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terça-feira, dezembro 02, 2008

Comida fetiche

No domingo tirei a barriga de miséria (sim, a mesma que digeriu uma caixa inteira de After Eight's, coitada) e não foi só em termos de chocolate. Confeccionei e comi, várias vezes, a minha comida fetiche.
Não, não são hamburgueres, é mesmo massa com beringela.
(Não confundir: ambas são comidas fetiche, mas apetecem-me em alturas diferentes da vida. Ou do mês...)
A beringela era grande e, à falta de tomate maduro, comprei passata e sem querer usei o frasco todo.
Fui generosa na massa e o resultado foi um prato para 4 pessoas que comem bem, mas eu era só uma.
Jantei, ceei e ainda guardei para o dia seguinte. 
No dia seguinte, a minha Mãe almoçou daquilo (pois, tinha muita pimenta, eu sei) e eu também.
E agora só me apetece comer mais do mesmo.
Duas notas: passata não é tomate fresco e não se pode usar um frasco inteiro. A saber, 680g de tomate. 
Pimenta branca é um nojo, maldita a hora em que parti sem querer o meu moinho de 5 pimentas!

terça-feira, novembro 11, 2008

Bolo de Laranja

Quando eu era pequenina e ainda nem sabia ler, a minha Mãe tinha um rancho de quatro filhos à volta dela sempre que abria o caderno de receitas.
Para nos entreter, na altura da marmelada fazia-nos rebuçados da calda de água com açúcar antes de lhe juntar os marmelos.
Ou então deixava-nos moldar (e até rechear) as roscas que depois fritava.
Outras vezes, a comprovar pelo velhinho caderno de receitas que ainda guarda, deixava-nos sentar de joelhos em cima de bancos e usar a bancada ao lado da lareira para fazer desenhos - a tela preferida era a capa do dito caderno.
O meu irmão devia andar a aprender a escrever e usava qualquer superfície para rabiscar, às vezes letras, às vezes símbolos incompreensíveis.
(Nessa altura eu andava de certeza a fazer malabarismos na hora da sesta no infantário.)
Lembro-me dos protestos das minhas irmãs, mais velhas, quando ele quis desenhar bonecos no caderno - e a minha Mãe deixou.
(Ela sempre o deixou fazer tudo o que queria.)
Até hoje lá estão os desenhos, a Mãe de avental a cozinhar com uma colher de pau na mão e, em primeiro plano, uma menina (qual de nós seria?) a brincar com uma boneca e duas bolas, mais tarde censuradas.
Esta herança de família foi bravamente disputada por todos, "não, sou eu que fico com ele", "não, sou eu que sou mais velha", com a minha Mãe atrás sempre a dizer "oh, quando forem grandes o caderno já nem existe".
Existe pois, e ainda hoje o usei para fazer o bolo de laranja preferido do meu Pai, que faz 63 anos.

terça-feira, junho 13, 2006

Tomai lá

já que eu não posso.

Areado (Crumble) de Framboesas

500g de Framboesas (ou outros frutos vermelhos; aconselho morangos, cerejas e amoras)
160g de Açúcar
300g de Farinha
160g de Margarina Vaqueiro (ou manteiga mesmo, que sabe melhor)

Lavai as framboesas (ou outros frutos) com juízo e secai com papel absorvente. Se congelados, não vos raleis: saltai a parte da secagem e ponde assim mesmo.
Colocai num tabuleiro redondo ou rectangular com os bordos altos.
Dentro de uma tijela, misturai o açúcar e a farinha. Juntai depois a margarina cortada em cubinhos e misturai com os dedos até ligar com a farinha. Cobri os frutos com uma camada de cerca de 1cm dessa massa. Cobri com a massa toda, andai, que é a mesma coisa, ora agora a medir alturas de massa, nunca mais era sábado...
Cozei no forno durante 20 minutos. Não me pergunteis a temperatura, que eu também não sei. Aí a meio, nem muito quente, nem muito frio.
Quando a crosta estiver dourada (é dourada, não é castanha), retirai o areado do forno e deixai arrefecer, aí uns quinze minutos ou até não poderdes mais.
Servi morno com um pouco de natas, diz a minha irmã, servi com uma bela bola de gelado, digo eu.
Lambuzai-vos, lambuzai-vos, que engorda, mas sempre é da maneira que comeis fruta.


Coitados dos antigos, que tinham de falar assim. Detesto especialmente os verbos irregulares, em que o imperativo se confunde com a primeira pessoa do pretérito perfeito.