Tenho saudades do meu carro, de estar dentro do meu carro, de conduzir o meu carro, de conduzir o meu carro para Trás-os-Montes, a estrada e o sol de fim de tarde, eu dentro do meu carro, um cigarro aceso, Radiohead aos berros. Como da primeira vez.
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sábado, março 24, 2012
quinta-feira, abril 08, 2010
Na saúde, na doença e no ressono
Num mundo em que os casamentos ainda são para sempre ou até à morte - o que quer que venha primeiro, como dizia o poeta - conta-me a minha madrinha que uma grande amiga sua, em desabafo geral, diz que o marido ressona e que às vezes até tem de o empurrar para que pare, ao que a mãe dela, indignada, responde: "Ai, filha, tens de o deixar! Olha parecia tão bom homem..."
quarta-feira, julho 15, 2009
Às vezes,
as saudades são tão fortes que, se tivesse olfacto, diria que me cheira a Trás-os-Montes nas ruas do Porto. Ontem estava sol e, em vez de ir para casa, apetecia-me conduzir até lá e ir apanhar cebolas. Isso mesmo. Apanhar cebolas e estar com eles sem pressas, sem compromissos difíceis, só o sol e a terra e o ar. As saudades fazem-me ter vontade de chorar, ouço a música e lembro-me de Setembro e eu que sempre detestei Setembro, Setembro é o maior dos meses, onde cabem cebolas e luares magníficos ainda de dia e amoras e a terra solta e seca toda dentro dos sapatos. Apeteceu-me chorar quando a minha mãe disse que ligou para a minha madrinha, mas que não estavam, "tinham ido à horta". Eu dava tudo para estar lá com eles, terra nos sapatos, feridas nas mãos, dores nas costas, tudo.
Apeteceu-me chorar com as saudades. Mas também está para me vir o período.
Apeteceu-me chorar com as saudades. Mas também está para me vir o período.
sexta-feira, julho 10, 2009
Obscuridade
Cá fora o sol era forte e branco. Dentro da igreja era tudo preto. Foi como passar uma porta para outro mundo. Esqueci-me da falta de vontade de estar ali, de não saber o que lhes dizer, da vontade de ficar lá fora e sentir o Reino maravilhoso como ele é. (E ele estava tão Maravilhoso.)
Também percebi que não gosto de preto.
Também percebi que não gosto de preto.
terça-feira, maio 05, 2009
Zona transfronteiriça
segunda-feira, maio 04, 2009
Das fronteiras
Em Aldeadávila os nativos devem ficar tão lixados por só terem vodafone portuguesa como nós na aldeia do meu pai por só termos vodafone espanhola. (Outra que não se entende.)
sexta-feira, abril 17, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
Do sono
Em Trás-os-Montes dormi como um bebé e horas a fio. Depois veio a festa na aldeia e estragou-me a média, mas por óptimos motivos, copos até às 4h e almoço de Páscoa às 13h na outra aldeia.
E desde aí que não voltei a dormir umas oito horinhas decentes, mas suspeito que o meu corpo já vai habituado, porque ontem deitei-me por volta da meia-noite e meia (que cedo!), músculos arrasados da distribuição, e hoje às 6h40 estava de olho aberto a ver as horas. Virei-me para o lado e dormi até o despertador tocar, que se há coisa a que o meu corpo está habituado e certificado a fazer é adormecer sempre que pode.
E desde aí que não voltei a dormir umas oito horinhas decentes, mas suspeito que o meu corpo já vai habituado, porque ontem deitei-me por volta da meia-noite e meia (que cedo!), músculos arrasados da distribuição, e hoje às 6h40 estava de olho aberto a ver as horas. Virei-me para o lado e dormi até o despertador tocar, que se há coisa a que o meu corpo está habituado e certificado a fazer é adormecer sempre que pode.
quinta-feira, abril 09, 2009
E tenho muito sono de manhã...
Não durmo uma noite inteira, daquelas de acordar espontaneamente, desde a semana passada. Mas não me posso queixar, porque no sábado de manhã fui para Madrid passar o fim-de-semana e só voltei na segunda de manhã.
