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sexta-feira, julho 09, 2010

Espelhos internos e outras reflexões

Sou menina para ver tudo negro quando as coisas não me correm de feição. E normalmente as coisas não me correm de feição, porque se há coisinha que ainda não encasquetei neste meu cérebro trintão (inicio na próxima sexta-feira o meu 31º ano de vida, atenção) é que não posso controlar o mundo nem as pessoas nele contidas. Assim mais explicadinho, não posso obrigar as pessoas a fazer o que eu quero, como eu quero. Nos vinte deparei-me com este calhau na estrada e devo andar à cabeçada a ele, porque ainda não o ultrapassei. E dói-me um bocado a cabeça.
Outra coisa que ainda não ultrapassei, e eu juro que queria muito, é a minha aversão a bichos. Encontrei uma lagarta verde, verdinha no prato do manjerico de São João (que resiste apesar das minhas investidas diárias de água) e sem saber bem como salvá-la dali (tinha casulo e tudo), acho que matei a pobre da bichita. Quantas vidas de lagarta terei de viver até expiar este pecado? (Já nem conto os mosquitos, melgas e moscas.) Parece que não tem nada a ver, mas tem - queria ser adulta para ser consequente, não matar bichos a não ser quando extremamente necessário (esses nojos que são as melgas e os mosquitos), e entender de uma vez por todas que desde que faça tudo ao meu alcance, o resto não é responsabilidade minha. Leia-se, controlado por mim.
Uma semaninha para crescer e sair do casulo, será que chega?

terça-feira, julho 14, 2009

Frase do dia

"Deus deu-me este dom de apanhar pessoas." in JN

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?

Como muitos sabem, todas as quartas-feiras à noite participo numa distribuição de comida pela baixa do Porto.
Todas as quartas-feiras a pergunta repete-se: Têm meias? Têm meias? E cuecas? E cuecas?
Assim, decidimos organizar uma recolha de meias e cuecas, especialmente de homem, até ao Natal.
Todas as doações serão distribuídas na noite de Natal que, caso estejam desatentos, este ano calha numa quarta.
Sim, na noite de Natal estarei a dar comida juntamente com os Samaritanos, numa tenda gigante ali para os lados do Campo Alegre.
Apareçam! Tragam as meias e cuecas que puderem.

A roupa interior pode ser entregue no restaurante "O Oriente no Porto", na Rua de S. Miguel, nº 19, nas traseiras da antiga Cadeia da Relação do Porto.
Qualquer dúvida ou sugestão, é deixar um comentário que eu respondo. :)

quarta-feira, novembro 05, 2008

Às 3h30 da manhã,

hora portuguesa, Obama dirigia-se para o Grant Park para o provável discurso de vitória.
Eu, como sou céptica, nem queria acreditar no que via, para não ficar desiludida, e fui dormir.
Hoje, antes do despertar das 7h30 para ir ao Banco Alimentar, acordei de repente com uma preocupação: o Obama ganhou ou fui eu que sonhei?
Sensação irreal.
Confirmei a vitória no JN pousado em cima da mesa do café onde tomei o pequeno-almoço:
Barack Obama ganhou.
Até o Sol está mais bonito hoje - e eu estou sem palavras.

P.S. É claro que vou ao aniversário do meu avô. Obrigada pelos votos.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Kimmo Pohjonen

Tal como o outro, o quimo, este também nos dá a volta ao estômago, mas só porque nos faz querer dançar e saltar e soltar as emoções fortes que provoca.
Voltei a sentir o mesmo fascínio de quando o comecei a ouvir, agora ampliado na Sala Suggia.
Genial.
Reconciliação perfeita com a Casa da Música.
Aproveitei que estava em modo reflectivo e formei uma opinião (formei várias, para além de teorias sobre língua e personalidade, geografia e constituição química - tenho em crer que o azeite faz bem só aos mediterrânicos, bem como a restante dieta, mas isso fica para outro dia, neurologia humana e fisiologia comparada de humanos e restantes animais da Terra)
sobre o direito de se abandonar um espectáculo só porque não se gosta.
Sentou, vai ter de ouvir. Ainda mais a pagar.

