E as primas, as primas.
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domingo, fevereiro 20, 2011
Viana
Elas mudaram de casa, mas a comida da Titi sabe exactamente ao mesmo que sabia quando vínhamos da praia e lutávamos pelo ketchup. Mudaram de casa, mas a vista da varanda que agora é marquise é exactamente a mesma, os jardins e as hortas e as janelas das outras pessoas que eu imagino a viver uma vida provavelmente diferente do que ela é na verdade mas, por isso mesmo, muito melhor. A casa é outra, mas o som do armário que foi meu leva-me em milissegundos para Aval de Cima, porque as memórias auditivas são o meu mundo. A casa é diferente e melhor, o sofá senta quatro e eu sento-me ao lado, está quentinho, comi a minha comida preferida e não me apetece ir embora.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Cosmopolitans
Quem disse que beber não é o melhor remédio? Especialmente se acompanhada da prima-irmã e suas amigas. A repetir, várias vezes.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Havemos de ir a Viana
Vocês não sei, mas eu vou hoje. Para a melhor das companhias (top5, pronto, não fiquem ciumentos), que já me disse que vou ficar ao lado dela no jantar e também "Vê como é que te portas hoje", cheia de medo que a prima dois anos e sete meses mais velha a envergonhe à frente dos amigos.
Eu porto-me como a tua prima fada-do-lar ajuizada, don't worry, disse-lhe.
Depende de ser ou não a designated driver, já que ela é a birthday girl, digo-vos.
quarta-feira, julho 30, 2008
Havemos de ir a Viana
Se o meu sangue não me engana
E o céu o mar prolongava
Ai, que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
Misto de ventura, saudade, ternura e talvez de amor
Em menos de 10 anos (ainda ia à praia do Paçô aos 18?), muita coisa mudou.
O areal de Carreço quase desapareceu, o Cabedelo está irreconhecível. Aquecimento global, sim.
Na nossa praia favorita de tantos Verões já não há quem apanhe o sargaço e por isso entrar na água é uma aventura de luta pela vida com laivos de ficção-científica.
Consegui, ainda assim. Soube tão bem.
E ficar na areia até às 19h30, conversa animada com a prima-irmã, gelados depois do banho, café ao chegar à praia, café em casa com a Titi, almoço delicioso com as duas e sentir que ainda é tudo igual, tenho 8, 10 anos, 13, 14, 15 e aquela casa é o maior refúgio da minha vida.
E não, não somos mulheres de relações para toda a vida.
Como diria o meu querido Mário, vamos almoçando.
E o céu o mar prolongava
Ai, que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
Misto de ventura, saudade, ternura e talvez de amor
Em menos de 10 anos (ainda ia à praia do Paçô aos 18?), muita coisa mudou.O areal de Carreço quase desapareceu, o Cabedelo está irreconhecível. Aquecimento global, sim.
Na nossa praia favorita de tantos Verões já não há quem apanhe o sargaço e por isso entrar na água é uma aventura de luta pela vida com laivos de ficção-científica.
Consegui, ainda assim. Soube tão bem.
E ficar na areia até às 19h30, conversa animada com a prima-irmã, gelados depois do banho, café ao chegar à praia, café em casa com a Titi, almoço delicioso com as duas e sentir que ainda é tudo igual, tenho 8, 10 anos, 13, 14, 15 e aquela casa é o maior refúgio da minha vida.
E não, não somos mulheres de relações para toda a vida.
Como diria o meu querido Mário, vamos almoçando.
terça-feira, junho 17, 2008
No domingo
fomos a Viana. (Viana é Amor.)
Almoçámos com a Titi e a prima-irmã à beira-rio. (Como se fôssemos apanhar o ferry para a praia, corre, estamos atrasados.)
Chovia muito, muito, fomos a pé. (Mas a beleza da cidade estava lá, não faz mal chover porque agora tudo me lembra Viana, o sol no terraço, o calor bom do fim de dia, as pombas a cantar, as gaivotas a passar.)
