Foi-se embora o nosso homem.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
A hora chegou
E com ela o frio da perda. A terra gelou um bocadinho de tristeza e na última noite cá, nevou. Um manto branco de honra. De manhã a neve a derreter pôs as telhas a chorar. Quando tudo acabou o céu juntou-se a nós e chorou muito tempo.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
(...)
Agora que tenho muitas amigas com filhos, vejo uma geração inteira de mulheres defraudadas. Mulheres a quem todos prometeram igualdade. Que têm ao lado companheiros que as desiludiram, porque alguns até fazem muito, mas quase nenhum faz metade. Que vivem numa sociedade que aplaude a maternidade abstracta, mas lida muito mal com os custos e as chatices da concreta. Que recrimina as mães-trabalhadoras-cansadas que não rendem o mesmo, que faltam, chegam atrasadas e saem a correr. E vejo mulheres cheias de culpa, porque parece que tudo isto é responsabilidade delas. Que os pais e maridos não assumem a sua parte porque elas deixam, porque gostam, porque são controladoras e perfeccionistas e só está bem feito quando é feito por elas. Porque não exigem, não reivindicam, não se zangam ou fazem chantagem. Que não se impõem no trabalho, não exercem os seus direitos. Que escolhem ficar em casa. Ou que não escolhem ficar em casa.
Da Mar.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Desconfiança
Sempre desconfiei das pessoas que conseguem manter as emoções escondidas. Carinha a rir quando tudo vai mal ou poker face por princípio. You shouldn't wear you heart on a sleeve, mas as pessoas que não se deixam perturbar pelos problemas, à superfície visível, merecem-me tanta confiança como os bichos que sangram cinco dias e não morrem.
Muito disto é inveja porque eu sou uma panela de pressão sempre sem tampa. Todos os dias tento aprender a pôr a tampa, mas o apito que deixa sair a pressão está lá. Passos decisivos em direcção ao copo de vinho, afastamento certo das lágrimas.
Tenho uma amiga que tem a melhor e mais bem usada poker face. Identifico-lhe a armadura em menos de nada. Já a conheço suficientemente bem para saber quando está tudo bem e quando não está. Nas vezes em que não tenho a certeza, pergunto.
Confio nela implicitamente, strange as it may seem.
Tenho uma amiga que tem a melhor e mais bem usada poker face. Identifico-lhe a armadura em menos de nada. Já a conheço suficientemente bem para saber quando está tudo bem e quando não está. Nas vezes em que não tenho a certeza, pergunto.
Confio nela implicitamente, strange as it may seem.
quarta-feira, outubro 14, 2009
Pepe, o carteiro
Se o carteiro Pepe vivesse numa cidade, seria no Luxemburgo. Em vez das ruas e estradas da sua pequena vila no Reino Unido, o carteiro Pepe poderia passear-se nas ruas bem alcatroadas e de passeios impecavelmente cimentados do Luxemburgo.
terça-feira, outubro 13, 2009
Crocodilos
Cheirávamos a crocodilos, mas não tínhamos os sintomas. Num carro da cor do meu computador novo, desci uma rua de aldeia e não consegui impedir que o carro descesse sozinho, mesmo depois de imobilizado e completamente travado com o travão de mão. Corri atrás dele e de repente tudo fez sentido, a paranóia crescente e palpável, a realidade sem sentido.
Preocupo-me e o inconsciente sabe. Aos bocadinhos, exorciza a preocupação e eu acordo sem ar, mas sobrevivo.
segunda-feira, outubro 12, 2009
Provas para teoria
No Luxemburgo, percebo que não devo ter ar de portuguesa. Numa rua com uma mercearia portuguesa, um quarteirão com dois cafés portugueses e um supermercado em que muitas das funcionárias da caixa e ainda mais clientes são portugueses, é quase como se não estivesse num país estrangeiro.
No dito supermercado uma senhora aborda-me no corredor do papel higiénico e pergunta-me se falo francês. Respondo que sim, un petit peu. Com um sotaque cerrado, pede ajuda para encontrar um ambientador de casa-de-banho e, antes que se alongue mais na descrição, corto a conversa com um "a senhora é portuguesa?". Olha para mim com espanto e responde que sim, mas cala-se. Digo-lhe que podemos então falar em português, é mais fácil.
No avião da Luxair, o assistente de bordo português olhou para mim quando chegou a minha vez da sandocha e hesitou, sem saber em que língua me falar.
Ao aterrarmos, enquanto tirava as minhas coisas da bagageira, um casal de portugueses pediu-me, em francês, para tirar também a mala da senhora luxemburguesa com quem conversaram o voo inteiro.