domingo, novembro 02, 2008

Do ódio

O ódio, mesmo o moderado, faz-nos esquecer que uma pessoa não presta e damos por nós a tratá-la bem.
Por despeito.
Mas no meio do mau, talvez se possa descobrir que as pessoas não são só o que fazem. E ninguém é completamente mau ou completamente bom.
Não quero tratar ninguém mal (não tenho o direito), mas esqueci-me do desprezo.
O ódio gera egoísmo que gera negação das convicções que gera choque que gera entendimento.
O ódio gera entendimento. E talvez assim desapareça, para não haver mais energia mal gasta.

domingo, outubro 12, 2008

A resposta

ao meu post sobre os portistas não se fez esperar. A minha resposta a essa resposta tardou um pouco mais, facto pelo qual peço desculpa.
Quem quiser ler (e "adbertir-se"), força.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Portista ou Missionário

Isto de ser Benfiquista em terra de portistas tem que se lhe diga.
Para usar um eufemismo, será assim como ser palestiniano em Israel. Só que pior, porque ao menos eles com as bombas ainda matam uns quantos israelitas, agora portistas a serem dizimados às centenas era o viste-lo!
Não há terra mais violenta e agressiva em relação à sua fé desportiva do que a cidade do Porto.
Já sei, as claques violentas também existem no Benfica e no Sporting e, de vez em quando, já se sabe, há merda.
Caem varandas e rebentam explosivos de sinalização (como é que se chamavam?) em pleno estádio e partem-se carros e são, no seu geral, parvalhões com problemas de auto-controlo. Parvos há-os em todo o lado, com mais ou menos concentração per capita.
Mas no Porto não. A violência pode não ser toda de explosivos feita, mas é uma constante. Principalmente se dirigida a um Benfiquista.
O simples facto de existirmos e respirarmos, às vezes perto demais pelos vistos, irrita os portistas. E de dentro da mais civilizada pessoa, às vezes até de amigos, sai um monstro que quer, literalmente, arrancar-nos a cabeça só porque nós é mais vermelho e branco.
Não se iludam, aqui não há saudáveis e divertidas trocas de galhardetes, "porque a minha equipa é melhor que a tua", aqui há uma perseguição cerrada e doentia ao Benfiquista, como se hereges fôssemos a fugir da fogueira da Inquisição.
Eu compreendia que se debatessem os jogos entre as duas equipas, toda a gente sabe que os árbitros roubam, às vezes joga-se melhor ou pior, etc. Mas não. O portista gosta de chatear o Benfiquista em várias ocasiões, a saber.
Sempre que pode
Sempre que o porto joga
Sempre que o porto ganha
Sempre que o porto perde (esta nunca percebi)
Sempre que o Benfica joga, ganha, perde, empata ou vê anulado o jogo por desaparecimento do relvado (que eu saiba nunca aconteceu, mas eu não sou a mais informada das pessoas sobre assuntos futebolísticos)
Sempre que, no calendário, esteja assinalado um qualquer jogo do Benfica, seja a feijões, para caridade ou daqui a 15 anos
Resumindo: sempre.
Durante 10 anos tive de aturar todos os portistas à minha volta a dizerem bacoradas sobre o Benfa. Incluindo as velhotas na padaria!
Durante 10 anos pensei no que motivará tanta raiva, tanta agressão, tanto mau desportivismo.
Para já, inveja, claro. É difícil viver na sombra de um clube que é tão grande que, mesmo sem ganhar, tem tantos adeptos fervorosos.
Depois, medo. Medinho que faz os portistas correr para a casa-de-banho simplesmente por lhes ocorrer que o deles, o deles não é um grande clube. Às vezes a casa-de-banho está longe ou ocupada e cagam-se as calças, como dizia o Sérgio Godinho.
Por último, e sem querer entrar nas razões sócio-económicas e também histórico-culturais que fazem com que o Porto (a cidade) sofra irredutivelmente de complexos de inferioridade em relação ao resto do país - o que é uma pena, porque o Porto é lindo e grande e forte, mas tem o porto que faz dele bruto e sujo e tacanho -,
falta de fé.
