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sexta-feira, fevereiro 18, 2022

The pink coloured glasses

Hoje foi o meu último dia. Correcção, o meu último-último dia, que já não é a primeira vez, tanto é que um colega de quem gosto muito me mandou um email quando soube, “you did it again??”. Fez-me rir, como sempre. 
O último-último dia foi estranho. Por um lado, a bizarraria de ter preparado tudo com antecedência, tanta que deu para rever, mudar, editar, aperfeiçoar. Tanta que hoje só tinha quatro coisas para fazer e uma delas era entregar o material. 
Deixei o chefe, que já foi chefinho e a luz dos meus olhos profissionais e agora é só o chefe com quem tenho uma história longa e com quem consegui esclarecer as coisas e partir de boa relação, com tudo arrumado, até ele ficou parvo com os metros cúbicos de espaço que tem agora no novo sítio. Só não consigo ser tão rápida e decisiva em casa, mas isso são outros trabalhos. Não é difícil arrumar quando 85% vai para destruir. 
Bela palavra, destruir. Estes dois dias andei no escritório com lentes cor de rosa nos óculos que não uso, passei em partes do edifício que me deixaram nostálgica e soube que ia ter saudades (mainly das pessoas), mas também veio o medo. É a última vez. Da primeira não sabia que ia querer voltar (raio de antro onde me fui enfiar, aprendi finalmente a lição), mas desta sei que não posso - e não quero. Desta vez saio porque já não podia mais e, apesar disso, saio sem amargo de boca. Porque já o resolvi (acho). 
Saio porque vou para outro sítio onde senti o que se deve sentir, isto é bom, a nova chefe lembra-me a minha primeira cá, é um ano mas pode ser mais. E depois de um ano, é mais fácil mudar de vida ou não. Logo se verá. 
Medo de fechar a porta, medo de me arrepender, saí a pensar se teria mesmo feito tudo, se teria mesmo deixado tudo. Medo de ter destruído algo que não volto a recuperar. 
Normal. Ainda digo “no meu trabalho”, mas foi só há umas horas. Isto entretanto passa. “Andou estúpido, mas depois passou-lhe.”

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Da percepção das coisas

Domingo à noite fui à festa de anos da minha colega do italiano (ando a aprender italiano há um ano, ainda não tinha contado?) que vive numa zona posh aqui do burgo e tinha a casa cheia de gente que vive noutra das zonas bem da cidadezinha. Eu, felicíssima com o meu quartier working class, portugueses aos gritos por todos os lados e africanos a cada esquina, comecei a recear a reacção das pessoas ao perguntarem-me onde moro, que, for the record, é sempre a mesma, "ah, e não é perigoso?", porque claramente nunca foram ao Intendente em Lisboa às duas da tarde de um dia de semana.
Ontem, ao entrar no meu indiano favorito para um take away muito bem coordenado a partir do autocarro que me levou do trabalho a casa já depois das oito e meia da noite, dou de caras com uma das amigas da minha colega, mais uma que mora na tal zona bem, que ficou muito espantada por me ver ali, ao que lhe expliquei que moro praticamente ao lado. "Oh, you're so lucky! This area is great!".
Tell me about it, pessoa que tem de vir lá da zona bem para a minha zona working-class-portugueses-e-africanos-e-insegurança-pública-ai-que-medo para comer num restaurante bom.

quinta-feira, março 01, 2012

Mal informado

Este blog não sabe que a sua autora (propietária? eu nem sou proprietária da internet que powerfica este blog) arranjou trabalho e não tem tempo para estas tretas.

domingo, fevereiro 05, 2012

sexta-feira, novembro 11, 2011

Tão gira

No mundo das possibilidades, entusiasma-me mais a perspectiva de um emprego do que a perspectiva de uma relação. Queres ver que adultei?

quarta-feira, novembro 09, 2011

Low profile

Ninguém diria, pelo volume que a minha voz pode atingir, mas quer-me bem parecer que nasci para ser secundária. Lateral. Faço o mundo funcionar, nos seus limites pequenos que me confinam a vida, mas não faço nada que fique na história. Faço o jantar, a sopa, chego cigarros, cinzeiros, limpo cozinhas.
Diz o irmão que "Os mestres zen verdadeiros tinham empregos humildes e discretos, Ju."
Nem o "Ju" me anima por aí além.

terça-feira, outubro 25, 2011

Escolha uma(s)

Hormonas, cansaço, desânimo, chuva e céu muito muito carregado, falta de sono, fase do mês que não tem justificação nenhuma porque não é Aquela mas há-de ser qualquer coisa In Between, fadiga de lutar e esperar esperar esperar, desorganização deveras séria por não trabalhar há tanto tempo, depressão própria da condição situacional, depressão própria do estado das coisas (e das coisas do estado) incluindo a crise mundial o ambiente a fome no mundo e as crianças a morrerem sem cuidados médicos mais os animais que todos os dias sofrem, clara inadaptação à merda em que me meti, necessidade de açúcar com torradas por baixo, exaustão de fazer sopa todos os dias, confusão mental por ter de pensar em tantas coisas e tantas pessoas ao mesmo tempo, estado emocional em que entrei por vontade própria sou mesmo parva não aprendo nada é que é sempre a mesma coisa já não há pachorra mas é ter paciência e seguir em frente que já sabes do que a casa gasta, isto passa.

terça-feira, abril 26, 2011

25 de Abril Sempre!