Italiana?
domingo, outubro 11, 2009
Of dogs and men - a tale in three texts
"Well I can tell u one thing about Alfie compared to me. He must be feeling a bit vulnerable being away from home and pack leader and all. So he was napping on the spare bed and I say come on let's go for a stroll and bang! he's awake and ready to go. No oh wait a minute I'm asleep here, no. Just yeah right let's get it on and so here we are, two guys out for a stroll, maybe chase some cats, who knows, but, dude, he is ready. x"
"Wow. Am I, we, creeped out man. We were in near total darkness across the park when there is this huge guy just standing there. I mean just big, no sound no movement... we turn around. There's another, gotta be 7 feet tall, for real, right behind us. So there we are. Two smalish guys. Between two monsters. Totally dark. Just the four of us..."
"So. I admit it. For a minute we froze. But then we looked at each other... no words needed. We just knew. Those guys are going down. We are like ninjas, dude. A couple of fucking terminators, man (only smaller, a lot smaller in one case). Alfie spins round, goes for the guy's ankle, any higher not really likely (oh, Alf's just said enough already with the heightist remarks, sorry Alf). Me, I snap out a perfect side kick to the other guy's ribs. I think, that's it man, he is done. I own him. But no. It felt like I was kicking wood. Long story short, I was. Some clown has erected two wooden statues in the middle of a field. Art? Pah. But we woulda had them. Mind you, Alf's still getting the splinters out of his teeth. X"
"Wow. Am I, we, creeped out man. We were in near total darkness across the park when there is this huge guy just standing there. I mean just big, no sound no movement... we turn around. There's another, gotta be 7 feet tall, for real, right behind us. So there we are. Two smalish guys. Between two monsters. Totally dark. Just the four of us..."
"So. I admit it. For a minute we froze. But then we looked at each other... no words needed. We just knew. Those guys are going down. We are like ninjas, dude. A couple of fucking terminators, man (only smaller, a lot smaller in one case). Alfie spins round, goes for the guy's ankle, any higher not really likely (oh, Alf's just said enough already with the heightist remarks, sorry Alf). Me, I snap out a perfect side kick to the other guy's ribs. I think, that's it man, he is done. I own him. But no. It felt like I was kicking wood. Long story short, I was. Some clown has erected two wooden statues in the middle of a field. Art? Pah. But we woulda had them. Mind you, Alf's still getting the splinters out of his teeth. X"
sábado, outubro 10, 2009
Recado
O problema de saber que os homens não valem um caracol é que continuamos a precisar deles para nos fazerem sentir bem de vez em quando. Vivemos sem eles, claro, sem dúvida nenhuma. Mas o chocolate também faz mal (a mim faz-me borbulhas, qual adolescente) e sabe bem. Sabemos que não valem a pena e continuamos à procura deles, quadradinho a quadradinho, roubados porque sim, hoje apetece-me, é das hormonas, estou triste, qualquer desculpa serve.
Se os backlinks funcionarem, manda-me um email.
(Alice)
quarta-feira, setembro 30, 2009
terça-feira, setembro 29, 2009
Prioridades
No domingo tomei banho, votei e depois fui às urgências porque cada vez me doía mais.
A médica que me viu deu-me antibiótico e anti-inflamatório e disse que não deve ser nada "se deus quiser". Estive para lhe dizer que 1. não acredito em deus e 2. se quisesse a opinião dele, tinha ido à missa e não ao SASU. Não disse. Tenho de rever as minhas prioridades.
A médica que me viu deu-me antibiótico e anti-inflamatório e disse que não deve ser nada "se deus quiser". Estive para lhe dizer que 1. não acredito em deus e 2. se quisesse a opinião dele, tinha ido à missa e não ao SASU. Não disse. Tenho de rever as minhas prioridades.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Havemos de ir à bruxa
Sábado de manhã, o irmão leva o meu carro para a faculdade. Sábado à hora de almoço, o irmão liga a dizer que me assaltaram o carro. Vidro triangular do lado direito (para não ser sempre do mesmo lado), não roubaram nada desta vez. Nem o comando da garagem. Assaltaram todos os carros do parque. Participação na polícia, chamada para a seguradora, chamada para a empresa dos vidros, peritagem - a seguradora exige peritagens ao segundo sinistro num ano. (Em menos de dois meses, se formos precisos.)
Sábado à noite descubro um nódulo inchado e doloroso na virilha.
Sábado à noite descubro um nódulo inchado e doloroso na virilha.
sexta-feira, setembro 25, 2009
Do trabalho
O patrão pede-me para transferir 20 000 euros do banco usual para o banco que nos deu uma taxa de juro mais interessante, depois de confirmar que o gestor da conta não ligou. Pergunto-lhe o que devo pôr no descritivo da operação. Fica a pensar.