Na segunda à noite tive os anos de um amigo, copos ao fim da tarde, jantar em excelente companhia (excelente, excelente), mais copos a seguir.
Na terça fui à ópera em excelente companhia e a seguir bebemos finos para comemorar o aniversário da filha-companheira-de-tudo-e-mais-alguma-coisa-excelente-menina.
Ontem fui aos sem-abrigo ("Vem cá o Público? O JN? A RTP?", eles a mandarem bocas por causa da minha ausência dos últimos tempos) e depois copos no Piolho e hoje dói-me tudo porque já não pegava em panelas de 6kg de arroz há muito tempo.
Hoje rumo ao spa, vou dormir tanto que acho que até vou hibernar um bocadinho. Ou não, porque os finos em ToM custam 80 cêntimos e a companhia é óptima.
Nota do autor: os copos várias vezes mencionados foram de coca-cola, a ver se acordava, ou de nada, a ver se não piorava a coisa.
Na segunda à noite tive os anos de um amigo, copos ao fim da tarde, jantar em excelente companhia (excelente, excelente), mais copos a seguir.
Na terça fui à ópera em excelente companhia e a seguir bebemos finos para comemorar o aniversário da filha-companheira-de-tudo-e-mais-alguma-coisa-excelente-menina.
Ontem fui aos sem-abrigo ("Vem cá o Público? O JN? A RTP?", eles a mandarem bocas por causa da minha ausência dos últimos tempos) e depois copos no Piolho e hoje dói-me tudo porque já não pegava em panelas de 6kg de arroz há muito tempo.
Hoje rumo ao spa, vou dormir tanto que acho que até vou hibernar um bocadinho. Ou não, porque os finos em ToM custam 80 cêntimos e a companhia é óptima.
Nota do autor: os copos várias vezes mencionados foram de coca-cola, a ver se acordava, ou de nada, a ver se não piorava a coisa.
sábado, fevereiro 14, 2009
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Maldita tu, Ana Maria
Passos Manuel. Flashback imediato para a festa de 88, a comida, os meus vestidos, as pessoas todas lá em casa, os espectáculos, a comida. A casa com que mais sonho, que definiu e pintou partes inteiras da minha vida.
Depois fui agradecer ao DJ's o bocadinho de passado.
E agora estou a ouvir isto enquanto escrevo e só me apetece rir, principalmente quando penso que quem estiver a ler vai ficar a achar que eu gosto (ou gostava) da música.
Depois fui agradecer ao DJ's o bocadinho de passado.
E agora estou a ouvir isto enquanto escrevo e só me apetece rir, principalmente quando penso que quem estiver a ler vai ficar a achar que eu gosto (ou gostava) da música.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Trago nabiças,
um saco de doces, outro de bolas de sertã, alheiras e cerejas em calda.
Sem saco, mas ainda mais precioso, trago a limpeza dos campos molhados da chuva e o frio do ar que revitaliza.
Depois chego ao Porto e conspurco-me logo toda. Ora, abóbora!
Sem saco, mas ainda mais precioso, trago a limpeza dos campos molhados da chuva e o frio do ar que revitaliza.
Depois chego ao Porto e conspurco-me logo toda. Ora, abóbora!
segunda-feira, dezembro 08, 2008
O reino
perde a maravilhosidade quando venho para me esquecer de certas coisas por uns dias
e mas relembram continuamente.
Meus caros, para isso já dei, lamento.
e mas relembram continuamente.
Meus caros, para isso já dei, lamento.
Explico à prima a teoria do frio
Eu: Porque eu já não passava o Outono no Porto há 8 anos, percebes? Quer dizer, claro que ia lá ao fim-de-semana e sentia frio e tal, mas...
Ela: Mas depois voltavas para Lisboa.
Pois. (E parti-me a rir.)
Ela: Mas depois voltavas para Lisboa.
Pois. (E parti-me a rir.)
terça-feira, dezembro 02, 2008
Do fim-de-semana
Correu tudo na perfeição com a recolha para o Banco Alimentar. Pelo menos no meu turno único de condutora.
Cheguei mesmo na hora de carregar a carrinha, saí directa para o BA e, à chegada, só tinha uma carrinha à minha frente a acabar de descarregar.
