sexta-feira, maio 19, 2017

Gosto do ar. Do vento das janelas abertas, que refresca a casa e areja as coisas. De ter portas e janelas abertas e de segurar as portas dos quartos para não baterem, o vento a abanar papéis e a limpar tudo. 

Suponho que seja mais ou menos da terra do vento, da Vila d'Ala de Setembro, desse anunciar de coisas novas. Sem angústia e sem vontade de fazer malas, como a Juliette Binoche no Chocolate. Não. Só coisas boas, limpar e renovar. 

E um gostinho de ver a roupa a secar tão depressa. (Também amo de paixão a máquina da roupa.)

Sonhei contigo

Estavas deitada ao meu lado num sofá largo, a tua pele muito bonita e tu nua como no hospital. Eras muito nova, provavelmente já nem te conheci assim. Apetece-me dizer a essência de ti, pele muito branca e lisinha, cabelo escuro e bem penteado. 

E eu fiz-te festinhas na cara e fui buscar uma meia para tu coseres, de repente estavas de volta e que jeito me dava. Mas não, não estavas de volta. Vieste despedir-te de mim uma última vez e quando percebi que já não voltavas mais, chorei muito. 

Acordei e chorei muito, as saudades e a sensação de perda.

Guardo esta sensação (e choro quando me lembro do sonho) porque me encheu o coração, de um modo estranho. O coração não tem só coisas boas, guarda muitas mais. 

quinta-feira, dezembro 22, 2016

quinta-feira, dezembro 31, 2015

High, low, high, low... Vou dormir com a esperança de que amanhã seja melhor.
Não aconteceu nada de substancial, apenas dificuldades de comunicação e se calhar umas dificuldades logísticas. Acho que preciso de papel e caneta, eu que nem o mapa de Portugal sei desenhar, preciso de desenhar um mapa para a minha vida. Como a Mafalda (mas sem ano de estudos na China).
Medo, medo, medo. Medo que me faz ter lágrimas nos olhos (oh, drama queen) só de o escrever, como se o fim já tivesse chegado ainda antes de eu ter começado. Teimo em virar as páginas na pressa de chegar, não pode ser. Não há garantias, é como atirarmo-nos do pontão na Petite Anse, parece impossivelmente alto e que estupidez de coisa para se fazer e no instante seguinte, upa, já está, afinal foi tão fácil. Preciso de escrever este medo e um plano e ser realista. Ou ser completamente louca! Mas ser, decidir e agir.
A vida é minha, sou eu que tenho de a viver o melhor que souber e puder (repete 3x por dia).

terça-feira, dezembro 01, 2015

Novembro

Os franceses dizem "fazer o pleno". Eu digo não bebam água por cima de castanhas (gasolina também não).
Foi Novembro  Esqueci-me de tudo o que já devia saber de cor e salteado e aqui vai disto, vamos ao pleno que se faz tarde. Contas a três nem deus as "quês" e essas cenas que dizem os meus conterrâneos, mas eu também me esqueci das raízes e olha. Não foi uma facada, nem duas, mas três. Ainda dizem que isso da Holy Trinity não existe!
Sou capaz de precisar de ser exorcizada. Ou lavada em água de rosas ou uma coisa assim, que isto não é normal.
Buh buh e agora olha, headphones, uma horita e tal de whatsapp e isto há-de melhorar. (Abençoadas chamadinhas!)
Sem buh buh, que não vale(m) a pena. "Tu és mais tu" - ela tem toda a razão.

sábado, abril 18, 2015

Quero dormir

Dormir sem sonhar. Dormir só, sem acordar aflita, não tinha luz, não via nada, estava a ser atacada e não conseguia gritar, saía-me uma voz quase inaudível e eu queria gritar e fugir, mas a paralisação era total e eu acordei desesperada, precisava de sair dali, exorcizar, ainda bem que às três da manhã há quem me responda, só o facto de saber que ela estava ali ajudou. 
E depois outro, acordei às cinco da manhã, tão cansada destes terrores, tenho a cabeça em papas e isto já ultrapassa a sublimação das emoções. Já chega. 
Preciso de dormir na minha cama sem medo, só paz e descanso.
Melhores noites virão. 