"Sei lá, ponha... olhe, ponha 'nha nha nha nha nha nha' ou 'o gerente do banco... da agência... não ligou'. Ou então ponha 'para a próxima liguem mais cedo'.", ao que eu começo a rir e só páro nas lágrimas. E ele atrás de mim continua e diz "ponha o que quiser" e eu escrevo ":p" e aí começa ele a rir-se e se não sou eu a limpar as lágrimas e a parar, ainda agora lá estávamos e a transferência por fazer.
P.S. Eu gosto muito do meu patrão, porque quando se zanga vai tudo raso.
"Sei lá, ponha... olhe, ponha 'nha nha nha nha nha nha' ou 'o gerente do banco... da agência... não ligou'. Ou então ponha 'para a próxima liguem mais cedo'.", ao que eu começo a rir e só páro nas lágrimas. E ele atrás de mim continua e diz "ponha o que quiser" e eu escrevo ":p" e aí começa ele a rir-se e se não sou eu a limpar as lágrimas e a parar, ainda agora lá estávamos e a transferência por fazer.
P.S. Eu gosto muito do meu patrão, porque quando se zanga vai tudo raso.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Trimm, trimm
"Estou?"
"É o Ribêiro."
"Desculpe?"
"É o Ribêiro?"
"Não."
"Então quem fala??"
"Com quem é que quer falar?"
"Com o Ribêiro."
"Então enganou-se no número."
"Ah, desculpe, sim?"
E o tempo todo eu a pensar que era algum amigo meu a gozar com o Ribêiro.
"É o Ribêiro."
"Desculpe?"
"É o Ribêiro?"
"Não."
"Então quem fala??"
"Com quem é que quer falar?"
"Com o Ribêiro."
"Então enganou-se no número."
"Ah, desculpe, sim?"
E o tempo todo eu a pensar que era algum amigo meu a gozar com o Ribêiro.
Viso
Na estação do Viso estava uma mota do INEM com o condutor em cima.
Bigalhonas, aquelas coisas. E amarelas. Ainda bem que eu vinha de metro. Pena foi não ter reagido a tempo e tirado uma foto.
Bigalhonas, aquelas coisas. E amarelas. Ainda bem que eu vinha de metro. Pena foi não ter reagido a tempo e tirado uma foto.
quarta-feira, setembro 23, 2009
Tenho um telemóvel novo
E ontem tirei (finalmente) a película protectora do visor. Em termos de libertação? Melhor do que chorar.
segunda-feira, setembro 21, 2009
(de) Agradecimento
Apeteceu-me sentar no colo delas e chorar. (porque) As outras pessoas não percebem nada.
domingo, setembro 20, 2009
Setembro no Jardim Botânico
O ano começa em Setembro. A vida renasce em Setembro e a árvore japonesa que vi no Jardim Botânico ontem de manhã dizia isso mesmo. Entre o verde das árvores que desconheço mais profundamente do que pensava, senti que a vida recomeça sem ter acabado, não há tábuas rasas e isso é melhor, muito melhor do que pior.
Para a semana volto lá para ver só as árvores, tirar fotografias e cumprimentar a japonesa a quem já esqueci o nome. Descobri o Jardim Botânico do Porto. (E mais, muito mais.)
sexta-feira, setembro 18, 2009
quinta-feira, setembro 17, 2009
A culpa é do tempo de antena
Fui arranjar as mãos. Ando de botas e quando saí do escritório estava escuro e chovia e senti o Outono. Por isso e porque as minhas unhas me estavam a impedir de chegar ao teclado, sim têm bom aspecto, mas estavam enormes, fui arranjar as mãos. Enquanto era cortada, limada, ensopada, cortada, envernizada, o tempo de antena na televisão mesmo por cima de mim. E de repente vem uma tia com ar de alternativa e zen, de certeza no seu monte alentejano, e começa uma diatribe sobre o aborto e a clínica dos arcos e não sei quê que não percebi mas topei-a logo e remata-me com um "salvar vidas". Estava eu a ferver por dentro que o aborto já foi despenalizado, move on, gentinha complexada, sinceramente!, e saem-se-me com uma mensagem que era algo "neste tempo de crise é importante legalizar o casamento entre homossexuais... [pausa dramática da sonsa que lia o texto] e a adopção de crianças?". E pronto, em vez de começar a disparatar, porque eu falo com as mãos e disparato ainda mais com elas e lá se ia a manicure, ouvi a menina dizer "êssi dáqui é rósa, máis fica escurinho" e eu disse pode ser e agora tenho as unhas cor-de-rosa.
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