Perfeito.
Despachada em 45min, viagens incluídas.
O mesmo não se pode dizer dos grandiosos planos de ir a Trás-os-Montes ver a família.
Ainda na Praça Velasques, já despachada, liga-me a prima-irmã a dizer que as estradas estão cortadas. "Vocês não vêem as notícias?!", indigna-se.
Oh pázinha, eu estive a participar na recolha de alimentos e não, não tenho por hábito ver notícias ao sábado de manhã - eu é mais dormir. (Ou chegar a casa, mas isso são outros 500...)
IP4 cortado, A24 cortada, estrada não-sei-quê da Guarda cortadíssima.
Raios! Aviso o irmão, ligo ao Pai que já lá está e sou aconselhada a ficar.
Ao telefone, a Protecção Civil de Vila Real diz-me que a estrada só está cortada no sentido Vila Real-"Amarénte".
Decido ficar. O irmão, vá-se lá saber porquê, decide arriscar.
Fico e ajudo na recolha, 4h ao frio a pedir alimentos às pessoas que entram no Pingo Doce.
Não foi o fim-de-semana que planeei, não vi a neve, não fiz a limpeza típica do Spa espiritual, mas soube bem na mesma. Ajudar, estar com ela, o meu poço-mais-fundo, jantar com amigos, sair, ter a casa só para mim.
O próximo fim-de-semana também é prolongado, a ber a ber...
Cheguei mesmo na hora de carregar a carrinha, saí directa para o BA e, à chegada, só tinha uma carrinha à minha frente a acabar de descarregar.
Perfeito.
Despachada em 45min, viagens incluídas.
O mesmo não se pode dizer dos grandiosos planos de ir a Trás-os-Montes ver a família.
Ainda na Praça Velasques, já despachada, liga-me a prima-irmã a dizer que as estradas estão cortadas. "Vocês não vêem as notícias?!", indigna-se.
Oh pázinha, eu estive a participar na recolha de alimentos e não, não tenho por hábito ver notícias ao sábado de manhã - eu é mais dormir. (Ou chegar a casa, mas isso são outros 500...)
IP4 cortado, A24 cortada, estrada não-sei-quê da Guarda cortadíssima.
Raios! Aviso o irmão, ligo ao Pai que já lá está e sou aconselhada a ficar.
Ao telefone, a Protecção Civil de Vila Real diz-me que a estrada só está cortada no sentido Vila Real-"Amarénte".
Decido ficar. O irmão, vá-se lá saber porquê, decide arriscar.
Fico e ajudo na recolha, 4h ao frio a pedir alimentos às pessoas que entram no Pingo Doce.
Não foi o fim-de-semana que planeei, não vi a neve, não fiz a limpeza típica do Spa espiritual, mas soube bem na mesma. Ajudar, estar com ela, o meu poço-mais-fundo, jantar com amigos, sair, ter a casa só para mim.
O próximo fim-de-semana também é prolongado, a ber a ber...
sexta-feira, novembro 28, 2008
quinta-feira, novembro 27, 2008
Spa espiritual
Mais do que refúgio, ir a Trás-os-Montes é um spa espiritual.
Para limpar, descarregar, refrescar e revitalizar.
E voltar como nova, jantes brilhantes.
Nunca mais é sábado...
Para limpar, descarregar, refrescar e revitalizar.
E voltar como nova, jantes brilhantes.
Nunca mais é sábado...
terça-feira, novembro 11, 2008
Bolo de Laranja
Quando eu era pequenina e ainda nem sabia ler, a minha Mãe tinha um rancho de quatro filhos à volta dela sempre que abria o caderno de receitas.
Para nos entreter, na altura da marmelada fazia-nos rebuçados da calda de água com açúcar antes de lhe juntar os marmelos.
Ou então deixava-nos moldar (e até rechear) as roscas que depois fritava.
Outras vezes, a comprovar pelo velhinho caderno de receitas que ainda guarda, deixava-nos sentar de joelhos em cima de bancos e usar a bancada ao lado da lareira para fazer desenhos - a tela preferida era a capa do dito caderno.