quarta-feira, abril 15, 2015

Ainda sonho

Duas horas de sono, apenas duas horas de sono, e eis que se ouve a claquete e "Acção", que isto hoje vai ser a abrir. Sonho com casas estranhas que conheço de outros sonhos, um sistema estranhíssimo de acesso em que ou não há chave ou há demasiadas, há sempre gente zangada e eu já não sei se a sensação é de medo dos ladrões que possam entrar (outra recorrência) ou medo dos hóspedes, eles eram hóspedes ou inquilinos?, pelo ar da minha mãe de aqui-mando-eu-e-bico-calado, má como as cobras, zangada e aos gritos, acho que eram hóspedes, que aquilo tresandava tudo a pensão, os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles.
Vou dizer isto outra vez: os hóspedes zangados porque não conseguiam entrar e eu com medo deles. No meio do castanho todo daquela casa horrível (detesto mesmo o castanho, irra), uma porra de um jogo que está sempre ligado na tomada a carregar, mas carrega o vídeo em si, a caixa de DVD, não sei porque é que este pormenor me salta ao espírito, mas foi uma imagem que vi várias vezes naquelas duas horas, aquilo sempre ligado, mas porquê?, e é aí que entra o meu irmão, completamente alheado de tudo e todos, quero lá saber dos hóspedes/ladrões zangados, a mãe está aos berros? e-eu-com-isso?, e eu só tenho ganas de lhe dar três pares de estalos mas não posso, quando acordo o único adjectivo que me ocorre é "incompetente", mas não tem nada a ver com quem o meu irmão é, mas sim (ai o caraças que isto calhava mesmo bem para me fugir a boca para a verdade mas a bem dizer não posso porque enfim e também porque parece mal e além disso é capaz de se chatear comigo por isso não mas que vontade não me falta isso não) com como o meu irmão está. Já sei que isto é agramatical, mas é um sonho, portanto ao lado da falta de lógica pode vir a falta de gramática, não vem daí mal ao mundo. Também havia cães raivosos, cães castanhos e pretos, num estilo de cão-de-fila açoreano e, ó, já chegavam os cães, tinham de ainda por cima ser açoreanos?, mas se calhar é só porque pareciam pitbulls ou porque os tais são feios, porcos e maus.
E foi isto. Duas horas disto. Sei que acordei a meio tipo vira o disco, Joana Alice, mas não houve volta a dar, literalmente, as cenas repetiam-se com algumas alteracões e extensões, mas era o mesmo sonho.
A fúria sai-me pelos sonhos limpinha, limpinha. Mete-me medo e acorda-me e sei bem que isto é prova do stress das últimas semanas, mas há um lado de mim que adora esta capacidade, resolvo as merdas em sonhos e pronto, vejo-me reflectida neste espelho da verdade, espelho meu, espelho meu, haverá mulher mais dramática do que eu?, arejo as ideias e se calhar fico preparada para enfrentar as coisas. Ou então não...

quinta-feira, abril 02, 2015

(Não canto porque) Sonho




Sonho com água, inundações por todo o lado, e amigas boas e coisas desfeitas pela água, há sempre água, dentro das casas há um tapete de água, e a mãe e chichi, a mãe mal e chalupinha, a sensação de impotência, o pai do sonho é ora mau, ora bom, no fim fica bom e posso ir embora, há água por todo o lado, chove lá fora e, de vez em quando, uma pausa, um alívio, voltam as amigas boas e apesar de ser uma separação, a Marta está lá e é tão bom, as amigas ali à mão de semear como se fosse possível tocar-lhes, vê-las sempre que quero, ligo e tomamos café quando sair do trabalho, tenho tantas saudades delas, cigarros com a Marta, acordo banhada em suor, há água por todo o lado e falta-me uma parte da minha vida porque estou longe e nada é o mesmo, sim, claro que estou melhor aqui, mas falta-me uma perna, um braço, um bocado de um ventrículo, acordo com esta sensação de madeira podre pela água, o castanho mais feio do mundo, só tenho castanho na cabeça e quando trauteio "não canto porque sonho" durante o dia, lembro-me de repente e de um só sopro do sonho, tenho saudades da Marta e das minhas amigas e eu sei bem que a Marta é a representação delas todas, é mentira que as pessoas não são insubstituíveis, sinto tanto a falta delas.

