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terça-feira, setembro 07, 2010
Festa do Avante 2010
Afonso, 9 anos, enquanto ajudava a montar a minha tenda: Que chatas! Ela dorme connosco! Porque é que ela não pode dormir connosco?
quinta-feira, junho 25, 2009
Apercebi-me agora
Tenho saudades do puto. Por ele, pelo descanso que era tratar dele e pela infindável inspiração que me dava para posts todos os dias.
domingo, junho 07, 2009
Votar
Voltar à escola onde agora os toldos entre pavilhões me parecem minúsculos, do alto do meu metro e sessenta.
Mudaram a minha secção de voto para o C. Entro na sala onde me lembro de aprender inglês, "olha, lá no teu instituto" e eu sempre a dizer que não andava em instituto nenhum, mas ela "no teu instituto usam" sempre a insistir, professora mais chata, sei que devo ter aprendido muitas mais coisas, mas é das aulas de inglês que me lembro, entro, dou os meus documentos, espero que me encontrem na lista, recebo o boletim, vejo-o para confimar onde vou pôr a minha cruz, faço a cruz sem tremer, dobro-o em quatro, saio. Estraguei muitas mochilas naquela escola, sempre a fazermos slide pelos corrimões, no 5º ano cheguei atrasada a uma aula de inglês e era teste e eu não me lembrava. Sentei-me separada da turma, acho que ela sabia que copiavam por mim, fiz o teste e saí mais cedo. Como é que eu havia de me lembrar de outra coisa que não as aulas de inglês? Ah, e as de música, todos cá fora a ouvir os sons da rua, eu não ouvia nada e aprendi a ouvir muito mais. Quando estava com ele fazia isso muitas vezes, identificar os sons na rua, sempre a pensar na professora loira que dizia "o pai das minhas filhas" e me ensinou tanto.
Mudaram a minha secção de voto para o C. Entro na sala onde me lembro de aprender inglês, "olha, lá no teu instituto" e eu sempre a dizer que não andava em instituto nenhum, mas ela "no teu instituto usam" sempre a insistir, professora mais chata, sei que devo ter aprendido muitas mais coisas, mas é das aulas de inglês que me lembro, entro, dou os meus documentos, espero que me encontrem na lista, recebo o boletim, vejo-o para confimar onde vou pôr a minha cruz, faço a cruz sem tremer, dobro-o em quatro, saio. Estraguei muitas mochilas naquela escola, sempre a fazermos slide pelos corrimões, no 5º ano cheguei atrasada a uma aula de inglês e era teste e eu não me lembrava. Sentei-me separada da turma, acho que ela sabia que copiavam por mim, fiz o teste e saí mais cedo. Como é que eu havia de me lembrar de outra coisa que não as aulas de inglês? Ah, e as de música, todos cá fora a ouvir os sons da rua, eu não ouvia nada e aprendi a ouvir muito mais. Quando estava com ele fazia isso muitas vezes, identificar os sons na rua, sempre a pensar na professora loira que dizia "o pai das minhas filhas" e me ensinou tanto.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
O trabalho
Um sol fantástico lá fora e ele começa logo a chorar assim que lhe digo que vamos à rua.
"Vua não!!", seguido de buáá com lágrimas. "Rua, é rua", digo-lhe eu, que ando numa de lhe corrigir a fala.
Desligo a televisão (que é onde normalmente o encontro quando chego), mais choro.
Mas levanta-se quando lhe digo "Vamos vestir o casaco" e, sempre a chorar e a dizer "A vua não" (rua, é rrrua), estica os braços para eu lhe vestir o casaco.
A mim dá-me vontade de rir.
"Vua não!!", seguido de buáá com lágrimas. "Rua, é rua", digo-lhe eu, que ando numa de lhe corrigir a fala.
Desligo a televisão (que é onde normalmente o encontro quando chego), mais choro.
Mas levanta-se quando lhe digo "Vamos vestir o casaco" e, sempre a chorar e a dizer "A vua não" (rua, é rrrua), estica os braços para eu lhe vestir o casaco.
A mim dá-me vontade de rir.
domingo, fevereiro 15, 2009
Há dias,
o trabalho estava a fazer uma birra gigantesca para dormir. Eu tinha ido ao café e cigarro na varanda, já que ambos os pais estavam em casa, altura em que me transformo na mais odiosa das pessoas para ele.
Quando voltei para dentro ouvi-o aos berros na casa de banho com a mãe, e ela já a perder a paciência com ele, nem dizia nada. Peguei nele, contra a vontade, o que é virtualmente impossível, e subornei-o. "Anda comigo, vamos procurar a tua chucha. Queres vir?" Parou de chorar o tempo suficiente para me entender, saltou para o meu colo e abraçou-se ao meu pescoço cheio de carinho, o que quer dizer que quase me estrangulava com o entusiasmo.
"Tu gostas muito de mim, não é?", disse-lhe a rir-me, ele a apertar mais e eu a pensar que 5 segundos antes estava louco no chão a espernear.