Ora eu não sou uma pessoa religiosa e não é disso que aqui se trata, mas tenho fé em muitas coisas. Os portistas não. Passeiam-se vociferando inanidades sobre o seu clube e sobre o clube dos outros (mais esta), mas não acreditam numa única palavra que dizem.
O típico "toma lá, demos 4-0 ao Benfica na Luz" é apenas a máscara para o verdadeiro "hãn, viste, eu nem pensava que era possível nós conseguirmos chutar uma bola quanto mais marcar, mas olha, até ganhámos, nem sei como, ai, estou tão agradecido que até choro!" - e é também nesta altura que decidem correr para a casa-de-banho porque os nervos de tanto medinho dão a volta aos intestinos.
E cagam-se as calças.
O que nos traz de volta ao título. Porquê missionário?
Para começar, porque os portistas são extremamente aborrecidos e monótonos. Sempre as mesmas piadas, sempre as mesmas tretas, sempre o mesmo medinho. Caguem-se lá por outras razões, vírus de 24h, leite estragado, salmonelas, o que quiserem - agora sempre o mesmo medinho é que já chateia.
Mas missionário principalmente porque o portista é o renascido abstruso que vai pregar aos peixinhos porque se convenceu que a sua fé (que não tem) é melhor do que a tua.
Assim mesmo, como se tivéssemos todos 5 anos.
(Não se ofendam já os portistas, que eu ainda tenho mais insultos para proferir. Só mais um bocadinho, depois podem ir ver os bonecos.)
Só que o abstruso portista consegue dar uns toques de Testemunha de Jeová sempre a tocar à campainha, com um requinte de Mormon - mas sem o fato bonito, que isso é pedir demais.
O portista missionário-moderno quer evangelizar, ou melhor, portificar tudo e todos.
Não prometem a vida eterna nem 70 virgens no Éden, mas enumeram (coitadinhos, enumeram) os feitos do clube, a sua grandeza de dirigente mafioso construída, às vezes quase que contam (pelos dedos, claro) a quantidade de árbitros que o porto já conseguiu subornar. Que é, todos sabemos, infinitamente maior do que a dos outros clubes.
O que é mais engraçado nisto tudo, para além do efeito "medinho recalcado e cagam-se-as-calças", é que os portistas acabam por só fortalecer a fé e a paixão dos outros pelos seus respectivos clubes.
Quem é que, ao ouvi-los, não pensa "Que porcaria de clube, nem os adeptos gostam dele" ou "Estes tipos devem ser mesmo maus, têm de se andar a vender na rua como enciclopédias baratas"? (E sim, a palavra enciclopédias era um eufemismo.)
Ora nenhum Benfiquista faz isto. (Não sei quanto aos outros clubes, tive a sorte de nascer Benfiquista.)
O Benfiquista ama o seu clube sem precisar de explicar porquê e sem necessidade, principalmente, de explicar aos outros porquê.
É o que em inglês se chama "self-explanatory".
O Benfiquista não precisa de insultar os adeptos de outros clubes quando mostra a sua superioridade: bem lhes basta não serem do Benfica, coitados.

Notas:
1. O uso de minúscula em referência ao clube e maiúscula em referência à cidade é perfeitamente intencional e destina-se a separar a confusão que há entre a cidade do meu coração e o clube de futebol.
2. O uso de maiúscula em todas as referências ao Benfica é também perfeitamente intencional, seria aliás um erro de Português não o fazer.
3. Não há terapia no mundo que salve os portistas. Paz às suas almas.

sábado, maio 24, 2008

O ex-dela sobre mim*

"Há anos que não sabia nada dela, mas parece estar bem no novo emprego. Nunca a imaginei num lugar daqueles (todo high tech), sempre pensei que ela ia se envolver numa ONG qualquer e andar a saltar da América do Sul para África a defender causas nobres (até descobrir que estava a ser manipulada - esta é a minha costela fascista a falar)."
Ou
se o valor que nos atribuem parece ser maior do que o que nos reconhecemos,
não temos outra solução senão aceitar e rise to the occasion.
Não é seguir o caminho que os outros querem para nós,
é ter finalmente a coragem de seguir o nosso próprio caminho,
o que afinal sempre esteve ali.