sábado, janeiro 24, 2015

Janeiro

Janeiro é o pior dos meses. Nem Setembro, que traz o fim do Verão, é um mês tão cruel. 
O ano passado deixei de fumar em Janeiro e foi a merda que se viu. Este ano decidi ser mais cuidadosa. 
Ora eu em Janeiro (e ainda o mês vai no adro):
Desapaixonei-me e apaixonei-me; fiquei confusa; percebi que a carroça não pára; decidi take the ride; gostei da decisão, deixei de estar confusa; fiquei feliz; vi cães e putos e uma vida cheia de risos; bebi álcool e não me matou; fiquei bêbeda; tive bom sexo (muito bom); fiz café de manhã; emagreci; pintei as unhas de cinzento muito escuro; actualizei o meu currículo; tirei muitas fotografias, fiz vídeos e ri-me até às lágrimas; fui largada; chorei; zanguei-me; escrevi todos os dias; chorei mais; argumentei; chorei; aprendi a pôr base com pincel sem ficar com a cara toda aos riscos; deu-me o badagaio; pensei "ó cum carai, tu queres ver?"; percebi que era wishful thinking; deixei-me disso; chorei; desabafei, pedi conselhos, fiz tudo ao contrário, fiz merda ou fiz bem, não faço puto de ideia. Também comecei a lavar o cabelo começando pelo amaciador. 

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Ainda da percepção

Ando a olhar para o lado a achar que estou a olhar para cima, quando de facto devia estar a olhar para baixo, olhando em frente. Ver o que interessa era giro, não era?
Outra gira: ser eu, como sou. Dizem que sou uma gaja fixe, vejam-me só! As coisas que uma pessoa descobre num só dia muito bizarro.
Rinse, repeat.
P.S. Chorar num chantier só vale se a amiga for das boas, senão é esquecer.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Da percepção das coisas

Domingo à noite fui à festa de anos da minha colega do italiano (ando a aprender italiano há um ano, ainda não tinha contado?) que vive numa zona posh aqui do burgo e tinha a casa cheia de gente que vive noutra das zonas bem da cidadezinha. Eu, felicíssima com o meu quartier working class, portugueses aos gritos por todos os lados e africanos a cada esquina, comecei a recear a reacção das pessoas ao perguntarem-me onde moro, que, for the record, é sempre a mesma, "ah, e não é perigoso?", porque claramente nunca foram ao Intendente em Lisboa às duas da tarde de um dia de semana.
Ontem, ao entrar no meu indiano favorito para um take away muito bem coordenado a partir do autocarro que me levou do trabalho a casa já depois das oito e meia da noite, dou de caras com uma das amigas da minha colega, mais uma que mora na tal zona bem, que ficou muito espantada por me ver ali, ao que lhe expliquei que moro praticamente ao lado. "Oh, you're so lucky! This area is great!".
Tell me about it, pessoa que tem de vir lá da zona bem para a minha zona working-class-portugueses-e-africanos-e-insegurança-pública-ai-que-medo para comer num restaurante bom.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

4

Quatro semanas sem fumar, feitas hoje. (Diz que é sempre às quintas.)
Lembrei-me de manhã no banho, porque ando a pensar fazer um bolo de chocolate para a malta do trabalho quando fizer um mês (quatro semanas não são um mês) - chama-se a isto substituição de vícios, mas só porque não me deixam trazer gin tónicos para o trabalho.
Porque raio estava eu a pensar em bolos de chocolate no banho? - porque o meu cérebro aborrece-se muito desde há quatro semanas a esta parte.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Ai