O meu irmão devia andar a aprender a escrever e usava qualquer superfície para rabiscar, às vezes letras, às vezes símbolos incompreensíveis.
(Nessa altura eu andava de certeza a fazer malabarismos na hora da sesta no infantário.)
Lembro-me dos protestos das minhas irmãs, mais velhas, quando ele quis desenhar bonecos no caderno - e a minha Mãe deixou.
(Ela sempre o deixou fazer tudo o que queria.)
Até hoje lá estão os desenhos, a Mãe de avental a cozinhar com uma colher de pau na mão e, em primeiro plano, uma menina (qual de nós seria?) a brincar com uma boneca e duas bolas, mais tarde censuradas.
Esta herança de família foi bravamente disputada por todos, "não, sou eu que fico com ele", "não, sou eu que sou mais velha", com a minha Mãe atrás sempre a dizer "oh, quando forem grandes o caderno já nem existe".
Existe pois, e ainda hoje o usei para fazer o bolo de laranja preferido do meu Pai, que faz 63 anos.
Para nos entreter, na altura da marmelada fazia-nos rebuçados da calda de água com açúcar antes de lhe juntar os marmelos.
Ou então deixava-nos moldar (e até rechear) as roscas que depois fritava.
Outras vezes, a comprovar pelo velhinho caderno de receitas que ainda guarda, deixava-nos sentar de joelhos em cima de bancos e usar a bancada ao lado da lareira para fazer desenhos - a tela preferida era a capa do dito caderno.
O meu irmão devia andar a aprender a escrever e usava qualquer superfície para rabiscar, às vezes letras, às vezes símbolos incompreensíveis.
(Nessa altura eu andava de certeza a fazer malabarismos na hora da sesta no infantário.)
Lembro-me dos protestos das minhas irmãs, mais velhas, quando ele quis desenhar bonecos no caderno - e a minha Mãe deixou.
(Ela sempre o deixou fazer tudo o que queria.)
Até hoje lá estão os desenhos, a Mãe de avental a cozinhar com uma colher de pau na mão e, em primeiro plano, uma menina (qual de nós seria?) a brincar com uma boneca e duas bolas, mais tarde censuradas.
Esta herança de família foi bravamente disputada por todos, "não, sou eu que fico com ele", "não, sou eu que sou mais velha", com a minha Mãe atrás sempre a dizer "oh, quando forem grandes o caderno já nem existe".
Existe pois, e ainda hoje o usei para fazer o bolo de laranja preferido do meu Pai, que faz 63 anos.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Halloween
Era uma vez uma mulher numa aldeia perdida no meio das pedras em Trás-os-Montes, onde o frio mata e o calor derrete o chão, e as mulheres vestem preto para sempre depois de ficarem sem os maridos.
Esta mulher tinha um marido que queria testar o amor dela e por isso fingiu que tinha morrido para ver o seu desgosto.
No dia do enterro o cortejo fúnebre dirigia-se para o cemitério por um caminho cheio de árvores.
O marido, ao ver a mulher muito desgostosa a chorar ao lado do caixão, contentou-se com a prova de amor que tanto queria.
Vendo uns ramos mais baixos a que se pudesse agarrar, o marido que fingia estar morto levantou-se do caixão e anunciou a todos que tinha regressado dos mortos.
O tempo passou e chegou finalmente a hora dele. Morreu, desta vez a sério.
No dia do enterro a mulher obrigou o cortejo a seguir outro caminho para que não passassem por baixo da mesma árvore.
Esta mulher tinha um marido que queria testar o amor dela e por isso fingiu que tinha morrido para ver o seu desgosto.
No dia do enterro o cortejo fúnebre dirigia-se para o cemitério por um caminho cheio de árvores.
O marido, ao ver a mulher muito desgostosa a chorar ao lado do caixão, contentou-se com a prova de amor que tanto queria.
Vendo uns ramos mais baixos a que se pudesse agarrar, o marido que fingia estar morto levantou-se do caixão e anunciou a todos que tinha regressado dos mortos.
O tempo passou e chegou finalmente a hora dele. Morreu, desta vez a sério.
No dia do enterro a mulher obrigou o cortejo a seguir outro caminho para que não passassem por baixo da mesma árvore.
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