*de quem eu também gostava muito

quinta-feira, maio 22, 2008

Segunda vez

À segunda vez é mais fácil, já sabemos os rituais (embora ainda me esqueça que não se pode comer na cozinha), lembramo-nos do lugar das coisas, sabemos a sequência da comida, reconhecemos algumas das pessoas nos sítios onde vamos.
Foi um quase tête-à-tête com a filha cozinheira/etc., as duas sozinhas na cozinha, ela até descascou alguns dos kiwis para o sumo, tarefa menor para uma cozinheira-chefe.
Fiz um bolo de chocolate para os cozinheiros e decorei-o com morangos, estas mãozinhas de ouro já não são o que eram e por isso o bolo tinha uma depressão no meio, disfarçada com um morango inteiro. (Até os bolos têm depressões, livra!)
Depois foram chegando mais ajudantes, todos necessários, nem que fosse para brincar com o miúdo.
Jantámos os cinco (desta vez éramos menos) com os dois miúdos, convencemos o único homem da mesa a vir connosco, conduzi eu a carrinha. (Felizmente não vimos nenhuma ambulância do INEM, senão não tinha respondido por mim.)
Pelo meio, poço fundo. Despejei os dilemas e as angústias, ela ouviu-me como sempre, fumámos cigarros e depois trocámos, ela disse-me o que achava, eu fiquei (um bocadinho) mais aliviada.
Para não ser só umbigo, também falámos das missões das Nações Unidas, S. Tomé e Princípe e Guiné-Bissau. Ou Brasil, ainda não sei.
Desta vez havia muita gente à nossa espera em S. Bento, não chovia e eu ocupei-me da roupa com a outra homónima, ocupação rápida e sem trabalho, a roupa desapareceu em menos de nada. Muita dela irá parar à Vandoma, mas que se há-de fazer?
Fui levar um prato a um senhor adormecido com a recomendação de não o acordar - os sem-abrigo também têm direito a ter maus-acordares, ora.
Depois perguntei pelo senhor dos iogurtes, S. Fernando, disseram-me, levei-lhe um prato de comida como da outra vez e a homónima nº 2 levou o sumo.
Boa noite, quer comer? Destapa-se e sorri-nos, agradece muito, Deus vos abençoe, deseja uma boa noite e a homónima mais inocente que conheço volta toda contente com a simpatia dele.
Ainda com imensa comida, eu esperançosa no Aleixo, metemos tudo outra vez na carrinha e mesmo quando íamos partir, eu até tinha conseguido pôr o cinto, mais uma pessoa para comer.
Sai tudo da carrinha, abre as panelas, serve a comida, copo de sumo, arruma tudo outra vez, entra tudo na carrinha, liga a chave, dá a volta, hop, lá vamos nós para o Carregal.
No Carregal já só com meias de homem pedidas na semana passada, damos a comida toda, vejo a senhora que estava nessa tarde na consulta do Magalhães Lemos, não será sem-abrigo, mas não tem o que comer.
O último prato servido e aparece mais uma pessoa, Ainda tem comida?, o não a doer no coração, Já se acabou.
Isto custa sempre muito.
Desta vez foi tudo muito rápido, acabámos cedo, voltámos e fui estacionar a carrinha, mais dois dedos com ela, o D. já atacado de ciumeira, Que é isso, a apalpar as amigas?, Ai, se tu soubesses, ainda tu não existias e já nós éramos assim, seremos sempre, sempre, para sempre.
E nada de Aleixo!