Enchi-o de beijos a caminho do quarto e deitei-o. Vou ter muitas saudades dele.
Quando voltei para dentro ouvi-o aos berros na casa de banho com a mãe, e ela já a perder a paciência com ele, nem dizia nada. Peguei nele, contra a vontade, o que é virtualmente impossível, e subornei-o. "Anda comigo, vamos procurar a tua chucha. Queres vir?" Parou de chorar o tempo suficiente para me entender, saltou para o meu colo e abraçou-se ao meu pescoço cheio de carinho, o que quer dizer que quase me estrangulava com o entusiasmo.
"Tu gostas muito de mim, não é?", disse-lhe a rir-me, ele a apertar mais e eu a pensar que 5 segundos antes estava louco no chão a espernear.
Enchi-o de beijos a caminho do quarto e deitei-o. Vou ter muitas saudades dele.
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Cinco minutos depois
de sairmos de casa, "o banco, tou 'xado".
Ora abóbora, puto, então eu trago-te à rua a ver se gastas as energias para as birras e já te cansaste? I will have none of that, quis informá-lo, mas receei causar-lhe traumas profundos irreversíveis.
Vamos correr?, aliciei.
Tu 'panha-me e eu fujo, foi a sugestão dele. (Coitadinho, ainda não sabe atribuir a ordem das coisas.)
Pensei no que poderia dizer-lhe para o assustar e fazê-lo correr à minha frente e, embora gritar-lhe "tu nunca me ouves, não te interessas pelo que te digo, não queres falar de sentimentos, casa comigo!, vamos ter filhinhos, apanha a roupa do chão, não sou tua criada!" me divertisse muito mais, optei pelo simples sopro de lobo mau.
Nem sabes o que te espera, puto.
Ora abóbora, puto, então eu trago-te à rua a ver se gastas as energias para as birras e já te cansaste? I will have none of that, quis informá-lo, mas receei causar-lhe traumas profundos irreversíveis.
Vamos correr?, aliciei.
Tu 'panha-me e eu fujo, foi a sugestão dele. (Coitadinho, ainda não sabe atribuir a ordem das coisas.)
Pensei no que poderia dizer-lhe para o assustar e fazê-lo correr à minha frente e, embora gritar-lhe "tu nunca me ouves, não te interessas pelo que te digo, não queres falar de sentimentos, casa comigo!, vamos ter filhinhos, apanha a roupa do chão, não sou tua criada!" me divertisse muito mais, optei pelo simples sopro de lobo mau.
Nem sabes o que te espera, puto.
sábado, fevereiro 07, 2009
Click das 22h30 (ontem)
Na escala dos dias, o de hoje foi bom. O trabalho correu bem, fez chichi quando devia, dormiu sem história (e sem birra) e, de um modo geral, esteve-se bem.
E que melhor depois de uma entrevista do que beber minis e estar com a amiga para festejar?
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Anda, olha ito!
No Panda está a dar um vídeo foleiro de uma loura desenxabida e dois bebés gordos a cantar o "Joana Come a Papa" com voz de putos. Ele chama-me para ver, todo contente porque reconhece a música que eu às vezes lhe canto.
Eta é tu, ete sou eu, diz enquanto aponta a loura desenxabida e um dos bebés gordos.
Eu não sei além do 4, 5, 6 era uma história de reis e uma colher de papa, mas aquele 16, 17 mais uma pinga no babete não me convenceu.
Eta é tu, ete sou eu, diz enquanto aponta a loura desenxabida e um dos bebés gordos.
Eu não sei além do 4, 5, 6 era uma história de reis e uma colher de papa, mas aquele 16, 17 mais uma pinga no babete não me convenceu.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
De hoje
Hoje cheguei (muito) atrasada ao trabalho, que estava na banheira. Enquanto eu tirava o casaco, o trabalho saiu da banheira sozinho e veio a correr para o corredor, todo despidico. Mandou um senhor tralho no chão e queixou-se um bocado, altura em que eu tentei elucidá-lo acerca das propriedades físicas do chamado "corpo completamente molhado" que impossibilitam a circulação no bem conhecido "chão envernizado".
There's never a dull moment.
There's never a dull moment.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
No parque
diz-me que sou o lobo e que sopre para deitar a casinha abaixo.
Eu, bem sentada lá dentro, tento explicar-lhe que sopro de dentro, pode ser?
Não, cá foia.
É que eu sou um lobo pouco ortodoxo, normalmente sopro de dentro das casas.
A explicação detém-no uns segundos, enquanto tenta perceber que não percebeu nada. Acabado o exercício mental, levanto-me e corro atrás dele a soprar.
E depois dizem-me "ai, estás tão magrinha!".
Eu, bem sentada lá dentro, tento explicar-lhe que sopro de dentro, pode ser?
Não, cá foia.
É que eu sou um lobo pouco ortodoxo, normalmente sopro de dentro das casas.
A explicação detém-no uns segundos, enquanto tenta perceber que não percebeu nada. Acabado o exercício mental, levanto-me e corro atrás dele a soprar.
