim e não sou a única, já que a amiga que nos apresentou quase prescindiu dele por mim. (Não é bem assim, mas é uma história demasiado complicada e íntima para contar aqui.)

Por muito que me irrite que me digam que pareço irmã dele (não sei porque me irrita), acho que é preferível a não combinarmos.
Espero que continuemos a combinar por muito tempo.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Fevereiro

É o melhor mês para blogar, porque mesmo que se queira escrever um post por dia, só é preciso ter imaginação 28 vezes.

Ocorreu-me agora.

domingo, novembro 06, 2005

Errata

Na minha rua não há só velhos. Também há crianças que gritam toda a tarde aos Domingos, adeptos da bola que gritam durante os jogos, sobre os jogos, para os jogos, apesar dos jogos. Também há alguém (ou alguéns) que assobia estridentemente grande parte da noite (quem é e porquê, não me perguntem) e que agora também trabalha a certas horas do dia.
Na minha rua o autocarro (ou chocolateira, para quem o ouve) passa até à uma da manhã, a meio do ciclo dos camiões do lixo que, inexplicavelmente, passam às 23h30 todas as noites (menos uma, mas não sei qual é) e depois fazem mais uma ronda, cerca da 1h30. (Porque é que os camiões do lixo fazem tanto barulho?)
Na minha rua dão-se mais acidentes, entupimentos de trânsito provocados por inteligentes que páram os carros no meio da estrada e passagens do INEM do que eu alguma vez vi na vida.
Na minha rua passa todos os dias a taxa mais alta de tunnings do país, tenho a certeza. Aceleram a fundo, fazem chiar os pneus, tocam as músicas intragáveis a um volume que rebenta a escala (e os tímpanos) e chateiam que vocês nem sabem.

O meu quarto fica na parte de trás da casa, longe da rua, no caso de estarem preocupados.

Vende-se

Um nariz entupido, pouco útil porque nunca cheirou, mas muito espaçoso.

Um estômago aziento, com uma incrível capacidade de digerir as mais estranhas misturas às mais inusitadas horas. (Não se deixem enganar pela azia. Ao menos não bota fora.) Vem com um intestino perfeitamente funcional e já sem o problemático apêndice, totalmente grátis.

Um cérebro lento e a caminhar para a dislexia. Com muita capacidade imaginativa (sem garantia).


Preços negociáveis.

Os interessados deverão contactar a casa da Mãe Joana.

sábado, novembro 05, 2005

Geriatric Street, take 2

Esqueci-me de falar do senhor dos cafés (a julgar pelo carro), que já por duas vezes ia tendo uma apoplexia, como dizia o nosso outro imortal épico, no restaurante aqui em baixo. Sempre com direito a INEM.
O que me espanta é como é que ele, e passo a enumerar:
1. continua a frequentar o referido restaurante todos os dias (para mim é mais do que óbvio que é um sítio de mau agoiro para aquele senhor);
2. continua a beber e a comer like there is no tomorrow (e se calhar não há, pelo menos para ele);
3. fez parte da lista da CDU aqui para a freguesia;
4. o ponto último não tem nada que ver com o facto de ele ser um acidente-à-espera-de-acontecer ambulante, e supondo que a CDU não tem pré-requisitos de ordem clínica, retiro o que disse;
5. vou mas é dormir como prometi e deixar-vos em paz.

Como diziam os monitores da escola em Cap d'Ail, "Allez au lit!".


P.S. Não afoguei devidamente a pê-u-tê-á da azia. Estou tramada.

São

duas e meia da manhã e tenho uma azia que me faz querer vomitar.
Apercebo-me agora que, nos fins-de-semana em que vamos à terra do engenheiro e, ao chegar a casa, ligamos a televisão de quatro canais, com apenas dois deles visíveis, não é por não termos cabo que não vemos nada de jeito. É porque às duas e meia da manhã NÃO DÁ NADA DE JEITO! Simply put.
Agora que afoguei a azia bem afogada em água das pedras (preferia a de Vidago, quentinha a sair da fonte, mas isso sou eu que tenho a mania que só como biscoitos feitos por freiras belgas cegas), vou dormir. Boa noite!


P.S. Viram o filme, viram? Eu vi o início, que não apanhei ontem, e depois tive de ir buscar o engenheiro ao trabalho. Quem é que cá em casa come os biscoitos das freiras, quem é?

sexta-feira, novembro 04, 2005

The Geriatric Street

Este podia ser o título de um filme, mas não, é mesmo o que eu penso da minha rua. Parece que o meu prédio é a rara excepção de gente jovem, embora as idades sejam as mais variadas.
Já falei dos vizinhos da frente, sempre à janela (reparei há dias que ambos têm uma almofadinha para apoiar os braços quando se debruçam a ver a rua).
Não falei das inteligências raras que dão de comer aos pombos, sim, dão-lhes de comer e, preparem-se, fazem-no duas vezes ao dia! É como dar de comer aos ratos (que também já tive o prazer de ver, na parte ajardinada por trás do prédio).
Também me faltou falar da senhora que tem mais caniches que mãos e pernas juntos e os traz à rua sem depois limpar o serviço feito. Pior mesmo só o facto de sair do prédio dela, dar 4 ou 5 passos e voltar para dentro. Eu sei que o caniche é bicho de pouco exercício, mas as criaturas devem estar atrofiadas (algumas bem parecem).
Há imensos exemplos de que podia falar, como o da senhora, uns prédios abaixo, que está toda a manhã à porta, meio escondida. À porta do prédio, refira-se.
Mas o que finalmente me convenceu de que vivo numa rua geriátrica foi o número alarmante de vezes que vi cá uma ambulância do INEM. A última foi mesmo a mais espectacular, com direito a entrada em contramão e sirenes ainda mais estridentes e desesperadas do que o costume. Não sei qual foi o resultado, mas sei que vieram para a dona da recentemente aberta loja de flores e ervanária, assim mesmo. Mau agoiro ou pressão a mais?

Acho que morando numa rua assim é de esperar que morra alguém de vez em quando, mas fiquei levemente chocada quando, há uns meses, vi o anúncio na porta da mercearia (que não frequentava) relativo à dona da mesma. Ataque cardíaco com direito a autópsia, segundo o que ouvi ao passar por umas vizinhas do prédio ao lado.
Terá sido como no filme? O assassínio do Alto do Pina?

Ontem tive a sorte de apanhar esta pérola do Woody e recomendo que vejam a repetição hoje, no canal Hollywood, às 18h30. Se não forem uns desocupados como eu, vejam pelo menos isto. Gostei especialmente da parte em que o Woody diz à mulher (Diane Keaton) "It's no wonder, we live in the geriatric floor!" (citação não incluída na página, mas que deu origem a este post).


P.S. Esta semana ainda não houve visitinha do INEM. Keep your fingers crossed! (Pela saúde dos meus vizinhos, claro.)