sexta-feira, maio 16, 2008

Serviço Público

Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado
É pena o site funcionar bastante mal, mas pode ser que alguém se voluntarie para o melhorar. Também é ajudar.
Mais:
Portal da Juventude
Cruz Vermelha Portuguesa
Bolsa do Voluntariado
Voluntariado no Porto
Voluntariado em Lisboa
Food for Life (a associação da distribuição de comida a que me juntei na quarta à noite)

quinta-feira, maio 15, 2008

Atrás dos olhos

Atrás dos olhos, as lágrimas.
Atrás dos olhos, a fome deles, a comida feita em conjunto, servida em linha de montagem personalizada, a satisfação de fazer alguma coisa pelos outros.
Quando cheguei o recheio dos crepes estava feito, a massa para os ditos ia começar a ser cozinhada.
Descarregámos a carrinha cheia de comida do Banco Alimentar, arrumámos tudo num sofisticado sistema de first in, first out em que o esparguete começou a cair quando abrimos a porta, mas logo se compôs. Até suámos.
O trio das Joanas atacou depois o sumo de pêssego. Descascar um caixote de pêssegos, provar um, tirar os caroços, juntar água e depois passar tudo com a varinha mágica industrial do restaurante.
Para acompanhar os crepes de legumes, arroz e salada de tomate. O sumo como bebida. Pão quentinho saído do forno.
Quando a comida estava pronta, jantámos todos na mesma mesa, comemos o que fizémos em conjunto para os outros, em comunidade. Comida na carrinha e partimos.
S. Bento, os habituais e mais alguns. Carrinha da comida e carrinha da feira, roupa, sapatos, não há muitas meias e collants nem vê-los.
Os tapetes servem para aquecer os pés.
Atrás dos olhos, a vontade de chorar ao ver a fome. Pensar se aquela terá sido a única comida do dia. E nos outros dias? Outras associações, explicam-me.
Atrás dos olhos, as lágrimas de tristeza e de alegria, todas misturadas, pensar só nos outros e com isso conseguir o melhor para nós, esquecer, parar a cabeça por momentos porque enquanto se descascam pêssegos só se pensa em acabar, ver o fundo do caixote, refilar com o sumo que me pica a pele só porque o trabalho com piadas sarcásticas se faz muito melhor.
Depois de S. Bento ainda o jardim do Carregal, já havia pouca comida e por isso quando chegámos a Júlio Dinis só tínhamos pão e roupa.
Para a semana prometeram-me o Aleixo, faremos mais comida.
Atrás dos olhos, na cabeça e no coração, Amor.
Volto lá.

domingo, março 16, 2008

A menos de duas horas de partir

e nao se deixem enganar pela hora do post, que isto estah pela hora portuguesa,
o que aprendi no retiro espiritual:
nao ha grande problema em nao ter acentos no teclado, entendemo-nos na mesma (e por aqui se ve como jah estou em Lisboa ha muitos anos, ia escrever "ah mesma", mas refreei-me - dah que pensar, primeiro o sotaque do Porto a substituir o trasmontano, agora as expressoes lisboetas a ganharem forca - talvez nao valha a pena resistir, let it flow)
let go, outra licao importante e mote deste ano
imperialismo emocional
e, a mais importante de todas, a definicao de interactividade.
Com quem estamos bem, o que queremos para nos e a verdade de escolhermos sempre a pensar no mais importante: a nossa felicidade.
Ah, e claro, uma casa de dois quartos e duas casas-de-banho limpa-se num instante!

Principios

Eu jah os vi e por isso devia estar menos dividida, vai ser a mesma coisa e ainda por cima 5 euros mais cara, mas, mas, mas, mas Campo Pequeno???
Porra!!

sábado, março 15, 2008

As sessoes terapeuticas

com a melhor terapeuta do mundo duram ateh ahs 4h da manha.
Fala-se, comparam-se historias e sensacoes, chora-se, sim, fuma-se um bocado e ateh se bebe, mas ontem acho que foi soh mesmo agua, para hidratar.
A culpa atribuida aos responsaveis, os erros assumidos, a catarse necessaria.
Tanta ferramenta, tanto trabalho que temos pela frente.
Suponho que seja assim para todos e nem sequer presumo que a minha vida eh pior do que a dos outros, nunca gostei da palavra vitima.
Mas eh preciso trazer ao de cima as feridas, abri-las mesmo, se necessario, para depois as poder fechar, curar, esquecer.
E fazer melhor, doravante - esta sim, palavra de que eu gosto.
Depois os sonhos sao agitados, numa especie de esterilizacao do interior, fervem-se as impurezas.
Liberta-se.
Ainda a tenho comigo e isso nao estah bem.
Para terminar, a nossa cura tambem vem de deixar curar os outros. E de admitir o mal que fizemos. Foi o melhor (palavra cinica, mas nao ha outra) que pude e soube fazer.