E depois dizem-me "ai, estás tão magrinha!".
terça-feira, janeiro 13, 2009
Babysitting 101
Não se ficou (verdadeiramente) com uma criança até ao dia em que a dita, muito aflita ao fazer chichi porque lhe dói - e para não fazer para fora - nos pede para sermos nós a segurar-lhe na pilinha.
Logo de manhã, eu a vesti-lo
"Tem dói-dói no rabinho."
"Andaste a dar na cerveja preta, foi?"
Silêncio.
Depois tiro-lhe a fralda e, de facto, o puto está todo-assado-coitadinho.
"Sabes do que é isto? É das comezainas. Dos faisões à caçador e da cerveja preta. Não é?"
E ele muito sério e seguro: "Não."
Não, é do leitinho no biberão, queres ver?
"Andaste a dar na cerveja preta, foi?"
Silêncio.
Depois tiro-lhe a fralda e, de facto, o puto está todo-assado-coitadinho.
"Sabes do que é isto? É das comezainas. Dos faisões à caçador e da cerveja preta. Não é?"
E ele muito sério e seguro: "Não."
Não, é do leitinho no biberão, queres ver?
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Ai,
os putos quando estão doentes são tão chatos!
Ou
Coitadinha da carranchecas, infecção no olho, constipação e pilinha sensível de um procedimento médico ontem no pediatra. Até a mim me dói.
Ou
Coitadinha da carranchecas, infecção no olho, constipação e pilinha sensível de um procedimento médico ontem no pediatra. Até a mim me dói.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Ei, que seca!
Pensei eu quando ela me disse que havia um carro telecomandado no armário para usar como engodo para o levar à rua. Depois peguei no comando, ele achou piada a correr atrás do carro e era ver-nos aos dois, a correr e a rirmo-nos rua fora.
Sou uma criança.
terça-feira, dezembro 23, 2008
O puto é cá dos meus
Descobriu o botão de volume do rádio no meu carro.
Roda aquilo como se não houvesse amanhã e ri-se muito quando a música quase nos ensurdece.
"Vais-te assustar quando começar a próxima, T.", digo-lhe.
E ele ansioso como quem espera uma prenda de Natal.
Salta com o susto, mas continua.
Meus ricos ouvidinhos.
Roda aquilo como se não houvesse amanhã e ri-se muito quando a música quase nos ensurdece.
"Vais-te assustar quando começar a próxima, T.", digo-lhe.
E ele ansioso como quem espera uma prenda de Natal.
Salta com o susto, mas continua.
Meus ricos ouvidinhos.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Do amor às máquinas
De manhã consegui arrancá-lo de casa com o pretexto de irmos ao meu carro.
Delirou. Abriu tudo o que conseguiu, ligou os quatro-piscas, apitou, estava no céu.
Prometi-lhe que mais tarde voltávamos lá, mas saí depois da sesta dele e quando voltei a mãe disse-me que ele tinha chorado - com lágrimas! - porque queria ir ao pópó a Anda.
Os homens são todos iguais, seja aos 2, 20 ou 30 anos.
Delirou. Abriu tudo o que conseguiu, ligou os quatro-piscas, apitou, estava no céu.
Prometi-lhe que mais tarde voltávamos lá, mas saí depois da sesta dele e quando voltei a mãe disse-me que ele tinha chorado - com lágrimas! - porque queria ir ao pópó a Anda.
Os homens são todos iguais, seja aos 2, 20 ou 30 anos.
terça-feira, dezembro 16, 2008
Às vezes apetece-me dizer-lhe
"Olha, tu se não andasses sempre a cair, o que é que gostavas de fazer com o tempo que te sobra?"
Puto mais trapalhão.
Puto mais trapalhão.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Alguma coisa ando a fazer bem
Enquanto o vestia depois da sesta, e para o distrair, contei-lhe da visita que ia ter.
"Não!", foi a resposta. "Tu ficas!"
"Eu?", perguntei.
"Xim, tu ficas."
"Fico cá? Não vou para a minha casa?"
"Não."
"E onde é que eu durmo?"
"Aqui", diz a apontar a cama dele.
"Não cabemos os dois aqui", digo-lhe a rir.
Dois anos e já me quer levar para a cama dele.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Duas Histórias de Natal
Trouxe-lhe o livro da Alice Vieira que comprei já em adulta.(Continuo a comprar os livros dela.)
Ontem li-lhe a primeira e ele já dormia a sono solto quando acabei.
Hoje, ainda com a Mãe em casa, estava mais inquieto e acho que não percebeu (ou gostou) nada do que li.
Eu, sabendo da audiência que tinha, li a história com todos os cuidados possíveis, mas mesmo assim não previ o efeito que o primeiro presente do Pai Natal teria em mim.
É a primeira vez que leio a história alto, apesar de já a conhecer bem. E acho que se notou na minha voz a emoção ao chegar ao momento final em que a Doroteia apresenta ao Pai Natal a sua filha recém-nascida. Disfarcei com a constipação que anda a rondar-me o nariz.
Hormonas mais parvas, francamente!
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