Depois café no Zé Natário, tantos anos e o empregado é o mesmo. (E o homem a levar a chávena à boca já funciona outra vez, embora me tenha esquecido de olhar para ele. Noites e noites sem fim, brincar no passeio e o fascínio pelo homem que bebia chávenas e chávenas intermináveis de café. Estávamos todos, eu sei que não éramos uma família perfeita e se calhar nem sequer feliz, mas estávamos todos e com "todos" quero dizer nós os seis e eles os três.)
Depois parou de chover e fomos dar o giro obrigatório, Praça da República, descer até ao jardim (não me perguntem o nome, só sei que era bem maior quando eu era pequena e comíamos gelados nos baloiços e eu acabava sempre o gelado da prima pequena porque era sempre gelado a mais para ela, feiras do livro, corridas, algodão-doce, antes das obras o jardim não tinha fim).
Passear pela cidade quase deserta e chuvosa de um domingo de Junho podia ser deprimente, a mudança e a perda do que já foi, mas não é. (O manequim assustador que espreita da janela em frente à igreja de S. Domingos continua lá, o mistério ainda por desvendar. Eu gosto das coisas assim.)
Viana é tudo o que é bom, nos livros e nas histórias, no calor deste início de Verão, em tantos sons e músicas, para mim é sempre Viana, sempre, a imaginação troca as divisões da casa, a casa onde os meus pais viviam quando casaram e onde tiveram as minhas irmãs, a casa onde eu também praticamente cresci todos os verões da minha infância e adolescência, era nessa casa que se passava o primeiro conto que escrevi, os bonecos e brinquedos que à noite ganhavam vida, tinha onze anos e foi a pensar em Viana que me surgiu a inspiração.
Se Viana também tem coisas más? Claro que tem, muitas memórias más, muitas tristezas e muitas dores. Mas que vida ou pessoa tem só coisas boas?
Viana é tudo, mas é mais bom que mau.
Almoçámos com a Titi e a prima-irmã à beira-rio. (Como se fôssemos apanhar o ferry para a praia, corre, estamos atrasados.)
Chovia muito, muito, fomos a pé. (Mas a beleza da cidade estava lá, não faz mal chover porque agora tudo me lembra Viana, o sol no terraço, o calor bom do fim de dia, as pombas a cantar, as gaivotas a passar.)
Depois café no Zé Natário, tantos anos e o empregado é o mesmo. (E o homem a levar a chávena à boca já funciona outra vez, embora me tenha esquecido de olhar para ele. Noites e noites sem fim, brincar no passeio e o fascínio pelo homem que bebia chávenas e chávenas intermináveis de café. Estávamos todos, eu sei que não éramos uma família perfeita e se calhar nem sequer feliz, mas estávamos todos e com "todos" quero dizer nós os seis e eles os três.)
Depois parou de chover e fomos dar o giro obrigatório, Praça da República, descer até ao jardim (não me perguntem o nome, só sei que era bem maior quando eu era pequena e comíamos gelados nos baloiços e eu acabava sempre o gelado da prima pequena porque era sempre gelado a mais para ela, feiras do livro, corridas, algodão-doce, antes das obras o jardim não tinha fim).
Passear pela cidade quase deserta e chuvosa de um domingo de Junho podia ser deprimente, a mudança e a perda do que já foi, mas não é. (O manequim assustador que espreita da janela em frente à igreja de S. Domingos continua lá, o mistério ainda por desvendar. Eu gosto das coisas assim.)
Viana é tudo o que é bom, nos livros e nas histórias, no calor deste início de Verão, em tantos sons e músicas, para mim é sempre Viana, sempre, a imaginação troca as divisões da casa, a casa onde os meus pais viviam quando casaram e onde tiveram as minhas irmãs, a casa onde eu também praticamente cresci todos os verões da minha infância e adolescência, era nessa casa que se passava o primeiro conto que escrevi, os bonecos e brinquedos que à noite ganhavam vida, tinha onze anos e foi a pensar em Viana que me surgiu a inspiração.
Se Viana também tem coisas más? Claro que tem, muitas memórias más, muitas tristezas e muitas dores. Mas que vida ou pessoa tem só coisas boas?
Viana é tudo, mas é mais bom que mau.
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