Dói-me tudo. (Um dia, daqui a muitos meses ou muitos anos, dependendo disto correr bem ou só benzinho, vou-me rir muito destes posts e é para isso que os escrevo, para me rir muito, porque agora só tenho vontade de chorar.)
Dói-me a vontade que tenho de fumar e os pensamentos de drogada que procura um momento solitário para fazer uma coisa às escondidas, hoje de manhã tirei o maço de tabaco da carteira porque estou farta de o carregar para todo o lado e se calhar foi disso, não tenho maneira de saber, mas fora segunda-feira, hoje foi o dia mais difícil até agora. Hoje foi o dia mais difícil, segunda-feira incluída.
Tenho vontade de fumar e estou triste e a tristeza dá-me ainda mais vontade de fumar e isto para quem não luta contra um vício é certamente ridículo, mas estou triste como se tivesse perdido um amor e agora não lhe posso ligar, não o posso ver, mas eu ainda gosto dele e vou ter de viver o resto da minha vida assim, sozinha e incompleta, porque aquele bocado me falta. A analogia, perfeita, é do meu Pai, que também está a deixar de fumar, porque acha que se não deixa aos 68, vai fumar a vida toda, disse ele à minha irmã, que também está a deixar de fumar - somos portanto uma família muito mal-humorada e triste.
(Tenho energia a rodos e ando muito cómica e divertida, segundo consta, mas à noite custa-me muito e só não choro a noite toda porque depois fico com olhos de texugo, já vou ficar de certeza, que já chorei um bom bocado enquanto a minha irmã me tentava dar força ao telefone.)
Não me interessa o resto que se passa na minha vida, sim, gosto muito da Salsa, salvou a minha sanidade mental na segunda à noite, mais o que não me apetece contar, mas que foi bom, Janeiro de 2014 vai ser sempre o mês em que tentei deixar de fumar. Tentei, tento, continuo a tentar. Amanhã é mais um dia.
Preciso de ir correr e devia haver uma licença para fumadores que decidem não fumar, porque fazer isto e ter de trabalhar raia a crueldade.
Entretanto, tenho a estante da sala finalmente montada e não toquei num único parafuso. Ia dizer que não são efeitos secundários de não fumar, mas com um bocadinho de jeito consigo demonstrar por A mais B que são sim senhora, que eu agora bebo mais (de fumadora a alcoólica, dai, Joana, dai) porque tenho mais tempo e porque estou a tentar afogar a puta da vontade, o que me leva a fazer coisas que nunca in a million years, eu?, devem estar a brincar, e isso tem como consequência não planeada, mas muito agradável, ter a estante montada.
Deixei de fumar e fiquei com a estante montada. Dava um livro.

sábado, janeiro 11, 2014

Dia 3 - III

Não sei se já disse que estou a adorar deixar de fumar... Gosto especialmente dos efeitos secundários, como o cabelo todo oleoso, as olheiras pronunciadas - porque ainda não tive a sorte de ter insónias, mas felizmente não durmo tão bem como dantes - e, agora mesmo, esta dor no peito como se tivesse os pulmões aos chutos às costelas. Está a ser is-pec-ta-cu-lar!

Dia 3 - II

Old habits... Ontem fui beber um copo com amigos e hoje de manhã doía-me um bocado a garganta. Reacção automática - tenho de fumar menos.
(Para quem não sabe, aqui é proibido fumar em espaços fechados desde o primeiro dia do ano.)

Dia 3 - I

Muito feliz, ao terceiro dia acordei sem vontade de fumar!
E depois saí da cama... Dor.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Dia 2

O meu cérebro, coitadinho, acredita piamente que vai fumar, já daqui a um bocadinho. Parece as crianças nas viagens de carro, "já chegámos, já chegámos, falta muito??".
Espera... coitadinho uma porra! É o mesmo cérebro que passou a manhã a dizer-me "e agora vais fumar, acabas isto e vais fumar, é agora, aaaaagora!, já a seguir a isto, vai, fuma agora!", sabotador viciado de uma figa, cala-te!

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Para o que havia de estar guardada

Isto de deixar de fumar (ainda não acabou o meu dia 1, portanto falo do alto de uma vasta experiência) é assim (para mim, note-se - não vou falar dos sentimentos e sensações de outras pessoas):
oh meu deus o que é que eu fui fazer, tenho de fumar, tenho de fumar, tenho de fumar,
seguido de ahahahahahahhahahahahahahahah I can beat this!! die, craving, die!!! this is so easy, you stupid cigarette you,
e ainda oh, cigarette, how I miss thee, I really really loved you, you know? (cue misty eyes)
e *cue gajo que me passa à frente na fila* HEY!!!!! J'étais là avant!!!!
Parece que agora tenho o cérebro muito oxigenadinho, pelo que passei a tarde toda com a sensação de estar bêbeda, o que é, convenhamos, uma sensação espectacular, especialmente se estivermos no trabalho.
Também dá muita vontade de fumar.