Analogia

Depois de um camiao TIR nos passar por cima, eh normal termos medo de andar na estrada.
A pouco e pouco forcamo-nos a faze-lo, tem de ser, nao ha outro caminho, nao ha outro meio de transporte. Mas isso nao significa que estejamos curados da ferida.
Soh que um dia acordamos e sentimos vontade de ir para a estrada, desejamo-lo e sentimo-nos felizes por isso.
Eh o principio da cura.

sexta-feira, março 14, 2008

Voltar para tras

Quando se avanca no caminho, ha pessoas e afectos que deixamos para tras.
Sera valido, honesto, deixar pessoas para tras e abrir a nossa vida (e o coracao) a pessoas novas?
Nao seria mais justo, mais responsavel voltarmos atras e apanharmos o que deixamos cair, restabelecer contactos e tentar novamente?
A resposta, a minha resposta a tudo isto eh nao.
Ha pessoas que ficarao sempre lah, no nosso passado, aquele amigo do liceu, a melhor amiga da escola, o professor especial, tantas pessoas.
Quem vale a pena, como se isto fosse um concurso?
Eu digo que valem a pena todos os que nos amam, todos os que sao carne da carne, todos os que sao especiais. Na verdade, aqueles que possam continuar o caminho ao nosso lado.
E que possam alegrar-se connosco do crescimento do circulo, welcome people to our town.
Voltar para tras foi a melhor coisa que alguma vez nao fiz.

quarta-feira, março 12, 2008

O que acontece

Nada acontece por acaso.
Nao acredito em destinos tracados, mais em caminhos a percorrer.
Alias, a melhor definicao de destino que ja vi foi num filme (where else?) em que um tipo dizia que o destino eh como estar num barco a remar de costas para a corrente e o destino eh o que fica para tras, e o que esta ah frente nao se ve, escolhemos inconscientemente. O caminho que tracamos, no fundo.
Nao adianta perguntarem que filme foi, que eu nao me lembro.
Sei apenas que a imagem ficou e o rio era o Nilo, pus-me logo num barco a remar Nilo fora, as aulas de Historia do 7o ano ainda a fazer efeito, que o rio eh dificil de percorrer por ter pouca corrente. Sou tao freudiana.
Encontramo-nos todos para nos ajudarmos uns aos outros. Ahs vezes para nos fazermos mal uns aos outros, infelizmente. Mas aprende-se tanto com o sofrimento.
Nem que seja para termos empatia por uma amiga que passa por uma situacao parecida com a nossa.
Sempre soube que era uma caretaker, bem escondida debaixo da carapaca dura de carangueja.
(Isto soa a presuncao? So be it.)

sexta-feira, março 07, 2008

O tempo para reflectir

às vezes vem do camião do lixo à nossa frente, que nos obriga a ouvir o open your arms and welcome e a escrever no telemóvel.
E ficar?

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O que queremos

Vale a pena pedir? A vida dá-nos tanta coisa.
Se não pedirmos, ficamos à mercê dela.
Mas se pedirmos e não conseguirmos, ficamos à mercê de quê?
Ter o comando da nossa vida é pedir o que queremos. Mas é mais. É trabalhar para isso, lutar e construir.
Aceitar o que a vida nos dá, quando mais não podemos fazer.
Às vezes é quando não pedimos que a vida nos dá aquilo que queríamos. Às vezes vem tarde.
Ou então não, vem quando tem de vir e deve ser apreciado como tal.
Hoje: aprender a aceitar o que a vida me dá e com isso construir o futuro.

O que vale é que vai ser noite de saída e convívio, para ajudar a aligeirar.
Bom fim-de-semana!