Cantei a Grândola Vila Morena duas vezes, em pleno centro do Luxemburgo, e à noite ouvi-a pelo Zeca, num bar português. (Nós somos mais bolos, não é só ranchos.)
E agora fica a Liberdade, a letra da Carvalhesa, a vontade de nunca ter voltado. Vou-me embora.

quinta-feira, abril 07, 2011

Certezas

Sempre soube que pior do que não ter o que se quer é não saber o que se quer, mas agora que é comigo, custa um bom bocado mais. Isto afinal era mentira, sou Cristina até à ponta dos cabelos, porque sei exactamente o que não quero, mas fuck me se sei o que quero.

sábado, março 19, 2011

Farta de gente parva

Cheguei à conclusão de que já não tenho pachorra para gente parva. Nem para "amigos" de segunda categoria. Lamento, para isso já dei. A quem lhe servir a carapuça, bom proveito.

segunda-feira, março 14, 2011

A beleza das listas é o check

Estamos em Março e já posso riscar 3 items da lista:
Exame - feito
Viagem - marcada
Concerto - bilhete comprado
E sai mais uma viagem, em Maio.

domingo, março 06, 2011

I am done!!

'Tis a cause for celebration, but I'm still keeping the grey.

sábado, março 05, 2011

Tanto bem e tanto mal

Os bilhetes perderam-se no correio e o que parecia mau afinal foi bom. Fui ter com ela para me dar outro que conseguiu catar, benza-a deus, e falámos um bocadinho de tudo e de nada e depois de muito. E de repente, não sei se deu para reparar, apoderou-se de mim uma vontade enorme de chorar, não pelo que tinha acabado há minutos, mas porque comecei a rodopiar outra vez, à deriva, andei à deriva e agarrei-me a uma bóia a pensar que era terra firme. Dói ser tão burra.
Mas ouvi delícias, paguei finalmente a primeira multa de estacionamento que apanhei em 11 anos de carta (sou tão velha), comi um éclair (-continuo-a-achar-que-aquilo-leva-droga-para-ser-tão-bom), acalmei com a camomila e encetei o Conrad, que escrevia bem como o raio que o parta.
Amanhã blá blá blá durante 19 minutos e depois é vida outra vez, de copo de vinho na mão.

Só para vocês, um daqueles

Há uns anos eu estava perdida e pensei que me encontrava se fizesse Zazen. Assim que entrei no Dojo percebi que seria a última vez porque era tudo muito deprimente. As paredes brancas reflectiam o vazio que eu sentia, o turbilhão de gritos e dores, muito antes de tentar dobrar as pernas - e não conseguir - e pensar verdadeiramente que ia partir uma rótula porque tive de ficar assim mais de 20 minutos. Pensei que o sofrimento físico me aliviasse o outro, mas já devia saber que não, ora se resultasse, a malta que se corta andava aí feliz como um sino, verdade?
Lembrei-me disto tudo hoje, com um bolo de chocolate na mão, feito para uma colega que foi embora, a atravessar a Júlio Dinis, o sol na cara e a felicidade.

terça-feira, março 01, 2011

Miss World

I'm Miss World... 15 anos depois, a mesma música, numa cidade também começada por P, sem Torre Eiffel, mas com Torre dos Clérigos. Tanto tempo depois, the sky is violet.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Pelo meio de conselhos de vida,

Mana: tenho uns quantos amigos que acham que eu tenho cérebro de gajo
Eu: lol
Mana: ora é falso, sou muito mais esperta que os gajos

que eu já devia saber.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

30 anos

Quer dizer problemas de vesícula. A meia-idade é quando se começa a falar das entranhas como se o povo gostasse de ouvir, não é?

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Ano do Futuro

2011 é um ano futurista. Verdadeiramente espantada durante os primeiros segundos do dia 1 por não ver carros voadores na rua, rapidamente percebi que nada muda. Vai mudando. Vai-se vivendo todos os dias, quando toca o despertador e apetece atirá-lo contra a parede, e quando se aproxima a hora de saída do trabalho. Ando a viver em installments, portanto.
Resoluções, zero - deixei-me disso aos 7 anos. Pelo vistos, não sou a única a não exigir demasiado de mim própria no pior mês do ano.
Planos, só três (imediatos): um exame, uma viagem, um concerto. Ah, e arrumar o meu quarto no fim-de-semana. Baby steps, portanto.
Bom Ano!

sexta-feira, agosto 06, 2010

A merda nisto tudo

é que há gente que lo tiene mucho peor. E não, isso não traz consolo.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Sangremos

A vida é madrasta, já se sabe. Ou então não sei, se calhar é mesmo verdade que uns são filhos e outros são enteados. Sangro por todos os poros a cada inspiração e não sangro o que preciso.
Às vezes apetecia-me mudar tudo, ceder, dar a outra pessoa. Toma. Não é grande coisa, mas é de boa vontade. Não, não precisas de me dar nada em troca, fico bem assim, obrigada.