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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

No planeta Arret, do outro lado de espelho

As pessoas são comprometidas por definição, ouvindo-se muitas vezes a pergunta "quando é que ficas solteiro(a)?" entre amigos.
O dia 14 de Fevereiro é um dia clandestino, não há cartões com grandes corações vermelhos e ursos de peluche a dizer "I Love You" nas montras das lojas, mas abundam os cartões inscritos de "Vou deixar-te" e "Até nunca!".
Ser um casal, no planeta Arret, e sair para jantar fora, de mão dada, ou tomar café e beber um copo, não é socialmente bem visto. Jantar fora em mesinhas de duas pessoas, restaurantes cheios, tudo a pares, não se faz.
Mas há um sentimento de frustração e rebeldia social a despontar...

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

O amante das sibilantes

Gostava tanto das sibilantes que se demorava a libertá-las dos lábios, numa espécie de beijo prolongado no pescoço.

sexta-feira, novembro 28, 2008

O outro,

o nosso blog, está a tornar-se rapidamente o dela.
E que bem que está a ficar.

sexta-feira, julho 04, 2008

Do Verão

Hoje chove no Porto, mas continua a ser Verão.
Como no ano passado, mas
principalmente,
como o diz (e tão bem)
o meu irmão.

quinta-feira, julho 03, 2008

na fila de trânsito

no semáforo vermelho
o condutor do carro ao lado
usa um folheto dobrado
para atirar do vidro
um passarinho morto
que cai na estrada
o semáforo fica verde
e a fila avança

quarta-feira, maio 14, 2008

I'm not there

quando perguntarem por mim, não haverá resposta
quando me ligarem, não vou atender
quando baterem à minha porta, não estarei lá
quando me procurarem pelas ruas e cafés e estradas e cidades, não me encontrarão
já fui, talvez nunca mais volte.

quinta-feira, maio 01, 2008

o que foi feito de Paris?

o que lhe fiz?
onde ficaram as pernas finas e lisas, morenas non troppo?
para onde foi o meu francês e os sonhos e a vida tão diferente que eu ia ter?
quero voltar lá. não atrás, ou atrás apenas para recuperar o traço.
quero voltar ao que virei a ser.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A casa

A casa é grande e tem muitos quartos, mas a cozinha é o centro de tudo.
A mesa acolhe-os a todos, cada um com o seu feitio e vida, cada um vindo de seu canto, cada um com a sua própria família.
É inverno, deve ser Natal.
Eles vão chegando e o frio da rua desaparece no momento em que passam a porta grande.
O calor, os cheiros, os sons.
Deve haver crianças, não sei. Se calhar não.
Só eles são mais de 9, talvez 10.
Falam alto e atropelam-se muito uns aos outros, é claro que há zangas, mas há sempre reconciliação - há alegria.
A lareira nas costas da mesa, o jantar servido.
Entre os irmãos, o humor e a cumplicidade de sempre.
Às vezes também é Verão e aí a cozinha perde protagonismo para o jardim das traseiras, onde há sombra e árvores e crianças, afinal há crianças, a brincar e a pedir mimos.
Há sumos frescos em jarras bojudas e pesadas e todas as refeições parecem piqueniques.
Alguns aborrecem-se, claro, lêem-se livros e rabuja-se, mas dão-se grandes passeios, visitam-se as vacarias da família, à noite há sempre filmes e rambóia até às tantas.
O tempo passa devagar, mas depressa é hora de partir novamente.
Por muito longe que estejam uns dos outros, regularmente voltam à casa partida para receber dois mimos e recarregar o núcleo.
A minha família idealizada é um livro da Anita.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

ela chorou

durante todo o almoço. primeiro silenciosamente, as lágrimas a caírem ordenadas no prato, as pessoas à sua volta sem se darem conta. depois com soluços e sons e tremores do corpo, e à medida que as pessoas no restaurante se apercebiam do choro dela, surgiam as caras de choque, o horror pelo que viam. finalmente, uma pessoa não conseguiu impedir o vómito. logo a seguir outra, depois outra e mais outra, até que todos no restaurante fugiam ao cheiro e ao vómito mas, principalmente, fugiam do choro dela.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Desenganem-se,

a felicidade não escreve livros.

terça-feira, dezembro 11, 2007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Novas tecnologias, pérolas antigas

Caixa de entrada: 221 mensagens.
Pelo meio, muitas pérolas antigas deliciosas de descobrir.
Telemóvel: o álbum de recortes dos tempos modernos?

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Que bonito!

Com a maior parte da página e no meio de duas críticas em espanhol e uma em italiano, a portuguesa.

Estou orgulhosa, pois estou!
Mas não é por isso que faço da escrita métier, non non.